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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A vida humana deve ser bem usada


Pergunta: Os reinos são imaginários? E por que nenhum outro reino pode iniciar a busca espiritual?
Monge Genshô:
Quando falamos sobre os reinos não estamos falando sobre lugares que realmente existem. Falamos sobre estados mentais e usamos um artifício didático. Se você está só pensando em querer mais, conquistar mais, você não pensa noutra coisa e acredita que a felicidade está em obter mais. Essa é a característica do espírito faminto e esse espírito nunca encontra satisfação. Nesse estado mental não há energia para se iluminar.

Os semideuses e os deuses podem ter a característica da busca espiritual, mas onde isso mais surge é no reino humano. Nos reinos inferiores, no reino dos infernos, o ódio e a raiva são tão grandes que não permitem a busca espiritual. Fica muito difícil, porque há um grande sofrimento. Por exemplo, você está lá na Síria, estão caindo bombas, pessoas estão morrendo, é difícil conseguir comida, tudo o que você quer é fugir e toda a sua energia fica concentrada nisso. Se alguém chegar e perguntar por que você não senta para fazer zazen não há o que responder, afinal você não tem o que comer. Simplesmente não existe energia para zazen.

Pergunta: Nós humanos estamos no reino dos seres humanos, mas podemos transitar entre os outros reinos?
Monge Genshô:
O reino humano tem características de todos os reinos, mas os reinos só existem porque os humanos existem.

Pergunta: O que eu tenho de bens materiais é carma?
Monge Genshô:
Carma é história pregressa. Você acumulou carma e ele frutifica sob a forma das condições que você tem atualmente, senão eles não apareceriam. Não existe nenhuma consequência que não tenha uma causa anterior. Você teria que perguntar, por exemplo, por que tem esse privilégio, por que tem a mãe que tem? Você só tem esse privilégio, porque você tinha condição para obter esse privilégio. O que acontece são consequências, as condições não surgem do nada, não são de graça.