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segunda-feira, 19 de março de 2012

Planejar


P. Seria a atenção plena? Por exemplo, se eu vou trabalhar apenas sento e trabalho junto com as metas estipuladas, isto vai estar incluso...

Monge Genshô: Quando a gente consegue isto é maravilhoso, porque você diz agora eu vou ler o livro, então leia o livro. Quinze anos atrás quando eu comecei a trabalhar com consultoria eu tinha um mau hábito, entrava num avião para visitar um cliente e pensava: vou chegar lá este cliente vai ter este problema, fulano de tal quer assim e ficava pensando, e quando eu chegava não era bem assim, tinham surgido novos problemas, diferentes e alguns que eu tinha imaginado nem existiam, isto era uma grande bobagem que eu estava fazendo, então comecei a ensinar os meus consultores para fazer assim, eles sentam comigo no avião e perguntam:...nós vamos para tal lugar e como é que vai ser, digo: isto nós vamos ver quando a gente chegar lá, agora, nós estamos viajando, vamos conversar sobre coisas boas, sobre a vida, sobre literatura, o problema do trabalho quando a gente botar o pé lá dentro alguém vai nos dizer, aí sim, coloque o papel em cima da mesa e comece a anotar o problema até que ele apareça e às vezes a gente olha e não entende o problema, é muito complexo, tanto que a empresa não está conseguindo resolver e chama um consultor. Qual é a solução disto? Não sei, por enquanto nós estamos recebendo informações então vamos receber mais, mais informações, é como um mosaico numa parede você vai colocando peças, não estou enxergando nada, não tem problema, vamos colocando mais peças, mais informações, daqui a pouco começa a gente a desconfiar o que está atrás daquele mosaico, é preciso peças suficientes para resolver um problema, então não adianta se preocupar, ficar ansioso com o fato, é como as palestras, não tem que pensar nas palestras, a gente senta e diz: tem um tema para palestra aí começa, naturalmente você está impregnado do Dharma a palestra sai naturalmente, agora se você planejar e escrever aí a palestra é chata, mas se houver interação com as pessoas vão surgir as perguntas, depende do que surge e naturalmente vai sair bem, então a regra para palestra do Dharma é não prepare, se você preparar então você não está preparado.


P. Mas não tem que ter pelo menos um roteiro?

MG: Na realidade tem um texto a ser comentado como hoje, mas não é preciso isto também. Estou falando de palestras do Dharma, se eu vou fazer uma palestra como consultor aí tem que ter power point (risos) aí é diferente...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Metas


P. É tão importante aqui, agora, eu relacionar o passado que passou e o futuro que é incerto então eu determinar metas, por exemplo, minha vida não vai ser pensar no futuro ou ficar com a cabeça em algo que não aconteceu?

Monge Genshô: Nós temos que saber o que é operar no mundo, o que é identidade e coisas assim. A gente ensina que a nossa identidade é ilusória, mas você não vai operar no mundo sem identidade então você tem que vestir sua identidade, só tem que saber que é ilusão, não pode dar muito valor para ela, outra coisa, metas são ferramentas e você não vai ter uma empresa funcionando ou seu trabalho se não tiver uma meta, mesmo um monge se vai fazer uma escultura de Buddha ele tem que ter a meta de terminar a escultura e tem que ter disciplina de fazer aquilo de uma determinada forma, isto são operações no mundo e tem visão de futuro? Sim, tem visão, você tem que operar com dinheiro? Tem, ou uma Sangha vai viver sem dinheiro? Não. Vai ter comida no sesshin sem contribuição? Não vai ter. Natural, então você tem que saber operar no mundo, mas sabendo que é um jogo, que é um jogo quando não der certo não deu, como disse um mestre quando queimou um templo, telefonaram para ele e disseram: mestre o templo pegou fogo, incendiou e pegou fogo na biblioteca e ele respondeu as coisas são assim, as coisas queimam.


P. Agora no dia a dia, na questão de um planejamento, e eu estou aqui agora e agora vou me planejar para fazer tal coisa e decidir aquilo...

R. Aqui no sesshin não, mas na vida sim, nós tínhamos um problema na nossa casa, a minha esposa costumava todos os dias deitar e dizer amanhã a gente tem que fazer isto, tem que fazer aquilo, assim não dá. Levanta agora, pega a caneta e escreve o que nós vamos fazer amanhã porque agora vamos dormir, amanhã é amanhã eu não sei se vou morrer hoje de noite dormindo, o que adianta ? Vá agora e está resolvido o problema de amanhã. Agora, isto são hábitos, são hábitos que a gente tem que criar para conseguir ser mais livre de mente. Não é que não seja necessário ter a agenda de amanhã. Imaginem, eu sou consultor, tenho empresa de consultoria, tenho consultores trabalhando, tem agenda de viagem de um e de outro, tem que agendar e cumprir as agendas, não deu certo, não deu, deu certo deu, que bom, então no fundo você faz as mesmas coisas, mas com muito menos ansiedade, é só uma questão de como você olha, como você olha os acontecimentos e os hábitos que você faz...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Algumas pessoas me dizem que não "temos" obrigação na vida de fazer alguma coisa e que temos que parar de "ter" que fazer coisas.


Na hora de meditar nada cogitar, voltar ao momento presente. Na hora de planejar fazer sua agenda. Na hora de fazer as tarefas faze-las inteira e concentradamente. Dizer que não temos que fazer as coisas que a vida nos pede é afirmação de quem não entendeu que a vida é para ser vivida plenamente, no que tem de maravilhoso e no que tem de nossas obrigações para com os outros e a sociedade. Um monge tem muitas tarefas e obrigações, mesmo a de responder perguntas, não pode se furtar a isto, mas na hora de ir passear apenas passeia não fica pensando no futuro...