Mostrando postagens com marcador mulher. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mulher. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Auto-responsabilidade para viver



No budismo o que nós pensamos é: você tem que resolver a paixão dentro de você, se você resolver as paixões dentro de você nada vai acontecer. Vem um mestre no caminho com seus discípulos e surge uma mulher à frente - estamos numa época medieval em que as mulheres eram desconsideradas. O mestre viu a mulher, ajoelhou-se no chão e fez uma prostração para ela, e os discípulos reagiram: “Mas o que é isso? Por que o senhor está fazendo uma prostração para uma mulher?”. E ele disse: “É porque delas é que saem todos os budas”.
Então na realidade é só uma questão de olhar... como você olha? Nós só podemos enxergar o Nirvana se existir o Samsara? Não. Nirvana não depende de Samsara para existir. Nirvana é apenas a denominação de um mundo onde não se é arrastado pelas paixões, é só isto.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O mito do nascimento milagroso


6) Há  outros casos de nascimentos milagrosos?

Monge Genshô: Muitos. É recorrente na história da humanidade, não é um mito cristão. Joseph Campbell analisa muito bem isto, "o homem histórico é tomado pelo mito",  vai mostrando e fazendo os paralelos. Nas histórias sobre Buda isto também apareceu e alguns mestres principalmente da nossa escola, escreveram biografias de Buda depuradas, identificando “o quê” deve ser verdade nisto ou naquilo. Que ele nasceu numa situação boa, que viveu na classe dos xátrias, que era governante e portanto tinha poder, qual era a vida dos governantes, etc.

“Aos vinte e nove anos ele partiu”. Vamos desconstruir este, que é um dos mitos de Buda: vocês lembram que quando Buda saiu do palácio ele viu um homem morto e então ele pergunta para o seu ajudante que o guiava –“o que é isto”? “Isto é um homem morto”. Então ele continua: “Todos nós vamos morrer um dia”? Ora, um homem de vinte e nove anos que teve treinamento como guerreiro e que era de uma inteligência brilhante que nós vemos nos sutras, filósofo, incrível nos debates, imbatível, raciocínio agudíssimo, sofisticado, seria, aos vinte e nove anos, um indivíduo que tinha que fazer esta pergunta?

Então esta história, de que Buda viu um morto, um velho, um doente e um monge, o que é? É uma representação mítica do fato de que Buda, aos vinte nove anos pensando na morte, na velhice, na doença e na realização espiritual, angustiou-se com tais questões e as queria resolver porque tinha um grande sofrimento espiritual e, por isto, resolve sair do palácio e seguir o caminho que ele havia visto nos olhos de um monge que tinha um rosto pacificado.

É evidente que esta história está por trás da mitologização, da representação bonita da história, só para dar um exemplo para vocês do tratamento Zen para isto.

Tem uma célebre declaração de um mestre Zen em que alguém diz para ele: “Ah, Buda nasceu e saiu caminhando e a cada passo nasciam flores, apontou para o céu e disse que entre o céu e a terra ele seria o mais honrado”. O mestre Zen olhou para quem estava contando a história e disse: “Pois se eu estivesse lá naquela hora, eu o teria matado a pauladas”. (risos)

 Aluno - Mas esta questão dele talvez ser superprotegido pelo pai... será que não houve? Será que é só mítico?

Monge Genshô: Para que serve o mito? O mito serve para enfatizar, para tornar simbólico, para magnificar o fato, para teatralizar o fato.

7) E Sidharta Gautama era o nome deste que se tornou Buda?

Monge Genshô: Você está muito correto, nós não dizemos Buda para Sidharta Gautama, Sidharta é o homem que está muito angustiado, cheio de problemas, deixa a mulher e o filho e vai embora, abandona a família, agora este é um ato de Buda? Não, este é um ato de Sidharta. Ele vai se iluminar seis anos depois e vocês querem se iluminar num sesshin (retiro) de 3 dias.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O sofrimento é um atalho



Não podemos minimizar o efeito de uma boa meditação de quarenta minutos, que é tempo que um praticante mais maduro deve fazer. Então essa prática para a vida diária vai mudando essas questões do que alcançar. Sentir que não alcançou nada também já é muito bom. Porque um dos grandes problemas de quem começa a praticar é pensar que atingiu algo, ele senta-se e pensa – Ah, eu adquiri serenidade – ou – Que bom, eu pratico meditação e sou mais sereno, sou mais “zen” – como se diz na gíria. Há até quem se ache iluminado.  Mas isso não tem nada a ver com o zen. Sentar-se e adquirir serenidade é uma prática que poder ser feita de muitas formas e não precisa, em absoluto, ter um objetivo espiritual. A serenidade é apenas um subproduto do sentar-se quieto em meditação, nada mais que isso. É como muita prática de ioga que se faz hoje em dia e transforma-se em ginástica simplesmente, mas que não tem objetivos espirituais, é mera busca de poder e prazer, a ioga com objetivos espirituais é outra coisa.

Então o primeiro que os alunos fazem quando se apresentam é sentar para meditar. Se você não ficar sentado quieto quarenta minutos não vai ouvir nenhum ensinamento, e se não voltar não tem problemas, porque o Zen não é para curiosos nem para pessoas que esperam resultados instantâneos ou uma panacéia, o Zen é para pessoas com a cabeça em chamas. Então tem que haver angústia, porque só a angústia existencial mobilizou Buda para prática, porque estava angustiado largou mulher, filho e foi para o meio da floresta e treinou, só por isso. Então é necessária a angústia, a inquietude e o desejo de se libertar. Por isso esse sofrimento é um atalho para a realização espiritual. E um corpo humano é a grande oportunidade, porque os homens tem as duas coisas, prazeres e dores.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A dor do outro


(continuação)
Muitos sistemas religiosos têm a noção de que só os homens têm almas e todos os outros seres não têm. Dias atrás, uma entidade pediu um habeas corpus para um chipanzé que estava preso numa pequena jaula num zoológico de Niterói. O que eles pediram foi um habeas corpus para que esse chipanzé pudesse ir para um lugar aberto, onde há outros de sua espécie, ainda uma prisão. Mas o habeas corpus foi negado, porque o chimpanzé não é um ser humano e nossas leis foram criadas para seres humanos. Talvez pudéssemos ir com uma criança até o zoológico e mostrar os chipanzés trancados em uma jaula com barras de ferro e chão de cimento e a criança nos perguntaria: “Pai, que foi que ele fez, por que ele está preso?” Nós não saberíamos responder. Nossa consciência com relação aos outros seres é muito estreita.
Agora Brasil e Argentina (2011) estão discutindo sobre questões de importações e exportações. Um país restringiu as exportações do outro, então o outro restringiu as exportações do primeiro. Nós sabemos que em economia quando o comercio é livre há progresso para ambos os lados, pois ambos podem vender aquilo em que são mais competitivos. Mas se um começa a querer obter vantagens maiores e começa a haver retaliações, é como aquelas mãos que começam a pedir vingança - “me dê o martelo de volta”. Esse é um caso pequeno, mas típico.
 Nós pensamos em nações, pensamos em seres humanos; é freqüente vermos discussões na nossa espécie entre homens e mulheres querendo saber quem é superior ou inferior. E a nossa espécie olha os seres das outras espécies como se fossem seres não dignos, achamos que podemos colocá-los em jaulas, podemos levá-los para matadouros e matá-los, comer seus pedaços. E se for possível ter uma iguaria mais fina, como um fígado doente, por exemplo, o de um ganso, como é o caso do foie gras. Esse ganso pode ser torturado para que fique doente. Seu fígado incha e fica cheio de gordura e assim mais saboroso para os homens comerem. Não é interessante nossa conduta? É muito interessante, mas ela parte toda da mesma noção, da mesma raiz. Eu, eu sou separado. A dor do outro não tem nada a ver comigo.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Dalai Lama afirma que seu sucessor pode ser uma mulher.

Dalai Lama
06 de Dezembro de 2007 | 12:02 (Veja on Line)

O Dalai Lama – chefe espiritual do budismo tibetano – afirmou nesta quinta-feira, em Milão, na Itália, que seu sucessor pode ser uma mulher, lembrando que "homens e mulheres têm os mesmos direitos" para a religião. "Se uma mulher se revelar mais útil, o Lama [Buda] poderá muito bem encarnar sob essa forma", disse, segundo a agência de notícias AFP.

O Dalai Lama chegou nesta quarta-feira a Milão, procedente da Índia, para uma visita de dois dias. Não está prevista qualquer reunião oficial com os dirigentes do governo italiano do primeiro-ministro Romano Prodi.

O encontro com o papa Bento XVI, inicialmente anunciado por uma autoridade vaticana, foi cancelado. Segundo algumas fontes, a decisão do papa de não receber o Dalai Lama teria facilitado a ordenação, na terça-feira, em Cantão, na China, de um novo bispo da igreja oficial chinesa, monsenhor Joseph Gan Junqiu, com aprovação do Vaticano. Um encontro entre Bento XVI e o Dalai Lama não seria bem vista pelas autoridades chinesas.

O conflito entre Pequim e o Dalai Lama tem origem na invasão do Tibet pelos comunistas chineses em 1959. Desde então, o líder religioso se exilou na Índia e cobra autonomia do Tibet junto aos chineses. Recentemente, ele disse que, caso venha a morrer no exílio, elegerá seu sucessor fora do Tibet. Ele também falou da hipótese da possível eleição de um novo líder espiritual budista antes de sua morte.