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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Clareza e Lucidez aqui e agora


Pergunta: Contemplação, o caminho dual, o bom, o belo, o feio. Como estamos contemplando, há um julgamento também?

Monge Genshô: Se você estiver julgando, está errado, as palavras nos atrapalham. Nós dizemos assim: a floresta, o mato que nos rodeia é belo, se você quiser procurar o feio você vai achar dentro da sua mente, pois na realidade não existe nenhum feio dentro da floresta que não seja belo. A árvore que está apodrecendo é bela, a podridão é bela, as folhas ficam amarelas e com ferrugem, adoecem e são belas. Se você disser que as folhas que ficam amarelas e morrem são feias, aí você colocou sua mente e aí a palavra belo, feia, está atrapalhando porque parece que tem uma contraposição belo/feio, não é isso.

O que nós vemos é maravilhoso, a morte faz parte da vida. Dentro do belo tem o feio, dentro do feio tem o belo. Aquela imagem do Yn Yang, na parte branca tem um ponto preto e na parte preta tem um ponto branco, porque já está tudo contido. Se você separa, você se perde. Por isso a instrução tem que ser não julgar, não criticar, não colocar  sua mente classificatória acerca das coisas, não faça isso. No seu caso, esqueça a palavra belo, pense “maravilha”, que não tem uma palavra oposta para atrapalhar.

Quando andamos hoje de manhã, o ritmo é de 5 km/h, e quando vamos para a estrada andamos 50 vezes mais rápido, a 100 km/h. Então nossa vida comum é extremamente diferente desta, mas esta vida seria muito mais o ritmo humano real. É claro que o sesshin é especial, nós só fazemos zazen. A vida diária num mosteiro não é assim, você faz três zazens por dia e o resto do tempo você trabalha e faz cerimônias, tem outras atividades, mas dentro deste ambiente que nós temos aqui, o ritmo, a paz com a qual você convive é completamente diferente, mas esta é a vida natural do homem e não aquela do ritmo dos motores, das conexões. Sei que não tem volta, e que os homens estão se tornando seres cibernéticos, mas de outro lado, eu vejo quantas pessoas se sentem perdidas e deprimidas no mundo lá fora, muitas não veem sentido em suas vidas. Por  isso temos uma epidemia de pessoas tomando remédios para uma tristeza, uma depressão. E é muito interessante que tenhamos isso num mundo tão acelerado.

Me lembra uma anedota antiga: pegaram  um homem que foi visitar os EUA e o levaram para mostrar “a maravilha”, o levaram  na Disney, em montanhas russas que colocam a pessoa a 180 km/h, descem por carrosséis ou torres em que as pessoas sobem e caem de repente, uma porção  de coisas assim, e aquele homem que havia vindo de um país distante, onde não havia nada disso, olhou tudo embasbacado. E no final do dia perguntaram o que você achou ? E ele disse:  “Que povo triste vocês devem ser”.

Nosso corpo não é diferente do armário, ele é construído de agregados, oxigênio, hidrogênio, ferro, cálcio, fósforo, um monte de coisas. São esses agregados, juntos funcionando, que dizem a si mesmo “eu sou”. Nós queremos que ele seja permanente, mas nada no mundo é permanente, nada, nada é permanente. Vejam, o que as religiões tentaram foi negar o próprio tempo, a própria duração do universo, porque o paraíso é para sempre, é eterno. Até o inferno por exemplo, é para sempre, é eternidade, castigo para eternidade, castigo infinito. Você comete um pecado e vai para o inferno infinitamente. Não parece muito justo, porque o pecado é limitado, ele não é infinito, mas por que o castigo do pecado é infinito? Filosoficamente um pouco exagerado.

Mas para o budismo está claro, não existe nada eterno, nem o universo é eterno, ele é cíclico. Tudo está sempre girando, começa, termina, começa, termina. Ambicionar a eternidade é querer contrariar o fluxo natural da vida. É por isso que no Zen vem pouca gente, porque a gente vai lá e diz isso para as pessoas, mas o que as pessoas querem é ser eternas. Eu quero que meu eu seja eterno, eu quero ir para um paraíso eterno, elas vão aos casamentos e juram amor para sempre. O que é idiota, porque nenhum amor dura para sempre. Na melhor das hipóteses os dois morrem juntos. Por que todo mundo está rindo? (risos) Porque, na realidade, a gente percebe a verdade evidente, tem algo de ridículo no comportamento humano de desejar a eternidade. Não têm? Parece um conto de fadas, “e foram felizes para sempre”. Mas é o que nós gostaríamos.  Está tudo metido nesses mecanismos mentais nossos , queremos nos iludir e nos esconder,  o budismo vem e joga isso na cara, aí vai todo mundo embora. Ficam só vinte pessoas para sentar em zazen, porque você coloca a pessoa para olhar a parede e ela vê a verdade. Eu estou respirando agora, mas eu vou respirar quanto tempo? Um dia eu vou respirar pela última vez.

Um aluno perguntou ao mestre: “Mestre, no Dharma de Buda o que senhor pode me oferecer?”. Ao que o mestre respondeu: “Gostaria muito de lhe dar alguma coisa, mas no Zen só há uma bola de ferro incandescente para ser engolida”. A primeira coisa a ser dita à um aluno é:

“Você sabe que está condenado a morte? Eu posso salvá-lo desta angústia existencial, mas somente através da clareza e lucidez. Não através de alguma crença, fantasia ou promessa maravilhosa para depois da morte”. Como as pessoas estão atrás dessas promessas de reencarnações, espíritos permanentes, almas e paraíso, não ficam. Elas desejam crenças, não sabedoria. Por isso uma  Sangha com mais de 20 pessoas é muito raro, altíssimo nível.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Nirvana não é um lugar




"O Boddhisattva, devido à sabedoria completa – coração/mente – sem obstáculos, logo, sem medo, distante de todas as delusões, isto é nirvana."

Nirvana quer dizer “sem fogo”. “Fogo extinto” ou, “sem vento das paixões”. Nirvana é a mesma coisa que Samsara. Samsara é Nirvana. Samsara é o mundo da perambulação, onde andamos de lugar pra lugar, procurando a felicidade ou satisfação. Nós procuramos, andando sem fim, procurando e trocando. Uma casa nova, um carro novo, etc, procurando, procurando, sempre trocando, isso é samsara. É o mundo rodando e você procurando a solução e satisfação de problemas sempre novos. Vão sempre surgir, porque é característica desse mundo mutante.

O que faz essas sensações todas, são o “vento das paixões”. E nós somos como folhas tocadas pelo vento das paixões.

NIR é uma partícula negativa e VANA é o fogo das paixões. Então podemos traduzir como “Fogo extinto, ou sem ventos”, e, na analogia que estou fazendo, não tem vento para empurrar a folha de lado pra lado. Não tendo paixões mundanas, então de repente surge uma grande calma, porque não importa. Atrasou, atrasou, perdeu o avião, perdeu o avião, tem comida tem, não tem comida, não tem. Perdi tudo que tinha, perdi tudo que tinha. Ganhei bastante, ganhei bastante.

As paixões não estão empurrando, então o mesmo lugar que é Samsara, é Nirvana. O que mudou é a maneira de ver. Você tira os seus olhos, que vêm o Samsara, e troca pelos olhos de Buda, olha com uma mente iluminada e aí aquilo que era Samsara, virou Nirvana.

Então Samsara não é um lugar. E Nirvana também não. Não dá pra “ir” para o Nirvana. Você muda a si mesmo e aí, este lugar torna-se Nirvana.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Vento que nos leva, fogo que se extingue



Pergunta – O carma é uma energia?

Monge Gensho – Carma é uma palavra que significa ação. Vipaka significa frutos, na verdade em sânscrito dizia-se carma vipaka, os frutos da ação. Quando você faz uma ação intencional ela cria carma e esse carma adere à sua identidade. Mas é ele, o conjunto de movimentos que você tem, que faz com que sua onda permaneça. O seu redemoinho gira em razão de seus desejos, apegos e impulsos. Esse é seu redemoinho. Por isso, nirvana: Nir, não, vana, ventos. Nirvana quer dizer “sem ventos”. Sem os ventos das paixões. Outra tradução é “fogo extinto”. Quando se extinguirem os fogos das paixões, esse fogo extinto, não queima mais.

Pergunta – No budismo, além da meditação, existe outra prática que a gente possa fazer para manter o equilíbrio?

Monge Gensho – Muitas. Mas a meditação é a principal, pois ela cria estabilidade e um conhecimento de sua mente. Então, você pode retornar a essa mente do zazen quando o mundo criar movimento. No zazen, se você estiver realmente, como um espelho, refletindo todas as coisas, sem fazer quaisquer considerações, sem passado ou visitas ao futuro, você não está produzindo carma. O zazen corta o carma. Se você conseguir, em algum momento de sua vida, através de plena atenção, da prática das ações, da prática do caminho óctuplo, que são as oito práticas ensinadas por Buda - ação correta, fala correta, meio de vida correto etc., se você fizer essas práticas, elas extinguirão seu fogo. Haverá, em primeiro lugar, mais calma e serenidade, o que, depois, poderá conduzir você cada vez mais profundamente, até um grande esclarecimento. 

Quando você vir sua verdadeira natureza, quando vir, com clareza, a vacuidade de todas as coisas, quando enxergar o vazio de seu próprio eu, você não poderá mais ser ofendido. Se você vir tudo isso, ainda sentirá compaixão por todos os seres, porque todos os seres se percebem como “um”. Sendo assim, você será incapaz de fazer coisas que causem sofrimento, e isso se chama mente de Bodhicitta. Se você criar esse tipo de mente e fizer esse tipo de prática, vindo a alcançar um grande esclarecimento, chamaremos esse esclarecimento de iluminação, e essa iluminação é o fim de toda dor. Se você extinguir as energias cármicas que movem você, seu redemoinho cessará e você não será obrigado a voltar, a menos, evidentemente, que queira. Mas só existe um motivo para querer, que é a própria mente de Bodhicitta, compaixão pelo pesadelo dos outros seres, o desejo de acordá-los. Por isso, a palavra buda vem da raiz bud, “desperto”, e Buda significa “aquele que acordou”. Se você acordar, acordará do sonho e desejará acordar do sonho os outros que gemem e sofrem.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

As dores físicas e as afetivas



Aluno: – Tive câncer no rim. Eu tinha dores terríveis e era alérgico à morfina. Isso me fez evoluir um pouco com relação à dor física por já ter tido dores terríveis. Por pior que seja a dor física, não se compara à dor emocional.

Monge Genshô: - Concordo com você, mas a dor física pode causar tamanho desconforto que a pessoa sinta vontade de desistir. Já ouvi isso de pessoas com muita dor. Chega um momento em que a pessoa perde o ânimo, isso, na verdade, é muito mental. Se a pessoa conseguir manter sua vontade de viver, poderá vencer.
 Nos campos de concentração, testemunhas contam que sabiam que uma pessoa iria morrer porque ela desistia, perdia a esperança e quando perdia a esperança, morria. Se a pessoa consegue manter forte energia e consegue enxergar seu corpo como algo temporário, isso é maravilhoso, pois pode lhe dar grande liberdade. Temos muitas histórias, como a de monges budistas que se imolaram no fogo em posição de zazen e assim morreram. Para isso é preciso esquecer o corpo e tornar-se um com o fogo. Queimar junto. Não existe um conflito entre as duas coisas. 
Mas dores afetivas são muito mais difíceis. As coisas materiais - e aí se inclui o corpo - são mais fáceis. Você pode perdê-las, como pode perder um braço, por exemplo. Se você falar com um pai, ele daria seu braço para o filho com facilidade. Para um pai, é fácil morrer pelo filho. Isso é muito interessante, embora se possa dizer que um filho também seja o prolongamento de um eu.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Podemos julga-los?


"Em certas circunstâncias, as pessoas são arrastadas a fazer coisas terríveis que normalmente nem em sonhos pensariam em fazer. No caso dos tibetanos, as condições terríveis de opressão que estão atravessando ( pelos chineses) os impelem a atos extremos como a imolação pelo fogo, que em condições normais jamais passariam por sua cabeça. Portanto, não nos cabe nem elogiá-los nem criticá-los por isso, mas apenas lamentar e denunciar a situação de opressão em que eles estão aprisionadas.Por outro lado, pessoas que fazem boas ações jamais devem se vangloriar de as fazerem por serem boas ou virtuosas, elas assim agem apenas porque estão colocadas numa situação favorável à execução de boas ações."

Shaku Riman
(Citação de trecho de e-mail postado pelo Rev. Prof. Ricardo Mário Gonçalves)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Suicídios monásticos no Tibete


Já se contabilizam 11 suicídios de monjas e monges no Tibete, em protesto contra a opressão chinesa, apesar da desaprovação enfática do Dalai Lama e das restrições budistas o desespero é tão agudo que leva estes religiosos a se imolarem pelo fogo em um protesto público afim de, com seu dramatismo, moverem a opinião pública e socorrerem os outros oprimidos.
Sobre o tema o Prof Sasaki, iniciou uma série de postagens em seu blog, Folhas do caminho, do qual transcrevo o primeiro abaixo:

"O caso dos monges suicidas do Tibete - 1

As notícias recentes de que há uma onda de suicídios entre monges e monjas tibetanos que, assim, protestam contra a extrema ditadura chinesa em seu país, são em si mesmas preocupantes. É um ato político, sem dúvida, e ocasionado pelo grau de violência demonstrado pelo governo chinês há décadas. Neste sentido, apenas temos que nos solidarizar com este povo que não têm recebido apoio algum das nações do mundo, as quais se curvam ao poderio econômico e político da China.

À parte a questão política, uma pergunta de outra ordem tem também surgido com frequência: "É correto ou permitido aos monges se suicidarem?" Temos visto essa pergunta e mesmo recebido essa indagação que se justifica diante do contraste em relação aos preceitos tão associados ao Buddhismo de não-violência e preservação da vida. Afinal, consta logo do primeiro preceito de treinamento (pañcasīla) a determinação de se abster de tirar qualquer vida, e isso, é claro, inclui a própria. Nossa questão é, então, saber se haveria uma base doutrinal que possa justificar o suicídio no contexto religioso buddhista ou se tais atos devem ser compreendidos exclusivamente como aqueles de representantes religiosos de um povo desesperado diante da violência genocida empreendida pelo governo chinês.

Tal questão possui ainda duas peculiaridades. Primeiro, que a ação de protesto intensa é feita por monges, representantes por excelência da religião adotada pelo povo. Em segundo lugar, essa ação não é a primeira na história buddhista, pois podemos nos lembrar do suicídio no contexto religioso em pelo menos outras duas ocasiões bem conhecidas, qual seja, como forma de protesto também no Vietnam, e o suicídio no Japão, empreendido seja como ato de honra (harakiri) diante de uma situação percebida como vergonhosa, ou como justificativa religiosa para matar e se matar pela pátria nos casos de guerra (como no caso dos kamikazes).

Desta forma, podemos fazer nossa pergunta novamente, é doutrinal ou religiosamente justificável o suicídio em situações extremas? Parte da perplexidade provém da superficialidade doutrinal que anima até mesmo a população de adeptos buddhistas. Conhece-se pouco em nosso meio as bases doutrinais da prática buddhista. Por outro lado, a população em geral está muito pouco consciente das diferenças existentes entre as várias escolas nas quais o Buddhismo se divide. A partir disso, muito frequentemente a visão que se tem do Buddhismo se resume em noções vagas doutrinais, preceitos de compaixão e solidariedade, e técnicas meditativas variadas. Sua profunda riqueza e diversidade de expressão passa completa e lamentavelmente desapercebida."

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Samsara e Nirvana são aqui



" Nirvana não é um lugar, não é um céu ou paraíso, o nirvana é aqui nesse lugar onde nós estamos. Aqui é samsara se nós temos olhos que vêem samsara, aqui é nirvana se temos olhos que vêem nirvana, o nirvana e o samsara estão no mesmo lugar. Samsara é o mundo da perambulação, um mundo onde nós andamos procurando a felicidade sem parar. Procurando um emprego melhor, um mundo cheio de “ses”, seu eu tivesse um carro novo, se eu tivesse uma casa boa, se eu morasse num país sem pobreza, se eu tivesse um grande amor, se, se, se.

Então esse mundo de “ses” onde as pessoas ficam procurando a felicidade sem parar é o samsara.Samsara significa perambulação. O nirvana é o mundo dos não impulsos, não desejos, não pensamentos, NIR, significa não e VANA pode ser entendido como ventos, ou fogo, no sentido de ventodas emoções, paixões e impulsos. Então é um mundo onde há paz e não somos empurrados de lugar para lugar pelos ventos dos desejos. Agora no sesshin pode-se notar bem o samsara, se minha almofada fosse mais macia, se minhas costas não doessem, se meus joelhos agüentassem, se o que controla o tempo desse uma olhadinha para o relógio e percebesse que já passaram quarenta minutos.

Como pensamos todas essas coisas o nirvana não existe nesse momento. Nós não ouvimos a serra do lado de fora como um ensinamento de Buda. No fundo, o vento nas arvores, o chacoalhar das folhas, o zumbido do mosquito são vozes de Buda, mas não entendemos. Por isso é samsara. "


Trecho de palestra em sesshin, Monge Genshô

domingo, 29 de junho de 2008

Fogo ameaça o mais antigo mosteiro zen do ocidente.


By Eric Bailey and Steve Chawkins, Los Angeles Times Staff Writers
June 28, 2008 (adaptado por Monge Genshô)

Na Floresta Nacional de Los Padres em torno de Tassajara, no mais antigo convento dedicado ao Zen Budismo, os incêndios já consumiram mais de 80000 hectares nas últimas três semanas. Steph Wenderski, 30 anos, nativa de Minnesota que viveu no convento dois anos, admite ocasionais períodos de medo. Mas esses períodos, disse ela, invariavelmente deram lugar à serenidade.

"Você não tem muito tempo para pensar sobre aquilo que pode vir", disse ela.

As autoridades locais pediram que aqueles que ficarem para trás neste centro espiritual - uma série de prédios rústicos de madeira e pedra, em uma remoto vale a 14 milhas da rodovia em uma estrada de terra batida - que forneçam os nomes de seus dentistas para efeitos de identificação.

Em Tassajara, uma tripulação de monges protetores apresentaram a mesma fortaleza dos que protegem suas casas protegendo seu mosteiro do brilho laranja do aproximar das chamas.

"Não temos a intenção de deixar o mais antigo mosteiro budista no Hemisfério Ocidental queimar", declarou Greg Fain, que parece apressado ao partir de S Francisco, onde ele atua como tesoureiro do San Francisco Zen Center.

"Neste lugar está o meu coração", disse Fain, estreitando os olhos por detrás de aro preto dos óculos, sua cabeça raspada coberta por uma boina amarela de beisebol. "Cada vez que venho ao cume, meu coração se eleva."

O complexo se espraia em 160-acres ao longo da borda de Tassajara Creek, em vales estreitos preenchidos com amieiros, carvalhos e pinheiros.

O San Francisco Zen Center comprou a propriedade em 1967.Metade do ano funciona estritamente como um mosteiro, com monges fazendo a sequência das práticas tradicionais Zen importados do Japão por Suzuki Roshi, dedicando pelo menos 10 horas por dia para a meditação e recitações.

Nos meses de Verão, Tassajara abre ao público - Praticantes do Zen ou simplesmente pessoas à procura de solidão. Com refeições estritamente vegetarianas, um banho quente, casas aconchegante e cabanas, preços de hotelaria .

Quando da notícia da proximidade do fogo, 75 convidados e alguns estudantes foram para o local em uma caravana de veículos automóveis. Esses protetores começaram a preparar-se para o pior.