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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O apego a ritos e textos



4) Em relação aos sutras, é importante mesmo recitá-los em chinês arcaico? Há alguma diferença?

As cerimônias são interessantes. Algumas pessoas são mais impactadas por elas e outras menos. Nós recitamos em línguas antigas para você ficar presente no que está fazendo. O fato de você ficar recitando uma coisa que aparentemente “não tem sentido”, faz com que sua mente esvazie. Então o sentido é sem sentido.

Se você quer “entender” a mensagem do sutra, você o escuta na sua língua e compreende. “Ah, ele quer dizer isso”. Você vai raciocinar com sua mente e tentar entender logicamente a mensagem, mas isso não é iluminação, isso é conhecimento. E conhecimento não é sabedoria. São coisas diferentes.

Então a prática das cerimônias é útil, e o cerimonial em si ele tem um sentido de: “ah, vamos estabelecer uma maneira de fazer o ritual, e é essa aqui”. Cada templo acaba estabelecendo a sua, e então tenta-se fazê-lo perfeitamente, porque não vai dar para se pensar mais em nada, pois você está só ali.

Mas isso também é uma “coisa criada”, também é uma fantasia, um meio hábil. Então  há um ensinamento no budismo que diz assim: “um dos obstáculos à iluminação é o apego à ritos e cerimônias”. Um dos principais obstáculos à prática. Alguns monges começam a adorar fazer cerimônia, não gostam de fazer zazen mas amam cerimônias e adoram corrigir os erros dos outros.

Então, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Cerimônias são importantes, conhecimento é importante, mas você precisa das duas asas para voar, conhecimento e prática. Porem se tivermos que escolher, devemos escolher a prática, porque de eruditos que sabem de muitas coisas, nós estamos cheios, de ritualistas mais ainda. Há gente que acha que estudar o budismo é dizer: “ah em sânscrito a palavra quer dizer isso e aquilo”. Aí vem outro e diz: “não, não, tem essa sutileza aqui, porque em páli o autor tal diz isso e aquilo”, e começam a discutir esses detalhes. Parecem os bizantinos, que discutiam quantos anjos podiam caber na cabeça de um alfinete. Isso é inútil para o despertar, do ponto de vista do zen completamente inútil.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Uma transmissão além das escrituras


Pergunta – O Zen é meditação, certo? Ele é um corte, axiológico do próprio budismo. Então porque o Zen ainda é indexado ao budismo, se ele manteve a linha própria dele?  Porque ele tem fundamentações para andar sozinho. O senhor mesmo colocou que os papéis são simplesmente coisas explícitas, escritas, e o tácito, o não escrito, é a base do Zen, então porque o Zen Budismo, não é somente o Zen?

Monge Genshô - Porque o Zen, do ponto de vista do Zen, é budismo. Dogen, fundador da nossa escola no Japão disse: isso é budismo, esses são os ensinamentos de Buda.
O budismo diz que o Zen consiste na transmissão de Buda para Mahakashyapa, porque ele levantou uma flor, numa assembléia sem dizer uma palavra e Mahakashyapa sorriu, e então ele disse: “Mahakashyaka foi o único que entendeu” o verdadeiro ensinamento, a verdadeira transmissão, é uma transmissão além das escrituras.

O Zen tem muitos textos? Tem. Os professores estão sempre falando? Sim, sempre falando, e dando palestras. Eu perguntei para meu mestre, “por que falamos tanto”? E ele disse: “porque isso é tudo que nós temos”. Não temos outra maneira de transmitir, além da palavra, dos livros, mas seu último estágio tem que ser além das palavras. Então o Zen quer dizer: “nós somos o ensinamento, aquele de Buda para Mahakashyapa”.

Surgiram muitas escolas, dos mais variados tipos, elas têm sentido? Tem, porque as pessoas são diferentes. Há pessoas devocionais, há pessoas estudiosas, há pessoas que querem se remeter ao significado das palavras originais, todas essas escolas têm suas virtudes. O Zen também tem suas virtudes ao querer voltar à prática original de Buda - Buda sentou em zazen, então nós vamos sentar em zazen. Se Buda sentou nessa postura, então vamos sentar nessa postura, porque nós vamos imitar Buda. Essa é a essência do Zen. Mas ela serve para todo mundo? Não, não serve para todo mundo. As escolas budistas são necessárias porque as pessoas são diferentes. As outras religiões também são necessárias, porque as pessoas são diferentes. Existem pessoas que precisam trilhar aquele outro caminho, e por isso essa diversidade não é pobreza, é riqueza.

Por que o Zen precisaria seguir o seu caminho? Afinal de contas cada mestre segue o seu, os alunos seguem o mestre que querem! Então  existem múltiplos caminhos.

Pergunta – Ontem na palestra o senhor deu ensinamentos sobre carma, sobre as escolhas, e se o senhor respondeu com a questão da sabedoria. Eu entendo que quanto mais sabedoria você buscar, mais clareza e menos sofrimento. Mas, e o medo?  Pois se estamos aqui, temos a preocupação de mudarmos a nós mesmos,  e às vezes a pessoa pode ficar o perturbada em tentar fazer sempre o melhor,  encontrar escolhas mais corretas, há esse medo do medo?

Monge Genshô - Não há que ser perfeito. Não tente. Seja o que você é, um homem comete erros, um homem se engana, na verdade, nós ao tentarmos seguir algum modelo ficaremos infelizes. Nós temos que fazer a nossa prática de sempre esquecer o passado. O erro do passado é sempre esquecido, agora vou fazer assim, melhor, porque produz menos sofrimento, mais felicidade para mim e para os outros seres.

Eu só estou andando, e a vida se mostra a cada passo. Não tente caminhar e ser perfeito. Não tente ser santo, tente ser só um Bodhisattva, um Bodhisattva tem outra visão do mundo. Nagarjuna foi assassinado, ele era um grande Mestre do século I ou II DC. Os seus discípulos o encontraram esfaqueado, e perguntaram a ele: “quem fez isso”? E ele disse: “eu mesmo”. E os alunos disseram que sabiam que não fora ele que se esfaqueou, que dissesse quem havia feito aquilo, e ele disse: “isso é resultado do meu carma passado, de alguma maneira no meu passado eu criei condições para que isso acontecesse. Então fui eu mesmo que fiz isso, agora, se eu disser que uma pessoa fez isso comigo aqui e agora, um assassino, vocês o odiarão e o perseguirão, e esse ciclo não terá fim”. E morreu sem revelar. Ninguém sabe quem matou Nagarjuna. Ninguém foi perseguido, não houve nenhuma vingança. Essa é a visão do Bodhisattva.

terça-feira, 17 de junho de 2014

O comentário iconoclasta de Mestre Matsu


Muitas lendas foram contadas a respeito de Buda, dizem que quando ele nasceu saiu andando, caiu uma chuva doce, choveram pétalas e ele apontou para cima e para baixo, há uma estátua de Buda assim, Buda menino, e disse: “entre o céu e a terra eu sou o mais honrado”. Matsu, que foi um grande Mestre Zen da China, ouvindo essa história comentou: “se eu estivesse lá nesse momento, o teria matado a pauladas, e jogado sua carne para os cachorros”.

Como vocês interpretam esse comentário de Matsu?

Aluno – esse auto julgamento dele não condiz com o processo de humildade e a caminhada da iluminação. Porque se ele se julga honrado, se julga mais e diferente dos outros.

Exatamente. Então Matsu fez esse comentário, que se ouvisse isso, o teria matado a pauladas. Isso mostra muito do espírito com que o Zen olha esses aspectos míticos e religiosos que sucedem na história do próprio budismo. Porque o budismo também teve as mesmas tendências de todas as religiões. Teve a tendência à ortodoxia, aqueles que pegam textos do passado e querem conservar os textos tais como eram, naquele tempo, milênios atrás. Dois milênios e meio atrás era assim, será que deve ser assim, ainda hoje?

Por exemplo, quando as mulheres foram admitidas na ordem budista como monjas e rasparam a cabeça, havia muito sexismo. Então para que os homens pudessem admitir aquela revolução de fazer com que as mulheres fossem monjas e sacerdotes, as primeiras regras diziam que uma monja deveria andar sempre a dois passos atrás de um monge. Que uma monja estava sempre subordinada a um homem, nem que ela tivesse 50 anos de prática e ele tivesse sido ordenado ontem, ela estaria subordinada. Então essas são as regras de 2.500 anos atrás, na Índia.

Já na China, 720 anos depois de Cristo, Pai Chang pegou as regras e escreveu de novo, e esqueceu essas coisas todas. Então o Zen, nos últimos 1.400 anos passou a ter monjas abadessas, mestres, e isso mudou completamente, já há 1.400 anos que o Zen tem esse processo, embora, ainda, o número de monjas seja 1/10 do número de monges, principalmente no oriente. Aqui no ocidente, parece que não é bem o caso. Mas, essa tendência à ortodoxia foi abandonada e ela ficou restrita às escolas que ficaram seguindo essas regras, do que chama-se o “Vinaya " do qual existem várias versões.

O Zen então abandonou o Vinaya indiano, já há um milênio e meio atrás e começou a seguir regras próprias. E também surgiu uma tendência iconoclástica no Zen, bastante forte. Como nos primeiros anos o budismo tornou-se muito estudioso, foi ficando cada vez mais filosófico, cada vez mais profundo, cada vez mais complicado na sua discussão filosófica, então foi acontecendo com ele a mesma coisa que aconteceu em Bizâncio. Quando dizemos assim: “essa é uma discussão bizantina”, é porque em Bizâncio, que é o nome antigo de Constantinopla, que é o nome antigo de Istambul, os teólogos se reuniam e discutiam, diz-se, quantos anjos cabiam na cabeça de um alfinete. E isso parecia uma discussão teológica importante.

Então este tipo de coisa começou a surgir no budismo, por causa do estudo escolástico de grandes estudiosos. E quando Bodhidharma chega na China, ele quebra isso, chega dizendo que a transmissão do Zen é uma transmissão além das palavras e dos textos, diretamente de mestre para discípulo.

E então surgem essas anedotas típicas do Zen, às vezes ultrajantes, como a anedota de que nos mosteiros Zen os textos sagrados, os sutras, ao invés de serem colocados no altar, são colocados em estantes, em outros lugares. E havia um templo onde os textos estavam próximos dos banheiros. E um monge começou a usar os textos para se limpar. O mestre foi informado e chamou o monge. “O que você está fazendo”? E o monge explicou: “Eu descobri que a sabedoria que está nos textos é a sabedoria dos outros, e essa sabedoria é inútil para mim, e então resolvi dar a esses textos que não passam de papel sujo de tinta, uma melhor utilização”.

E o mestre disse: “ah, então você se iluminou! Mas se você tem um traseiro iluminado, use papel limpo!”

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Basta ouvir ensinamentos?



Aluno – No vocabulário Zen, existe a palavra samadhi, que significa concentração. Existe algum foco especial no budismo a respeito da meditação/concentração, ou é apenas uma coincidência?

Monge Genshô – Não, não é coincidência. O Zen budismo se vê como budismo contemplativo, ele enfatiza, e a diferença entre os budismos, é essa, a ênfase. A escola Theravada enfatiza o estudo dos sutras. O budismo Zen enfatiza a prática da meditação, sempre digo que essa prática no Zen deve ser feita em quantidades industriais, mas a mesma coisa acontece na prática do Theravada, pois existe grande similaridade nessa ênfase. 

Embora se diga frequentemente no zen, que as escrituras e os textos são o dedo que aponta para a lua, mas que não são a lua, são mapas para que se possa seguir um caminho. Não são o caminho. São indicações, você tem que trilhar o caminho por seus próprios pés para chegar lá. Não basta ler ou ouvir ensinamentos. Costuma-se dizer no Zen que enquanto nele se falar, ele não estará presente. Quando estávamos calados experimentando a prática da meditação, o Zen estava presente. Agora é só conversa a respeito. 

A palavra chan vem do sânscrito dhyanna que significa meditação, então, o budismo Zen significa o budismo que enfatiza a prática da meditação. Na verdade, no Zen, embora diga-se frequentemente, como acabei de dizer, que os ensinamentos são apenas o mapa, dificilmente você encontrará tantos textos quanto existem sobre o Zen, e os professores estão sempre escrevendo. Aqui, por exemplo, tem um gravador para documentar a palestra. Por quê? Porque acabarão virando texto. Na realidade, existe estudo no Zen e Dogen ZenJi diz que o estudo dos sutras é a base do caminho. Não se chega à outra margem sem saber, e mesmo que Hui Neng seja declarado um patriarca analfabeto, leia seu o texto e você verá quantas citações nele há; ele parece um erudito. Mesmo que ele guardasse de memória por não saber ler, ele ouvia, guardava, sabia citar e raciocinar. Sem esse instrumento não vamos longe. 

A ênfase do Zen é mais do tipo, “não me diga as palavras de Buda, me diga as suas”. É a verdade que você está praticando, e essa é a verdade do Zen, e não as indicações ou os textos. Como você está vivendo, como está sua mente agora, essa é a verdade. Mas existem três portas de acesso: emoção, estudo e ação. São três portas de acesso para o caminho. As pessoas são diferentes, existem pessoas que naturalmente estão preparadas para o caminho intelectual, outras para o caminho da emoção e outras para o caminho da ação. Cada uma deve praticar com a escola mais adequada para o seu coração, para o seu sentimento, devendo praticar naquele lugar com o qual ela sinta que tem conexão. Por isso, é tão importante escolher o seu mestre e sua escola. Nesse sentido, recomendo a vocês o texto de um famoso escritor, o professor Ricardo Sasaki, intitulado A que Escola pertenço. (um toque de humor, o Prof. Sasaki era o anfitrião nesta palestra ministrada em sua Sangha Theravada em BH)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Bodisatva, o ideal do movimento Mahayana



Bodisatva é um termo que surgiu com o budismo Mahayana.
Os ensinamentos de Buda foram coletados no cânon páli, foram escritos no século III a.C, e foram coletados e repetidos oralmente durante muito tempo após a morte de Buda. Esta tradição oral é muito exata porque os sutras eram recitados como poesias, primeiro segmento, segundo segmento, em uma seqüência e essa repetição sempre é circular também. Se uma coisa é afirmada de uma forma, depois é afirmado o seu contrário, de forma a não haver confusão, mudanças naquilo que estava sendo dito. Então esses sutras consolidados e escritos em cânon páli formam o Triptaka, os três cestos. Esses três cestos, são os Sutras, discursos de Buda, depois o Vinaya, as regras para os monges, de comportamento para os monges e terceiro o Abhidharmma ou comentários que  haviam já sido feitos pelos primeiros mestres. Então surge o budismo Mahayana, já um movimento laicizante, levando o budismo para os leigos mais enfáticamente. O budismo Mahayana é um comentário do budismo anterior, do budismo do Triptaka. Então o que sucedeu é que ele começou a enfatizar o foco em libertar os outros seres. Esta é a grande distinção. No budismo dos primeiros tempos o foco era conseguir a minha iluminação, conseguir me aperfeiçoar. O movimento Mahayana é um movimento que diz mais vale abdicar da minha iluminação, da minha retirada completa do mundo para me dedicar aos outros seres por compaixão. Então o bodisatva é o ideal do Mahayana, o ideal da compaixão, por isto os votos do bodisatva que fazemos de manhã são votos paradoxais e dizem: embora os seres sejam inumeráveis eu faço votos de libertá-los todos, mesmo os piores, mesmo os criminosos, mesmo as pessoas mais terríveis. Eu não me iluminarei completamente, eu não abandonarei este mundo de manifestações enquanto houver um ser no inferno, o pior dos criminosos, eu voltarei até resgatar o último, até libertá-lo. Este é o voto do bodisatva. Eu sei que todos os praticantes começam praticando para si mesmos, então não são bodisatvas. Isto surge com o tempo.Todos os praticantes quando chegam querem obter alguma coisa para si mesmos. Esta é a armadilha que o Mahayana pretendia desarmar. O movimento Mahayana, no budismo, via esta postura como egóica, eu quero iluminar a mim mesmo. Agora, algumas pessoas entendem e praticam o Mahayana e quando lêem um texto, principalmente da escola Theravada, que é guardiã do cânon páli e não aceita os sutras Mahayanas, acusam o budismo anterior de Hinayana. Hinayana é uma palavra que quer dizer desprezível ou pequeno e Maha quer dizer grande. Esta é outra visão discriminativa, por que na verdade o Mahayana está contido nas escrituras páli. É mais uma postura sectária,lamentável, o que acontece com esses budistas Mahayanas.
 E do outro lado as escolas anteriores acusam os Mahayanas de terem adotado sutras que na realidade não foram ditos por Buda. São sutras que foram escritos mais tarde por outros professores e ao serem escritos foram sempre sendo atribuídos a Buda, num mesmo formato dos sutras anteriores. Os sutras do Triptaka são sutras muito simples e os sutras Mahayanas começam a ser míticos, com Buda falando para milhares e milhares de praticantes, de iluminados, em um ambiente celestial e com textos cheios de estórias milagrosas ou coisas assim. Eles começaram a aparecer quinhentos anos, após a morte de Buda, no entanto eles são obras muitas vezes lindas e nós temos que saber enxergar isto e evitar as visões sectárias ou errôneas e não nos deixar levar para nenhum dos dois extremos. Se fosse nos tempos de hoje esses textos teriam sido escritos de forma mais simples e seriam assinados por mestres, não seriam atribuídos a Buda como foram. Nós nem sabemos os autores dos sutras Mahayanas porque eles nunca foram assinados, sempre foram atribuídos a Buda.  O budismo de hoje é uma obra coletiva construída através dos tempos por muitos mestres. (Comentário de Monge Genshô)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Textos confiáveis


P. Como seria visto a ficção Matrix no Zen?
R. Bom, naquele filme tem muitas coisas misturadas, elementos Budistas foram usados no primeiro episódio do filme Matrix, principalmente a questão ser um ilusório reproduzido na sua mente, mas estas abordagens podem atrapalhar também porque quando nós misturamos as coisas, coisas boas vem junto com concepções errôneas, temos muitos livros sendo vendidos também nas livrarias que misturam conceitos Budistas com outras coisas e na realidade eu sempre digo é melhor não ler isto porque é difícil distinguir o que está certo do que está errado, vem misturado, então este tipo de espiritualidade perturba, melhor ler mestres comprovados não os livros de auto-ajuda ou coisa assim, é claro que textos como estes que a gente está lendo aqui são mais difíceis do que os livros de auto-ajuda ou os livros escritos assim desta espiritualidade fast-food, espiritualidade rápida, o grande problema é a falta de acuracidade nas afirmações.

P. Então a leitura destes mestres iluminados também dá discernimento para saber o que é certo e o que é errado...
R. Sim, os grandes textos, e eles não são tantos assim e você tem na biblioteca da Sangha textos selecionados e nunca deixo entrar textos duvidosos então você pode ler estes livros sem problemas mesmo quando são autores que não são Budistas, mas são autores sérios, por exemplo, Thomas Merton que nós temos aqui, que era um monge trapista católico ele escreve seriamente sobre espiritualidade...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O zen e as palavras


Aluno – No vocábulo Zen, existe a palavra Chan, que significa concentração. Existe algum foco especial no budismo a respeito da meditação/concentração, ou é apenas uma coincidência?

Monge Gensho – Não, não é coincidência. O Zen budismo se vê como budismo contemplativo, ele enfatiza, e a diferença entre os budismos, é essa a ênfase. A escola Theravada enfatiza o estudo dos sutras, embora meu mestre fale constantemente para eu ler os sutras do Cannon Pali. O budismo Zen enfatiza a prática da meditação, sempre digo que essa prática no Zen deve ser feita em quantidades industriais, mas a mesma coisa acontece na prática do Theravada, pois existe grande similaridade nessa ênfase. Embora se diga frequentemente no budismo, que as escrituras e os textos são o dedo que aponta para a lua, mas que não são a lua, são mapas para que se possa seguir um caminho. Não são o caminho. São indicações, você tem que trilhar o caminho por seus próprios pés para chegar lá. Não basta ler ou ouvir ensinamentos. Costuma-se dizer no Zen que enquanto nele se falar, ele não estará presente. Quando estávamos calados experimentando a prática da meditação, o Zen estava presente. Agora é só conversa a respeito. A palavra chan vem do sânscrito dhyanna que significa meditação, então, o budismo Zen significa o budismo que enfatiza a prática da meditação. Na verdade, no Zen, embora diga-se frequentemente, como acabei de dizer, que os ensinamentos são apenas o mapa, dificilmente você encontrará tantos textos quanto existem sobre o Zen, e os professores estão sempre escrevendo. Aqui, por exemplo, tem um gravador para documentar a palestra, porque Moryama Roshi aconselhou: “grave as palestras”. Por quê? Porque acabarão virando texto. Na realidade, existe estudo no Zen e Dogen Zen Ji diz que o estudo dos sutras é a base do caminho. Não se chega à outra margem sem saber, e mesmo que Hui Neng seja declarado um patriarca analfabeto, leia seu o texto e você verá quantas citações nele há; ele parece um erudito. Mesmo que ele guardasse de memória por não saber ler, ele ouvia, guardava, sabia citar e raciocinar. Sem esse instrumento não vamos longe. A ênfase do Zen é mais do tipo, “não me diga as palavras de Buda, me diga as suas”. É a verdade que você está praticando, e essa é a verdade do Zen, e não as indicações ou os textos. Como você está vivendo, como está sua mente agora, essa é a verdade. Mas existem três portas de acesso: emoção, estudo e ação. São três portas de acesso para o caminho. As pessoas são diferentes, existem pessoas que naturalmente estão preparadas para o caminho intelectual, outras para o caminho da emoção e outras para o caminho da ação. Cada uma deve praticar com a escola mais adequada para o seu coração, para o seu sentimento, devendo praticar naquele lugar com o qual ela sinta que tem conexão. Por isso, é tão importante escolher o seu mestre e sua escola.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Kumarajiva


Introduzido na China no ano 65 d.C., o budismo em breve deixou de ser uma religião exótica de mercadores e monges estrangeiros para começar a criar raízes na sociedade chinesa. Tal implantação só se concretizou graças ao extraordinário e árduo trabalho de uma plêiade de eruditos e abnegados tradutores que verteram os textos sagrados budistas do sânscrito para o chinês. Desse esforço, que se estendeu até o século XII, resultou o Tripitaka Chinês, compartilhado pelos coreanos, japoneses e vietnamitas, povos para os quais chinês literário funciona como uma língua internacional de cultura, tal como era outrora o latim na sociedade ocidental.

As primeiras traduções eram bastante imperfeitas, pois, ao se defrontarem com uma sociedade totalmente diferente da indiana, os tradutores encontraram grandes dificuldades para encontrar na língua chinesa vocábulos adequados para traduzir os termos específicos do budismo. O primeiro método adotado, longe de ser satisfatório, foi o chamado ko-i (kakugi em japonês), que consistia em utilizar o vocabulário técnico do taoísmo, doutrina percebida como próxima do budismo. Kumarajiva foi o primeiro tradutor que conseguiu criar um vocabulário chinês adequado para a transposição dos conceitos budistas, produzindo traduções fiéis aos originais que ainda hoje são utilizadas na China e no Japão.
Trecho de palestra do Rev. Ricardo Mário Gonçalves, íntegra aqui

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Comunicado do CBB sobre o Dharmanet


Devido, infelizmente, a dificuldades particulares dos idealizadores do Dharmanet, o site encontra-se extinto por tempo indeterminado. O material informativo antigo não se encontra ativo em outras fontes, e deverá sofrer revisão, correção e reorganização após as quais ele será disponibilizado no site oficial do CBB (ou no endereço reativado do Dharmanet) assim que possível.

Questões pontuais sobre o buddhismo poderão ser sanadas através do e-mail de contato do Colegiado Buddhista Brasileiro.


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No Dharma,
Diretoria do Colegiado Buddhista Brasileiro
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Paz - Compaixão - Serenidade

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Heresias no zen


Ora , há que considerar que ninguém pode dizer que está falando em nome da posição mahayana em geral, afinal o mahayana é bastante amplo e abrange muitos escolas. Que o movimento mahayana históricamente parece surgir alguns séculos após o surgimento inicial do budismo é coisa largamente documentada.
Que na Índia nunca chegou a atingir posição predominante também, na época da quase completa erradicação do budismo no sec 13 os visitantes declaram que os mahayana eram minoritários na Índia.
O mahayanismo além de fortemente crítico para com as escolas antigas, as quais depreciativamente chamou de hinayana, também passou a produzir vasta cópia de escrituras que atribuiu ao Buda histórico e que leêm suas escolas, entre as quais a minha, a Soto Zen, cujos mais prestigiados sutras são o Lankavatara, o Surangama e os Prajna Paramitta, algumas escolas passaram a declarar que estes ensinamentos foram dados pelo próprio Buda histórico, apenas ficaram escondidos ou secretos porque não eram para todos os alunos devido a sua capacidade. Assim o mahayanismo adquiria uma legitimidade e uma superioridade declaradas. ( que alguém fique revoltado com esta análise fria será produto apenas de seu desejo de proteger uma crença, e também o de que todos devem partilhar de um ponto de vista único) Outras escolas, para que pudessem produzir novos textos e aprofundamentos aceitavam o que seus grandes mestres escreviam dando a estes o título de sutras (caso de Hui Neng no zen) como se o Dharma continuamente se manifestasse e se ampliasse (bonita proposição) e assim aceitando como legítimos estes sutras claramente séculos posteriores ao Cannon do Terceiro Concílio, e ainda outras escolas declaravam (e o tem como artigo de fé) que textos originais, por séculos escondidos ou ocultos, eram descobertos e revelados por mestres, mas que eram originários do próprio Buda original.
Evidentemente, se usamos uma leitura mística, quaisquer destas alegações pode ser adotada, porém o simples entendimento de que o budismo pode ser uma obra coletiva e de transmissão também simplifica as coisas sem que seja necessário dizer que o mahayana não aceita ser classificado como desenvolvimento, esta é uma interpretação, mas existem outras, e como monge de uma escola mahayana prefiro a postura menos mística e o entendimento de que estamos construindo o budismo a cada momento, por isto surgem escolas novas e mestres que ensinam com métodos adaptados a novas situações, que bom que é assim.
É claro, quando se fala assim, logo surgem acusações de heresia, mas no zen isto é até bem visto, o próprio zen, se tivesse surgido no ocidente, seria uma clara heresia...

(Resposta de Monge Genshô em discussão aberta, em lista budista, em 2005)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Origem dos textos budistas


Monges assistem aula de história budista em Yokoji no programa de certificação de professores da SotoShu.

Sobre a declaração de que os textos japoneses e chineses tenham sofrido acréscimos e modificações e os textos de origem tibetana não o tenham há alguns dados a considerar:

Afirmação: "É bom lembrar que as traduções ao chinês e japonês, ao contrário das
traduções ao tibetano e dos originais em sânscrito - muitas vezes foram corrompidas."

Resposta: Os sutras mahayana muitas vezes são textos compósitos, sendo o texto final uma superposição de camadas diferentes de diversas épocas, com aparência diversa, cada sutra individualmente não apresenta necessariamente um todo coerente. Daí surgiram tradições de exposição sendo que estas formaram escolas.. Este surgimento vai do sec 1DC até 600 -700DC.
A linguagem dos primeiros sutras Mahayana é a "MIA" Médio Indo-Ariana, e posteriormente transcritos para o sânscrito , originais sânscritos nem no Triptaka, o sânscrito era lingua morta a este tempo, (foi usado o Páli) foi ressuscitada no período Gupta (320-540 DC) que readotou o sânscrito, língua religiosa, como língua oficial.(Um equivalente moderno ocorre em Israel, a ressurreição do hebraico). As porções sobreviventes sobrevivem num misto MIA/sânscrito, chamado sânscrito budista híbrido, e a prosa explanatória normalmente em sânscrito puro, sugerindo já a interpolação.
O Mahayana não produziu um cânone mas normalmente incluiu o Triptaka aceitando-o. Muitos dos sutras mahayana se auto descrevem como vaipulya (expandido) expansão do ensinamento.
O Mahayana declara que estes sutras foram ensinados em um nível arquetípico e não para todos os seres, assim se declarando um ensinamento superior ao dos sutras do cânone antigo. Há mesmo uma tradição de um Primeiro concílio alternativo presidido pelo Bodisatva Manjusri e que teria ocorrido em um nível arquetípico e no qual Buda os teria recitado em seu tempo histórico, sec 6 AC. Mas a exegese não apoia tal tese fantástica, isto pois há crítica aberta a ensinamentos e prática Hinayana (erroneamente assim chamada) reconhecidamente anterior.
Cerca de 600 sutras Mahayana sobreviveram.
Agora, um sutra como o Sutra do Coração tem evidências de ter sido primeiramente produzido em chinês, e posteriormente traduzido para o sânscrito. É datável de entre 300 a 500 DC, antes da introdução do budismo no Tibete.
Os textos tântricos, caros a tradição tibetana são datáveis entre 500 a 1000 DC.
O Sutra do Lótus situa-se entre 100 AC a 100 DC, é um texto compósito. No capítulo XI um Buda ancestral surge para dizer que o sutra não é novo mas que já foi pregado em épocas passadas.
O Sutra Avatamsaka é longo e compósito também.Teve secções traduzidas para o chinês por Lokaksema no sec II DC, supõe-se ter chegado a forma atual pelo sec IV DC, contém dois sutras que circularam independentemente e sobreviveram no sânscrito o Dasabhumika e o Gandavyuha, baseou a escola Hua-yen.

O budismo tibetano tentou sínteses incorporando todos os sutras, por esta razão sua ênfase nos sastras (comentários) estes recebem primazia nos programas de educação monástica. Uma abordagem diferente da japonesa por exemplo, onde as escolas são em larga medida especialistas. No entanto a tradição tântrica entra aí com contraste introduzindo práticas já presentes na Índia e que foram firmemente recusadas na China por seu conteúdo sexual.
Alguns destes tantras yogini foram indubitavelmente transcritos dos tantras Saivitas e adaptados para propósitos budistas por algum redator.

Há muito mais dados a serem considerados e podem ser encontrados no já abundante material disponível, assim, sabendo as origens e transcrições cruzadas, e o fato de muito do material ter passado anteriormente pelo chinês, (e o sânscrito provir do ressurgimento Gupta), afinal o Tibete só viu o budismo realmente 1200 anos depois de seu surgimento, o alegar de uma superioridade dos textos tibetanos não se sustenta.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Verdade, ciência, budismo


Algumas observações:
Talvez o problema esteja em se supor que existe uma "verdade", (mesmo para o zen em si, nada pode ser declarado do tipo " tenho a verdade", embora alguns budistas fiquem tão convictos de sua escola e conhecimentos que querem impor a outros suas interpretações particulares ou de sua escola) um dos grandes benefícios do método científico foi partir do princípio de que o que a ciência faz é descrever aproximações cada vez mais acuradas dos eventos de maneira a que possam ser criticados por novas observações e assim aperfeiçoados constantemente, isto cria um problema que também aparece várias vezes nos textos que foram postados na lista, o de que a ciência provaria alguma coisa, o que ela pode fazer é provar que uma determinada tese é, a luz das observações possíveis até o momento, bastante acurada, mas certa ou definitivamente provada seria um contrasenso científico, pois isto impediria um novo e mais profundo aperfeiçoamento e ampliado conhecimento.
Seria perigoso que o budismo estivesse alinhado com a ciência de "hoje", e com a de amanhã? O budismo não tem este compromisso, transitou pela história, felizmente, sem defender uma visão em particular e assim evitou este conflito, seu campo de atuação é outro e posso, como budista, descartar qualquer visão particular que tenha algum mestre budista, descrições míticas nada mais são do que isto, e os textos budistas estão cheios de interpolações, os sutras cresceram impressionantemente de tradução em tradução, cada escola acrescentando o que lhe aprouvesse, e muito do que é atribuído a Buda não sobrevive a uma exegese, boa razão para o zen enfatizar a conexão direta e entender os textos como a útil sabedoria "dos outros", Abhidharma, que são comentários com muitas versões diferentes, dependendo da escola, incluso.
Quanto a este assunto Ken Wilber (adorado por uns e detestado por outros) propõe que certos métodos simplesmente não se aplicam a certos temas, por exemplo, o método científico da anatomia é excelente dentro de seu objetivo, porém se aplicado ao estudo da consciência ou do amor é inútil, a maior parte do que se lê de estudos sobre o funcionamento cerebral na meditação tem a profundidade da observação de que os amantes dilatam suas pupilas quando veêm o ser amado, ora, dizer que esta verificação explica o amor é quase uma grosseria, é um fato interessante, mas do âmbito da fisiologia, deve ser usado para estudar a manifestação da emoção em fisiologia, mas não para estudar o amor, coisa que passaria ao quadrante de estudo da psicologia talvez.
Assim o estudo da religião em si está em um quadrante diferente do da ciência exata, é interessante ver suas interconexões mas a teoria dos quadrantes descarta a possibilidade de que , em algum tempo, instrumentos pouco sutis possam examinar o que é pura sutileza. Nada disto descarta a ciência e seus siddhis (poderes) maravilhosos é só que o budismo em si está transitando em outro terreno, o próprio Dalai Lama (como o Rev. Wagner observou, respeitado líder de algumas escolas budistas, não de todas...) usou a afirmação de que se a ciência provasse a inexistência de renascimentos ele aceitaria, mas, ao que me lembre, observou a seguir que duvidava que este tipo de prova fosse acessível ao método científico.
Pessoalmente penso que a questão sequer se coloca, e que o âmbito da ciência tem limites naturais de investigação, do mesmo modo que existem os problemas matemáticos indecidíveis.
Outra coisa: a declaração de que o zen está além dos textos é tradicional, porém acharemos inúmeros textos de mestres zen, livros , estudos etc... a declaração se refere a transmissão última, mas não descarta o estudo, vamos achar em Dogen Zenji, a afirmação de que o estudo dos sutras é essencial à prática. Frequentemente estas declarações sobre o zen são contraditórias e precisam ser lidas em seu contexto, elas formam um quadro completo em que pode-se ver, sim, que o estudo dos textos é necessário, em outras ocasiões um obstáculo e que a transmissão em si está separada de tudo isto, mas que dificilmente alguém chega a ela sem passar pelos passos preliminares. Ou seja, com estudo não se vai longe, mas sem estudo não se vai a lugar algum.
Genshô

(Resposta na lista budismo no ano de 2005)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O Zen é avêsso à lógica?


Praticamente todos os discursos de Buda, os sutras do cânon, são exercícios de lógica, ela é usada extensamente, e muitos dos sutras tem o modelo de perguntas e respostas com argumentações racionais. Em particular, o zen, é bastante avesso a abordagens sobrenaturais. Porém, a essência do caminho, é a experiência, e o texto e argumentação apenas mapas, para ajudar no caminho.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A "posse" do Dharma


Proudhon

P: Como é a história dos textos budistas em relação a autoria?

R: O Dharma (o ensinamento) nunca é vendido, porque não tem preço, nos sutras do cânone jamais consta autoria, apenas a frase: "assim eu ouvi" e depois, as palavras de Buddha. Os sutras posteriores seguem em sua maioria este mesmo modelo, sem serem assinados ou terem sua autoria reivindicada. As primeiras referências regulares de autor surgem na China, 1200 anos após Buddha, e muitas vezes são apócrifas.
Nos tempos modernos, a manifestação de ego tornou-se cada vez mais forte, e os textos vão sendo assinados em benefício dos historiadores e exegetas. No entanto é ainda um padrão que os textos budistas sejam oferecidos para o benefício de todos os seres e permitida a sua reprodução livre, é o padrão que usam os sites ligados a nossa comunidade zen, embora só sejam publicados textos autorizados, todos podem livremente copiar os nossos textos e mesmo as programações, que já são usadas há mais de uma década, para o uso na difusão do Dharma. Ou seja, não passa pela mente dos verdadeiros praticantes budistas defender para si ou outrem a posse ou propriedade do Dharma, ele é dado livremente e se há retribuição esta é espontânea. Evidentemente se reconhece a necessidade de vender livros e materiais vários, porém sempre para o sustento de obras meritórias e não para enriquecimento pessoal.
O âmbito do Dharma é um dos poucos lugares onde vingou a máxima do socialista utópico Proudhon "toda propriedade é um roubo", o Dharma não é posse de ninguém,
pretende libertar todos os seres e não pode ser limitado pelo desejo de lucro próprio.

Agradecemos a G.S. as sugestôes sobre português, perguntas e temas que facilitam o trabalho do redator do Blog. Encorajamos outros leitores assíduos a também colaborarem.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O zen tem o cânone como base?


Sim, o cânone, o Triptaka, reunião das escrituras mais antigas, originalmente registrada em língua Páli,consolidada 300 anos após a morte de Buddha, que tem várias versões e traduções, é básica para o budismo zen. Também usamos muitos sutras posteriores mahayana, como o Sutra do Diamante , (na foto acima) e ainda os escritos de grandes mestres zen.
Porém o zen se considera uma transmissão "mente a mente" além das escrituras, assim essas tem o valor relativo de um mapa, não são o caminho em si, esse cada um tem que trilhar, com o auxílio de um mestre, seguindo os preceitos, cultivando a mente compassiva. É melhor andar do que ser erudito dos textos.