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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A "posse" do Dharma


Proudhon

P: Como é a história dos textos budistas em relação a autoria?

R: O Dharma (o ensinamento) nunca é vendido, porque não tem preço, nos sutras do cânone jamais consta autoria, apenas a frase: "assim eu ouvi" e depois, as palavras de Buddha. Os sutras posteriores seguem em sua maioria este mesmo modelo, sem serem assinados ou terem sua autoria reivindicada. As primeiras referências regulares de autor surgem na China, 1200 anos após Buddha, e muitas vezes são apócrifas.
Nos tempos modernos, a manifestação de ego tornou-se cada vez mais forte, e os textos vão sendo assinados em benefício dos historiadores e exegetas. No entanto é ainda um padrão que os textos budistas sejam oferecidos para o benefício de todos os seres e permitida a sua reprodução livre, é o padrão que usam os sites ligados a nossa comunidade zen, embora só sejam publicados textos autorizados, todos podem livremente copiar os nossos textos e mesmo as programações, que já são usadas há mais de uma década, para o uso na difusão do Dharma. Ou seja, não passa pela mente dos verdadeiros praticantes budistas defender para si ou outrem a posse ou propriedade do Dharma, ele é dado livremente e se há retribuição esta é espontânea. Evidentemente se reconhece a necessidade de vender livros e materiais vários, porém sempre para o sustento de obras meritórias e não para enriquecimento pessoal.
O âmbito do Dharma é um dos poucos lugares onde vingou a máxima do socialista utópico Proudhon "toda propriedade é um roubo", o Dharma não é posse de ninguém,
pretende libertar todos os seres e não pode ser limitado pelo desejo de lucro próprio.

Agradecemos a G.S. as sugestôes sobre português, perguntas e temas que facilitam o trabalho do redator do Blog. Encorajamos outros leitores assíduos a também colaborarem.