Mostrando postagens com marcador máscaras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador máscaras. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de março de 2016

Estamos num baile à fantasia




Aluno: Parece que há um esforço para aniquilar o “eu”, é isso?
Monge Genshô - Nós não pretendemos aniquilar nosso eu, não é isso; nós precisamos do eu para andar neste mundo. A comparação que eu costumo fazer é com a máscara. Eu estou usando a máscara de monge, a máscara de monge quer dizer raspar a cabeça, usar roupas de monge, ter vida de monge, aí você coloca máscara de monge. Este eu é necessário, eu preciso dele para viver, estar aqui, agir, e cada um de vocês precisa de um eu para trabalhar, para relacionar-se, para amar e tudo mais. O que nós precisamos entender é que se trata de um baile à fantasia, aí você coloca uma máscara e vai lá para aquele baile. Semana que vem eu vou para Maringá, eu tenho um trabalho de consultoria numa empresa lá. Eu chego lá e coloco a máscara de consultor, eu não sou mais monge Genshô, nem Sensei, eu sou Senhor Chalegre. Aqui a gente ensina para não ter opiniões, lá eu vendo opiniões, é outra máscara, mas eu tenho que saber que é outra fantasia, não é real, é uma fantasia que eu visto.(continua)

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Desconstruindo Egos

Pergunta: O senhor pode falar um pouco sobre a construção e a desconstrução do ego?

Monge Genshô: O ego, o “eu” são fabricados, nós os construímos e precisamos muito deles. Às vezes as pessoas dizem, “mas o senhor quer desconstruir o “eu” e como vou viver sem meu eu?”. Isto está completamente errado. Você precisa muito do seu eu, às vezes nós precisamos até de mais de um eu.

Eu carrego 2 cartões de apresentação: um diz: “Petrucio Chalegre, Prajna Consultoria, Diretor”, e então eu o entrego para as pessoas que querem falar com um consultor e falam com um consultor, e quando estou falando como um consultor, não sei onde está o monge. E eu tenho outro cartão que diz: “Monge Genshô, Monge Zen Budista, Comunidade Zen Budista de Florianópolis”, e este então eu entrego para outras pessoas. Isso cria algumas confusões porque as pessoas me ligam no celular e dizem: “quem fala?”. Elas deveriam, na verdade dizer: “eu sou fulano de tal quero falar com tal pessoa”.  E quando eu pergunto “com quem quer falar?”, e eles perguntam se é da Comunidade Zen, eu pego a máscara de monge, coloco-a, e digo, “sim, sim eu sou o monge Genshô”, e automaticamente eu fico assim mais amigável. Mas se a pessoa diz: “aqui é da empresa tal, queremos falar sobre um projeto”, então eu digo: “pois não, sou Petrucio Chalegre, o senhor já acessou o meu site? E minha voz fica automaticamente mais incisiva.

Se você perguntar assim: “Quem você é?”, eu sou a pessoa que for necessária dentro de uma circunstância. Em casa há outras máscaras, às vezes uso a máscara do pai e dou uma bronca no filho; ou estou com a minha esposa e ela diz, você não vai sair com este sapato, coloca esta meia, coloca este sapato , esta camisa não, tira esta camisa, dai eu protesto, reclamo, mas obedeço, então sou o marido e este é o personagem do marido. E quando chegamos na sangha ela diz: “Senhor Monge, o que que eu faço?”. Aí é o monge, é outra pessoa. 

Enfim, o que quero dizer é que nós somos muitos "eus" diferentes, muitos egos diferentes e todos são construídos e deveríamos olhar para eles com este olhar irônico de quem veste uma fantasia. “Ah, vesti esta fantasia, e agora aquela outra e aquela outra”.

 Mas se você perguntar: Quem é você de verdade? De verdade? Nenhum deles. Nossa verdadeira natureza é outra coisa, é o que temos que descobrir aqui, nossa NATUREZA BÚDICA, desperta, que olha todas estas coisas da vida como um jogo, com ironia, vendo com clareza como é, como  as coisas são todas construídas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Angústia


Kanzeon, bodisatva da compaixão, Mosteiro de Yokoji/ 2010.

P: Estou lhe escrevendo apenas nos momentos de angústia e desespero, peço desculpas desde já. O caminho não está sendo fácil, até hoje tudo que eu tinha passado era apenas uma repetição, dia a dia (acordo, medito, vou trabalhar, estudo, medito novamente e durmo), mais hoje foi um dia especial, acabei ultrapassando meu tempo de
meditação, o que me deixou irritada (não sei o motivo), fui trabalhar e a sensação de angústia e medo me tomaram novamente, como se as minhas máscaras tivessem caído e a sensação de não existência foi horrível, como se estivesse entrado num estado de depressão, acho que estou entrando... não estou legal, tem sido muito difícil para mim me ver só, hoje a dor está insuportável. Realmente não sei o que está ocorrendo comigo, peço-lhe auxílio.

R: Na realidade isto mostra um momento de grande oportunidade na prática. Eu o vivi e ele foi tão assustador que parei de meditar durante dois meses.
Quando o relatei a um professor ele disse: - Perdeu grande oportunidade!
Nesta hora você devia descobrir de onde vem este medo!
Na realidade é nosso eu fabricado que tem receio de ser destruído, quer manter suas máscaras, como bem disseste, mas logo ali, após a sua destruição, há uma grande felicidade, uma descoberta de que somos muito mais do que pensáramos. Nesta hora você tem que morrer sinceramente, mergulhar até o fundo, sentar e não levantar como Buda, dizendo que vai vencer esta batalha contra seu maior inimigo, seu próprio eu que quer sobreviver no engano.
Você é a própria unidade, esta é a hora de mergulhar nela, sendo una com ela, em lugar de separada, pequena e solitária. Se for muito difícil, visualize o Buda em pessoa a sua frente e deixe que ele tome com a mão sua mão e a conduza para um lugar puramente luminoso. Lá esta imagem desaparecerá e você apenas se deixe envolver na luminosidade calorosa e plena, onde não há mais nenhuma forma de solidão.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Devo eliminar meu eu?


R: Você precisa do seu eu para transitar neste mundo, não tente elimina-lo. Use-o. Para ir a um baile à fantasia também usamos máscaras, é a maneira de entrar, de poder participar, mas sua máscara não é sua verdadeira natureza, é um eu temporário, como o que temos no mundo desde que nossos pais nos deram um nome.
Apenas quando voltar para casa não imagine que seu eu é você mesmo, ele é apenas uma identidade de que você precisa para operar no mundo.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Por quê tememos a morte?

Primeiro a morte só existe porque existe nascimento, quem tem medo dela é seu eu, este produto da atividade mental, que quer permanecer para sempre. Segundo, já estamos sós agora, se acreditarmos em nosso eu, como ficar mais sozinho do que olhando os outros através das fendas dos olhos? Para deixar de sentir este medo você precisa descobrir quem você é por trás desta sensação ilusória de eu, esta máscara que você está vestindo agora.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Medo de meditar

Algumas pessoas escrevem sobre o medo de se sentar em meditação. Na verdade esse é um receio do próprio ego que não quer ser confrontado com sua realidade ilusória. Na meditação esse medo é o de que haja uma aniquilação de um si mesmo a que nos agarramos. Quando isso surge deve-se permanecer em meditação e se perguntar de onde vem isso. As identidades não precisam morrer, elas são máscaras que usamos para transitar por esse mundo convencional. Mas há dentro de nós uma natureza verdadeira, e ela não está sujeita a nascimento e morte. O que precisamos ver é esta natureza que está além das manifestações temporárias, evanescentes, da vida em que estamos mergulhados. Atingido isso não há medo, e surge uma alegria permanente e calma.