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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

MAKYO - ILUSÃO

 
Outro ponto que acontece é: limpamos nossa mente, à medida que vão se acumulando zazens nós vamos limpando as preocupações, porque estamos em outro mundo completamente diferente e como estamos num mundo completamente diferente, vamos cortando nossos liames e ele vai ficando distante, muito distante, e à medida que ele vai ficando distante emocionalmente de nós, nós estamos aqui e a nossa preocupação fica realmente aqui: “será que não esqueceram de bater o sino, este zazen não acaba, meu joelho esta doendo." Então nossas preocupações voltam-se para o momento presente e assim, nós nos desligamos daquele mundo lá fora e isso então nos permite uma liberdade de espírito, uma limpeza, e esse é o primeiro passo.

Porque nós sentamos em zazen mesmo? Para conseguir pelo menos samadi, uma boa concentração. E com uma boa concentração, criamos um terreno na nossa mente que permite experiências mais profundas.

Algumas pessoas pensam que essas experiências profundas são algo de extraordinário ou milagroso. Eu recebo cartas de pessoas que viram raios fulgurantes ou viajaram para os confins do universo, ou qualquer coisa assim.

Temos uma palavra em japonês para isso, makyo, que quer dizer ilusão, fantasia, delírio, e os mestres costumam dizer isso na cara para o alunos, isso é makyo, não é nada, saia daqui.

Eu li uma pequena história de um homem que foi falar com o mestre e disse que tinha tido uma dessas experiências coloridas maravilhosas, que tinha viajado pelo espaço e chegado aos confins de tudo, e o mestre disse que não era iluminação coisa nenhuma, que aquilo não passava de ilusão da cabeça dele, e ele ficou muito desapontado. Mais tarde ele estava na cozinha e tinha umas bergamotas, ele começou a comer uma bergamota que estava maravilhosa e estava encantado sentindo o gosto da fruta. O mestre então passou, olhou pra ele e disse: isto é iluminação.