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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O manto e a tigela


Na palestra de ontem falávamos sobre uma mente agradecida e toquei muito rapidamente na sequência dos Mestres na recitação nas cerimonias. Os Mestres e ancestrais são, no Zen, fonte de enorme inspiração, por isso muitas tradições são mantidas através dos tempos.

No tempo de Buda o manto o “kesa”, era feito de retalhos e os mais valorosos eram feitos de tecidos rejeitados. Depois de costurados, eram tingidos de uma única cor e conta a história que o manto de Buda foi tingido de açafrão, por isso o manto Budista é dessa cor de “terra” ou amarelo.

O “kesa” era a única roupa dos monges e eles não poderiam possuir mais do que quatro mantos, dependendo do clima onde morassem. A tigela de mendigar era outro bem permitido aos monges e essa é a origem do Oryoki. Como a Índia era um país rico em alimentos, a mendicância era permitida. Hoje na ordem Soto Zen, mendigar é uma prática feita apenas em alguns dias, no Brasil nunca vi isso ocorrer, mas é uma prática que se remete aos tempos de Buda.

Na China e no Japão a mendicância não é uma prática bem vista e em razão disso houve uma adaptação. Uma das adaptações foi a construção de mosteiros e em seguida os monges começaram a cultivar a terra e produzir sua própria comida. Nos tempos de Buda aos monges não era permitido trabalhar, nem mesmo lavrar a terra, não poderiam exercer nenhuma atividade produtiva e deveriam ser sustentados pela Sangha.

Na China o Budismo transformou-se em monástico e cenobítico, ou seja, vivia-se em comunidades. Havia o monastério, o Mestre estava lá e os praticantes se reuniam à sua volta. O monastério era de certa forma auto suficiente. Uma crítica que o Budismo do sul da Ásia faz ao Budismo do norte e do extremo oriente é de que os Monges não são dependentes da Sangha e com isso ficam mais distantes dela. Os Monges do tempo de Buda viviam de maneira simbiótica com a Sangha e se esta não os sustentassem, eles morreriam.