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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Preceitos (parte 01)






A prática da meditação necessariamente leva a pessoa a ter um comportamento mais moral, mais ético?

Monge Genshô: não. Se ela levasse sozinha, não haveria a listagem dos preceitos. Então, os leigos são instados a seguir 5 preceitos: não matar, não roubar, não enganar, não usar sua sexualidade de modo a causar sofrimento, não usar substâncias que alterem a consciência. Esses cinco já são bastante difíceis. Vejamos:

i) não matar: é bem amplo, pois implica em não matar todos os seres, e existem certos limites, condições em que se tem que optar. Por exemplo, há situações em que você tem epidemias de mosquitos. É necessário resolver o problema, porque existe hierarquia entre os seres, seres mais valiosos, menos valiosos. Quando você toma antibiótico, você mata bilhões de bactérias, e isso é correto. Então temos que seguir uma linha de respeito. É o que quer dizer ‘não matar’. Por isso é que muitos budistas acabam se tornando vegetarianos, porque querem ser compassivos com outros seres, não querem participar do que ocorre nos matadouros.

ii) não roubar: significa não pegar nada que não lhe foi dado espontaneamente. Isso engloba todas as formas de corrupção, de desvio, de se aproveitar dos outros;

iii) não enganar: significa não enganar os outros, não mentir. Mas existem momentos em que dizer a verdade em hora imprópria é muito ruim. Deve-se prestar atenção no sofrimento que se está causando. Dizer a verdade não é sair por aí dizendo: "ah, eu sei disso, eu sei daquilo". Isso não importa.

iv) não usar sua sexualidade de modo a causar sofrimento: há 2.500 anos o Budismo não faz distinção entre homens, mulheres, homossexuais, heterossexuais, transsexuais, etc. Todos podem ser monges. Contudo, quando são Monges, a primeira regra é a abstinência. 

v)  não usar substâncias que alterem a consciência: não usar nada que prejudique a sua clareza e lucidez. Não se embebedar, não usar nenhuma substância que lhe deixe sem entendimento.


(CONTINUA)