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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O carma de Nagarjuna é de todos nós


Pergunta – Ontem na palestra o senhor deu ensinamentos sobre Buda-Carma, sobre as escolhas, e se não me engano o senhor respondeu com a questão da sabedoria. Eu entendo que quanto mais sabedoria você buscar, mais clareza e menos sofrimento você pode ter. Mas, e o medo? O medo e a preocupação, pois se estamos aqui, temos a preocupação de mudarmos a nós mesmos, isso é uma preocupação, e às vezes a pessoa pode ficar um pouco perturbada em tentar fazer sempre o melhor ou encontrar uma sabedoria que resulte em escolhas mais corretas, mas há esse medo do medo?

Não há que ser perfeito. Não tente. Seja o que você é, um homem comete erros, um homem se engana, na verdade, nós ao tentarmos seguir algum modelo, ficaremos infelizes. Nós temos que fazer a nossa prática de sempre esquecer o passado. O erro do passado é sempre esquecido, agora vou fazer assim, melhor, porque produz menos sofrimento, mais felicidade para mim e para os outros seres.

Eu só estou andando, e a vida se mostra a cada passo. Não tente caminhar e ser perfeito. Não tente ser santo, tente ser só um Bodhisattva, mas um Bodhisattva tem outra visão do mundo. 

Nagarjuna foi assassinado, ele era um grande Mestre do século I ou II DC. Os seus discípulos o encontraram esfaqueado, e perguntaram a ele: “quem fez isso”? E ele disse: “eu mesmo”. E os alunos disseram que sabiam que não fora ele que se esfaqueou, que dissesse quem havia feito aquilo, e ele disse: “isso é resultado do meu carma passado, de alguma maneira no meu passado eu criei condições para que isso acontecesse. Então fui eu mesmo que fiz isso. Agora, se eu disse que uma pessoa fez isso comigo aqui e agora, um assassino, vocês o odiarão e o perseguirão, e esse ciclo não terá fim”. E morreu sem revelar. Ninguém sabe quem matou Nagarjuna. Ninguém foi perseguido, não houve nenhuma vingança. Essa é a visão do Bodhisattva.