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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Ilumine-se



Aluno – Alguém já atingiu a iluminação num estado assim como o de Buda?

Monge Genshô – No budismo Mahayana nós nem pretendemos a extinção, nós pretendemos o caminho do Bodhisattva, ou seja, abdicar da extinção absoluta em prol dos outros seres, de permanecer agindo e ajudando o mundo, isso se tornou o ideal de todo o budismo Mahayana e do Zen. Mas não posso responder a essa pergunta, porque pode haver alguém que tenha chegado no momento de sua morte a uma perfeição tão grande que não sobrou energia para retornar, carma para retornar, e se Buda fez, nós podemos fazer também.
A iluminação tem muitos degraus. Eu tenho falado constantemente sobre isso, e sobre como são os degraus, de como são as experiências de kenshô, como são os primeiros insights, que nós podemos tê-los, ter algum entendimento e ainda continuarmos no mundo agindo errado, mas já existe algo de iluminação nesta pessoa.

Quando a iluminação passa para todos os atos da vida de modo que tudo que você faz tem a marca da iluminação, aí é um estágio bastante alto. Mas à medida que você pratica, sua iluminação vai se aprofundando. Nós achamos que a iluminação é uma coisa distante, mas às vezes os alunos têm experiências iluminadas, eles sabem que houve uma experiência iluminada ali. Você continua a ser uma pessoa errada? Sim, mas eu sei que ele tem alguma experiência já. Se ele conseguir sabedoria, experiência, e for capaz de transmitir, ele merece a transmissão, ele já tem um grau de iluminação.

Agora, quando você chega nesse primeiro degrau, o que o mestre vai dizer para você é “bem-vindo, esse é o início do caminho, porque esse caminho não acaba mais”. A cada momento você vai olhar para trás e dizer “como eu era tolo no ano passado, como eu era despreparado”.

Uma vez eu cheguei para Saikawa Roshi quando ele me chamou para fazer o combate do Dharma e disse: “o senhor que está decidindo isso por mim, eu sinto que não sou merecedor de nada disso, eu não sou essa pessoa que o senhor está pensando que eu sou”. Essa é uma declaração errada, o aluno não deve dizer isso, porque ele acha que o julgamento dele é melhor do que o do professor. Essa é uma declaração de pura vaidade, você acha que você tem um julgamento bom, e não tem, seu professor tem um julgamento melhor do que o seu. Aí eu disse, “eu não me sinto preparado”. E ele disse: “nós nunca estamos preparados”. Se alguém disser que está preparado para ser monge está mentindo, não está preparado. Tem que se sentir incapaz, incompetente, cheio de falhas. É assim mesmo.