quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Anatman
Pergunta – O mundo sem forma é uma manifestação de pura consciência. Mas o Budismo sendo anatman, qual seria a diferença entre atman e a consciência?
Monge Genshô – A diferença é a noção de um “eu”. Para o Budismo a vida é uma sucessão de momentos de consciência. Não existe um ser que carrega uma consciência continua, é como num filme, você tem um quadro que é um momento, outro quadro que é outro momento e assim sucessivamente num total de vinte e quatro quadros por segundo no cinema e vinte e cinco na televisão. Essa sucessão de quadros, um após o outro, faz com que tenhamos a sensação de continuidade, não parece que temos um quadro após o outro e sim que há movimento ou continuidade.
Isso que tomamos como nossa consciência não passa de uma sucessão de consciências uma após a outra, mas não percebemos a descontinuidade disso. Estamos presos na ilusão de sucessões de momentos de consciência. A memória é que nos informa sobre os momentos de consciência e estrutura nosso “eu” e então pensamos “eu sou”.
Evidentemente se o carma prossegue e se manifesta numa outra vida, existe uma coesão que une um carma e a isso às vezes chamamos “consciência” no Budismo, mas não é a consciência de um “eu”.
Existe um quantum que irá se manifestar, uma coesão, mas você não pode dizer “sou eu”. É você, mas não é você. O “eu” não está ali e, apesar de existir algo que continua, esse não é um “eu”, pois um “eu” não pode continuar. Isso é o que significa “anatman”, não há uma partícula eterna que carrega outras coisas. É o próprio movimento que faz os acontecimentos, é o carma se movimentando que gera uma manifestação que diz “eu sou”, isso é “anatman”, não eu.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Instituição no zen

Vista de terreno doado para construção de um monastério em Florianópolis.
Sempre tivemos uma natural divisão entre os que se ligam a instituição e os que seguem caminhos independentes, históricamente, no entanto, são as instituições que trouxeram o budismo até os dias de hoje, preservando os textos, transmitindo, impedindo os mais variados exageros, mas com o peso natural de suas burocracias e autoridades.
Os centros do Dharma em si, também são instituições. E vemos os benefícios de suas paredes, biblioteca e evidentemente sua organização.
Pessoalmente não vejo um bom caminho senão na vinculação com uma instituição séria, e no procurar os que foram bem formados dentro dela, minha experiência com grupos mais independentes e caóticos não foi boa, são justamente neles que se estabelecem as mais acirradas lutas por poder e a falta de diretrizes básicas acaba criando situações tristes e quebra dos preceitos.
Uma leitura caótica dos textos pode induzir a uma crença libertária sobre o budismo, no entanto os grandes mestres fundaram mosteiros, preservaram a ordem e a hierarquia e ainda escreveram muito.
Infelizmente lemos textos não originais e praticamente ninguém leu o Vinaya Pitaka.
Acho o debate interessante mas já resolvido pelo zen budismo, cuja tradição narra que no seu primeiro Concílio, foi Mahakasyapa escolhido como Primeiro Patriarca, e o zen preserva a linhagem e a recita justamente para que a legitimação e a instituição seja preservada. Buda também esmerou-se na criação do Vinaya, expulsando da ordem os que não aceitavam as regras, isto era chamado de Prajika, ou seja " derrota", quando não conseguimos seguir a ordem e as regras isto significa que fomos derrotados no caminho. É uma história de 2 600 anos, não imagino que discutiremos uma caminho consolidado a tanto tempo, mas, é claro, visões diferentes são naturais, muitas vezes já ocorreram, apenas não sobreviveram a prova do tempo.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
Dalai Lama afirma que seu sucessor pode ser uma mulher.
06 de Dezembro de 2007 | 12:02 (Veja on Line)
O Dalai Lama – chefe espiritual do budismo tibetano – afirmou nesta quinta-feira, em Milão, na Itália, que seu sucessor pode ser uma mulher, lembrando que "homens e mulheres têm os mesmos direitos" para a religião. "Se uma mulher se revelar mais útil, o Lama [Buda] poderá muito bem encarnar sob essa forma", disse, segundo a agência de notícias AFP.
O Dalai Lama chegou nesta quarta-feira a Milão, procedente da Índia, para uma visita de dois dias. Não está prevista qualquer reunião oficial com os dirigentes do governo italiano do primeiro-ministro Romano Prodi.
O encontro com o papa Bento XVI, inicialmente anunciado por uma autoridade vaticana, foi cancelado. Segundo algumas fontes, a decisão do papa de não receber o Dalai Lama teria facilitado a ordenação, na terça-feira, em Cantão, na China, de um novo bispo da igreja oficial chinesa, monsenhor Joseph Gan Junqiu, com aprovação do Vaticano. Um encontro entre Bento XVI e o Dalai Lama não seria bem vista pelas autoridades chinesas.
O conflito entre Pequim e o Dalai Lama tem origem na invasão do Tibet pelos comunistas chineses em 1959. Desde então, o líder religioso se exilou na Índia e cobra autonomia do Tibet junto aos chineses. Recentemente, ele disse que, caso venha a morrer no exílio, elegerá seu sucessor fora do Tibet. Ele também falou da hipótese da possível eleição de um novo líder espiritual budista antes de sua morte.
