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sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Dê um passo de cada vez
Pergunta – O senhor falou sobre o Dharma e confesso que ainda não encontrei verdadeiramente esse caminho. De onde tirar forças para não perder a esperança?
Monge Genshô – Não se preocupe em ter forças seja para alcançar algo ou para continuar no caminho. O melhor é não ter objetivos. Agora temos duas pessoas indo para o Japão para um período de treinamentos e eu sei que é difícil se manter estimulado a continuar. O segredo é não pensar no dia de amanhã e viver só por hoje, pensar, “Só hoje até o fim do dia irei tentar ficar”. Se acontecer um erro, não há problema, errar é normal, não devo exigir demais de mim e muito menos ter grandes esperanças. Apenas aceite o momento. Para andar na vida, não pense em ser forte, apenas dê um passo de cada vez. É como quando estamos em retiro e começamos uma sessão de Zazen. Se ficarmos pensando em todos os Zazen que teremos pela frente, que em geral são doze em um dia de retiro, nossa mente pode não suportar. Devemos pensar, “Vou ficar sentado até tocar o sino e terminar esse Zazen”. Quando você faz assim, rapidamente chega o final do retiro e a sensação muda, você quer que continue, não deseja mais ir embora. Não se preocupe em ter forças, apenas dê um passo de cada vez.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Tudo é a primeira vez
Final da palestra de Saikawa Roshi (2005)
"Que maravilhoso é viver nesta unidade, sem mudanças, mas ao mesmo tempo ver que as coisas condicionadas mudam momento a momento. Quando chegamos em Porto Alegre, alguém me perguntou: “É sua primeira vez em Porto Alegre?”, respondi, “Sim”, mas eu estava rindo dentro de minha mente porque tudo é a primeira vez, sempre, tudo é a primeira vez. Isso significa que não se pode comparar nada. Nossa vida é uma flor de um caleidoscópio, e em um caleidoscópio muitas flores aparecem quando nós o rodamos, assim como eu gosto dessa flor antes de girar, isso é uma delusão de minha atividade mental, comparando o passado com a nova flor que aparece. É impossível pôr passado e futuro na mesma mesa, porque toda experiência surge pela primeira vez e não pode ser comparada com o passado, tudo é a primeira vez.
Nesta unidade além da delusão e da iluminação é que nossa vida existe. A flor que se forma no caleidoscópio é pequena em um caleidoscópio tão grande, e a mesma flor surgindo de novo, não pode ser comparada à flor de ontem, não se pode dizer “ontem foi bom e hoje está triste”, essa comparação é uma delusão na sua mente. Cada momento é tão fresco, nunca voltará de novo na história de todo o universo, cada coisa, um momento. Nossa vida existe nessa vacuidade, nessa sacralidade. Assim, com essa verdade é que Shakyamuni disse: “quero salvar todos os seres mas não posso encontrá-los”, porque vocês são o mesmo que Shakyamuni Buda, parabéns. " Saikawa Roshi
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