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terça-feira, 10 de julho de 2018
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Para os que usufruem deste blog
VIAGEM AO JAPÃO DO MONGE GENSHÔ
O treinamento monástico é um importante período de desenvolvimento espiritual e pessoal, mas é, principalmente, um período de tempo e esforço dedicados à Sangha. Com os estudos e treinamentos, os monges poderão ajudar melhor no desenvolvimento das nossas comunidades e do budismo no Brasil.
Monge
Genshô irá para o mosteiro de Sojiji Soin fundado por Keizan há 750 anos
atrás, no Japão, pelo período de três meses, onde ficará em retiro. A
viagem está prevista para 25 de março.
Monge Genshô, deixará de trabalhar durante este período, ficando sua família no Brasil. Ele é sucessor e discípulo de Saikawa Roshi, Superior Geral para o Zen na América do Sul. Este período lhe dará uma graduação essencial que poderá ser repassada a seus alunos e às suas comunidades Zen no Brasil.
A Sangha, amigos, familiares e simpatizantes podem participar desse momento, com o exercício de generosidade e gratidão, pela prática de Dana (Generosidade, Doação, Apoio).
Para tanto, pedimos a todos ajuda financeira para a viagem. O valor necessário ultrapassa R$10.000,00 (passagens aéreas e terrestres até o templo e estadia em Tóquio, e compras de itens necessários não encontrados no Brasil).
Unindo-nos no esforço da doação é possível que consigamos arrecadar o montante. Qualquer valor é muito bem-vindo. Cada um sabe com quanto pode contribuir, de acordo com suas condições, sendo que as doações podem ser anônimas ou identificadas na seguinte conta:
Titular: Petrucio Chalegre (Monge Genshô)
Banco: 001 – Banco do Brasil
Agência: 4550-0
Conta corrente: 6061-5
CPF: 053283060-15
O exercício de Dana (Generosidade, Doação, Apoio) na tradição budista, representa essencialmente a ação consciente e atenta de ajuda e contribuição (seja material, de tempo ou outras) para que o Dharma possa ser estudado e exercido sob condições úteis e abrangentes a todos. Em Dana temos não somente a ação de ajuda e proteção (física, psicológica ou social) a pessoas em necessidade, mas também às pessoas em ação pelo Dharma.
Monge Genshô, deixará de trabalhar durante este período, ficando sua família no Brasil. Ele é sucessor e discípulo de Saikawa Roshi, Superior Geral para o Zen na América do Sul. Este período lhe dará uma graduação essencial que poderá ser repassada a seus alunos e às suas comunidades Zen no Brasil.
A Sangha, amigos, familiares e simpatizantes podem participar desse momento, com o exercício de generosidade e gratidão, pela prática de Dana (Generosidade, Doação, Apoio).
Para tanto, pedimos a todos ajuda financeira para a viagem. O valor necessário ultrapassa R$10.000,00 (passagens aéreas e terrestres até o templo e estadia em Tóquio, e compras de itens necessários não encontrados no Brasil).
Unindo-nos no esforço da doação é possível que consigamos arrecadar o montante. Qualquer valor é muito bem-vindo. Cada um sabe com quanto pode contribuir, de acordo com suas condições, sendo que as doações podem ser anônimas ou identificadas na seguinte conta:
Titular: Petrucio Chalegre (Monge Genshô)
Banco: 001 – Banco do Brasil
Agência: 4550-0
Conta corrente: 6061-5
CPF: 053283060-15
O exercício de Dana (Generosidade, Doação, Apoio) na tradição budista, representa essencialmente a ação consciente e atenta de ajuda e contribuição (seja material, de tempo ou outras) para que o Dharma possa ser estudado e exercido sob condições úteis e abrangentes a todos. Em Dana temos não somente a ação de ajuda e proteção (física, psicológica ou social) a pessoas em necessidade, mas também às pessoas em ação pelo Dharma.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
O oitavo preceito
8. Eu decido não sonegar ajuda espiritual ou material, mas concedê-las gratuitamente quando necessário.
Todos os cargos nos mosteiros e sanghas, existem para o apoio da prática e despertar de todos.
"Monge Genshô: Os praticantes devem estar atentos a não se colocarem na posição de meros receptores, isto ocorre quando outros sustentam os centros de prática, pagando aluguéis e insumos e contribuindo com seu trabalho e alguns não o fazem. Os praticantes budistas não devem ser receptores do esforço dos outros sem nada contribuir em troca, o simples ato de fazer limpeza, lavar as louças, varrer o chão, faz parte integrante do treinamento dos monges e dos leigos e serve como contribuição para os que tem dificuldades financeiras. Os que tem possibilidades devem ajudar a construir e sustentar os locais de prática afim de proporcionar meios para que novas pessoas possam despertar. Aqueles que se beneficiam devem estar conscientes das necessidades dos monges e dos centros para que estes possam subsistir, estas práticas existem desde os tempos de Buddha e trouxeram o budismo e suas instituições até os dias de hoje. Sem estas estruturas institucionais, apesar de seus defeitos humanos, nem textos nem monasticismo, nem ajuda espiritual teriam sobrevivido."
De: http://monjaisshin.wordpress.com
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Dana
Generosidade (Dana)
Sabemos que a segunda Nobre Verdade define a origem do sofrimento como cobiça e apego, o desejo desenfreado. Por causa disso, uma das principais práticas do Dhamma é chamada de Dana. Dana significa a prática da generosidade ou o ato de compartir com os outros. É um antídoto contra o apego, a esse agarrar-se com desespero às coisas, ao apego desmedido às nossas coisas. Encontramos essa cobiça e apego em todos os lugares. Agarramo-nos às nossas posses e não queremos nos soltar delas. O problema é que, quanto mais possuirmos, maior será o fardo. A prática da generosidade pode ser de grande ajuda, pois ela é um antídoto contra a mesquinharia. Além disso, o ato de compartilhar as nosas posses com os outros, ou o abandono do nosso egoísmo, ajuda a abrir as nossas mentes para o amor bondade e a compaixão. E estes são um antídoto contra o apego e o desejo.
A generosidade possui formas distintas. Pode-se dizer que existem três níveis de generosidade. O primeiro se chama dar com u’a mão. Com esse tipo de generosidade você dá porque as pessoas pedem ou porque você é pressionado a fazê-lo, ou ainda porque as pessoas estão olhando. Mas você continua segurando com u’a mão. Você, na verdade não quer dar e assim o faz com relutância. Digamos que um mendigo o importune. Para livrar-se dele, você lhe dá algo. Se você já esteve na Índia, provavelmente enfrentou situações em que os mendigos o seguem como uma sombra e não o abandonam até que finalmente você lhes dê algo. Essa é uma forma de generosidade, de compartir com os outros. Mas ela possui um valor limitado, porque o verdadeiro espírito imbuído no ato de dar é de realmente se soltar do que é doado, abandonar as coisas. Esse tipo de generosidade é abandono até certo ponto, e portanto, incompleto.
O segundo nível de generosidade é dar amistosamente. Quer dizer, você dá porque gosta de dar. Você se sente bem. Não é necessário pressão para que você o faça. Sempre que você vê alguém numa situação de necessidade, se você tem o suficiente para si mesmo, e possui o objeto da doação em dobro, você o dá com um sentimento de amizade. Se você tem duas bananas e alguém está com fome, você habitualmente dará uma. Essa é uma forma mais elevada de generosidade porque você não é pressionado a fazê-la – ela vem do seu próprio sentimento de amizade e você não está desesperado e firmemente agarrado às coisas.
O terceiro nível de generosidade é dar como um rei. Ao dar como um rei, você dá qualquer coisa em qualquer momento. Você dá a sua camisa. Você dá o seu último alimento para alguém que esteja com mais fome. Como não existe o pensamento precedendo a ação, você dá o melhor que tiver. Não existe nenhum apego, nem mesmo a idéia de um “eu” envolvido no ato generoso.
Bhante Yogavacara Rahula
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
DANA – Doação espontânea

A prática da compaixão é marcada pelo impulso de partilhar, chama-se Dana a doação de recursos para sustentar as atividades da comunidade budista. Os alunos precisam estar atentos para não estarem na posição de quem recebe sem nada dar em troca, porque esta postura coloca o recebedor em uma situação constrangedora de quem recebe, e é carregado pelos outros, mas não consegue ajudar os restantes seres com o seu próprio esforço.
Desde os tempos de Buddha a comunidade é sustentada pelos praticantes generosos, que cada um de nós possa olhar para a Sangha e pensar: ela existe também por minha causa, e os que sofrem podem aqui buscar refúgio.
Para que possamos manter a sede e um lugar adequado para praticar, contamos com a colaboração e generosidade de todos.
Informe-se no site: www.daissen.org.br
"Que todos os seres sencientes possam beneficiar-se".
Comunidade Zen Budista de Florianópolis
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
A partilha do mérito

Foto de cabana em Yokoji, onde se realizará o Angô oficial da SotoShu.
Para graduar-se como Osho (Sensei) os monges precisam fazer angôs, treinamentos oficiais da Soto ZenShu para o qual são selecionados monges em treinamento nos continentes, neste ano de 2010 15 vagas foram abertas nos EUA, duas para o Brasil, para esse fim. Embarcarei dia 13 de dezembro. Três meses de retiro e aulas em um centro a 2000 m de altura, nas montanhas de S. Jacinto na Califórnia, durante o inverno. A SotoShu dá uma bolsa completa de estadia aos monges selecionados e fornece uma equipe de 20 professores vindos de todo o mundo.
No entanto passagem e implementos devem ser fornecidos pelos alunos do angô. Muitos alunos e amigos, sabendo deste fato, tem vindo oferecer auxílio que a tradição budista muito preza, não importando seu valor, pois permite partilhar o mérito do esforço pessoal, dando aos que ajudam karma positivo.
Agradeço imensamente a todos que tem ajudado, a cada um que o faz não posso evitar o sentimento de emoção provindo de sua confiança e generosidade com um monge em seu treinamento.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Dana

A prática da compaixão é marcada pelo impulso de partilhar, chama-se Dana a doação de recursos para sustentar as atividades da comunidade budista. Os alunos precisam cuidar para não estarem na posição de quem recebe sem nada dar em troca, porque esta postura coloca o recebedor em uma situação constrangedora de quem recebe, é carregado pelos outros, mas não consegue ajudar os restantes seres com o seu próprio esforço.
Desde os tempos de Buddha a comunidade é sustentada pelos praticantes generosos, que cada um de nós possa olhar para a Sangha e pensar: ela existe também por minha causa, e os que sofrem podem aqui buscar socorro.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Comunicado do CBB - Sobre Dana e a Orientação de Dharma
Colegiado Buddhista Brasileiro
Comunicado 001/2008 – Sobre Dana e a Orientação de Dharma
Estimados praticantes, estudiosos e simpatizantes buddhistas,
O Colegiado Buddhista Brasileiro (CBB), entidade voltada para o favorecimento do diálogo entre as tradições buddhistas e o mais correto e saudável exercício de entendimento sobre os fundamentos do Dharma no Brasil, gostaria de apresentar a todos os interessados sua posição acerca de questões relevantes que têm sido ultimamente levantadas por diferentes pessoas ao CBB sobre a natureza do exercício de Dana e a real condição de autoridade na orientação do Dharma por diferentes monásticos ou estudiosos seculares.
Este comunicado, no entendimento da diretoria fundadora do Colegiado, se faz necessário neste momento devido ao constante fluxo de dúvidas apresentadas diretamente ao CBB referentes a episódios associados ao exercício de eventos, cursos ou práticas buddhistas, nos quais a própria competência de conhecimento ou experiência na orientação buddhista por parte dos organizadores e o modo de solicitação dos recursos de contribuição para tais eventos são questionados.
O CBB apresenta suas considerações sobre o assunto sem, no entanto, pretender manifestar-se de forma legisladora ou julgadora em relação à liberdade de atuação das escolas buddhistas tradicionais, ou de estudiosos e pesquisadores não-buddhistas que pretendam se posicionar sobre o tema buddhista de forma acadêmica ou histórica.
Nosso objetivo, muito mais simples, é apenas esclarecer aos simpatizantes e praticantes pouco experimentados sobre os fundamentos do exercício ético e moral no buddhismo, deixando a cada um a responsabilidade de ponderar, analisar e atuar da forma mais consciente e amadurecida possível no momento em que irão decidir sobre sua participação em eventos e práticas, ou filiar-se a grupos e espaços de Dharma.
Para tal, o Colegiado Buddhista Brasileiro apresenta as seguintes argumentações:
I. Sobre o exercício de Dana
1. O exercício de Dana (Generosidade, Doação, Apoio), na tradição buddhista, representa essencialmente a ação consciente e atenta de ajuda e contribuição (seja material, de tempo ou outras) para que o Dharma possa ser estudado e exercido sob condições úteis e abrangentes a todos. Em Dana temos não somente a ação de ajuda e proteção (física, psicológica ou social) a pessoas em necessidade, mas também a ação justa e honesta para que o Dharma seja divulgado sob as bases tradicionais da ética buddhista, na forma e apoio às instituições e seu corpo monástico ou dos centros e espaços de prática.
2. É preciso fazer distinção entre monges solicitarem contribuição e centros cobrarem por atividades. Monges vivem de doações, são sustentados pelo mosteiro, e não deveriam pedir dinheiro em troca de ensinamentos. Centros atuam de forma diferente; sendo espaços sem vínculo formal com as regras monásticas (e muitas vezes sustentados por praticantes seculares), eles dependem de uma organização financeira onde as contribuições servem para favorecer as condições materiais dos professores e do próprio ambiente de estudos, os quais ali estão para facilitar o ensino do Dharma.
3. Assim, é igualmente preciso fazer a distinção correta entre um centro solicitar contribuição para realizar retiros, cursos etc (algo perfeitamente compreensível em relação às necessidades de despesas), e monásticos que porventura venham a pedir dinheiro. Um monge adota um estilo de vida e pode alertar as pessoas sobre o Dana, mas as pessoas não oferecem Dana para o monge ensinar, e sim para permitir que o monástico possa se manter na sua condição de monge ou monja. O dinheiro, portanto, não é dado ao monge pessoalmente, e sim à instituição buddhista. O buddhismo não faz barganhas com o Dharma; as organizações buddhistas não pedem dinheiro em troca da promessa de sabedoria, cura, iluminação ou qualquer tipo de prêmio espiritual. O Dana é solicitado (e deve ser conscientemente oferecido) para que as condições materiais e humanas das instituições possam se manter, e assim a prática possa sempre ser valorizada.
4. Portanto, os praticantes e estudantes precisam estar atentos ao fato de que as solicitações de contribuição não podem ser feitas de forma abusiva ou voltadas para lucro pessoal de monges ou monjas. As contribuições feitas pelos centros devem ser justas e adequadas às suas necessidades, e jamais podem se constituir excessivas. Os coordenadores dos centros de Dharma, sendo pessoas honestamente comprometidas com a prática ética buddhista, sempre estarão à disposição para facilitar os modos de contribuição dos praticantes, considerando-se as possibilidades e limites financeiros de todos.
5. Os praticantes e interessados precisam compreender que são, eles mesmos, livres para contribuir ou não. Ninguém pode exigir de outrem participação em eventos buddhistas ou centros de prática; a tradição buddhista não pratica pressão psicológica, material ou espiritual para manter pessoas entre seu corpo de estudantes ou praticantes. Ao mesmo tempo, nenhuma pessoa deveria se subordinar a qualquer espaço buddhista na pretensão de que, assim agindo, estarão garantindo algum tipo de retorno espiritual ou benefício místico. A prática do Dharma ocorre de forma livre, consciente e madura, ou então jamais será possível.
II. Sobre a correta orientação de Dharma no Brasil
6. Em relação à competência e autoridade daqueles que se apresentam como professores ou orientadores, é preciso esclarecer que a tradição buddhista brasileira possui uma profunda capacidade de formação de monásticos ou leigos dignos de serem respeitados como orientadores sérios e competentes. Entretanto, é preciso que as pessoas saibam reconhecer tal competência através da análise e observação atenta das ações destes professores de Dharma. Estes sempre serão pessoas coerentes em suas ações éticas e morais. Embora muitas vezes firmes e exigentes, também saberão ser pacientes e compreensíveis, sem nunca agir de forma irresponsável e arrogante.
7. O ensino correto buddhista se dá principalmente através do exemplo, e da dedicação dos seus professores com o próprio treinamento em Plena Consciência, base dos ensinos de Shakyamuni Buddha. Neste sentido, pretensos professores de Dharma jamais poderão agir de forma autoritária, agressiva, preconceituosa ou abusiva em relação a seus alunos e praticantes. Por outro lado, cabe aos praticantes reconhecer e respeitar a experiência e sabedoria dos orientadores – monásticos ou leigos – quando estas virtudes forem evidentes nas palavras e atos destas pessoas, agindo desta forma com respeito e atenção aos seus conselhos e posição.
8. Ninguém no âmbito da orientação buddhista deve se autodenominar "Mestre" ou assim deve ser chamado apenas por envergar manto monástico ou, sendo leigo, apresentar-se como alguém entronizado em sabedoria mística ou semelhante. O título de Mestre se constitui de grande significado, e somente é dado àqueles que representam no buddhismo o mais digno exemplo de amadurecimento na prática contemplativa e sabedoria no exercício do Dharma. Os praticantes precisam ficar atentos a pessoas que vaidosamente se autodenominam mestres ou líderes místicos, ou que pretendam criar em torno de si grupos de discípulos sem realmente demonstrar os mais básicos fundamentos em coerência e comportamento. Professores sérios tem linhagem clara e um mestre de escola tradicional que os autorizou; a citação de linhas múltiplas e extensos currículos de diferentes correntes místicas é um quesito a ser olhado com extremo cuidado, para não dizer com precaução.
O CBB, ao apresentar tais ponderações, espera ter contribuído para conscientizar todos os simpatizantes e praticantes, facilitando sua reflexão atenta no momento em que entrarem em contato com organizações buddhistas ou monásticos pertencentes às tradições reconhecidas.
O Colegiado se mantêm aberto a dar mais esclarecimentos a todos os interessados, através de seu e-mail oficial em: cbb@cbb.bodhimandala.com
Em nome do Dharma,
Assina o Sr. Presidente do Colegiado Buddhista Brasileiro,
Prof. Shaku Hondaku (Maurício Ghigonetto)
Assinam os membros da Diretoria Fundadora do Colegiado Buddhista Brasileiro,
Rev. Shaku Haku-Shin (Wagner Bronzeri)
Monge Meihô Genshô (Petrúcio Chalegre)
Prof. Dhanapala (Ricardo Sasaki)
Prof. Tam Huyen Van (Claudio Miklos)
_____________________
No Dharma,
Tam Huyen Van
(Claudio Miklos)
___________________________
Sarve Bhavantu Mangalam
http://tamhaovan.multiply.com
Comunicado 001/2008 – Sobre Dana e a Orientação de Dharma
Estimados praticantes, estudiosos e simpatizantes buddhistas,
O Colegiado Buddhista Brasileiro (CBB), entidade voltada para o favorecimento do diálogo entre as tradições buddhistas e o mais correto e saudável exercício de entendimento sobre os fundamentos do Dharma no Brasil, gostaria de apresentar a todos os interessados sua posição acerca de questões relevantes que têm sido ultimamente levantadas por diferentes pessoas ao CBB sobre a natureza do exercício de Dana e a real condição de autoridade na orientação do Dharma por diferentes monásticos ou estudiosos seculares.
Este comunicado, no entendimento da diretoria fundadora do Colegiado, se faz necessário neste momento devido ao constante fluxo de dúvidas apresentadas diretamente ao CBB referentes a episódios associados ao exercício de eventos, cursos ou práticas buddhistas, nos quais a própria competência de conhecimento ou experiência na orientação buddhista por parte dos organizadores e o modo de solicitação dos recursos de contribuição para tais eventos são questionados.
O CBB apresenta suas considerações sobre o assunto sem, no entanto, pretender manifestar-se de forma legisladora ou julgadora em relação à liberdade de atuação das escolas buddhistas tradicionais, ou de estudiosos e pesquisadores não-buddhistas que pretendam se posicionar sobre o tema buddhista de forma acadêmica ou histórica.
Nosso objetivo, muito mais simples, é apenas esclarecer aos simpatizantes e praticantes pouco experimentados sobre os fundamentos do exercício ético e moral no buddhismo, deixando a cada um a responsabilidade de ponderar, analisar e atuar da forma mais consciente e amadurecida possível no momento em que irão decidir sobre sua participação em eventos e práticas, ou filiar-se a grupos e espaços de Dharma.
Para tal, o Colegiado Buddhista Brasileiro apresenta as seguintes argumentações:
I. Sobre o exercício de Dana
1. O exercício de Dana (Generosidade, Doação, Apoio), na tradição buddhista, representa essencialmente a ação consciente e atenta de ajuda e contribuição (seja material, de tempo ou outras) para que o Dharma possa ser estudado e exercido sob condições úteis e abrangentes a todos. Em Dana temos não somente a ação de ajuda e proteção (física, psicológica ou social) a pessoas em necessidade, mas também a ação justa e honesta para que o Dharma seja divulgado sob as bases tradicionais da ética buddhista, na forma e apoio às instituições e seu corpo monástico ou dos centros e espaços de prática.
2. É preciso fazer distinção entre monges solicitarem contribuição e centros cobrarem por atividades. Monges vivem de doações, são sustentados pelo mosteiro, e não deveriam pedir dinheiro em troca de ensinamentos. Centros atuam de forma diferente; sendo espaços sem vínculo formal com as regras monásticas (e muitas vezes sustentados por praticantes seculares), eles dependem de uma organização financeira onde as contribuições servem para favorecer as condições materiais dos professores e do próprio ambiente de estudos, os quais ali estão para facilitar o ensino do Dharma.
3. Assim, é igualmente preciso fazer a distinção correta entre um centro solicitar contribuição para realizar retiros, cursos etc (algo perfeitamente compreensível em relação às necessidades de despesas), e monásticos que porventura venham a pedir dinheiro. Um monge adota um estilo de vida e pode alertar as pessoas sobre o Dana, mas as pessoas não oferecem Dana para o monge ensinar, e sim para permitir que o monástico possa se manter na sua condição de monge ou monja. O dinheiro, portanto, não é dado ao monge pessoalmente, e sim à instituição buddhista. O buddhismo não faz barganhas com o Dharma; as organizações buddhistas não pedem dinheiro em troca da promessa de sabedoria, cura, iluminação ou qualquer tipo de prêmio espiritual. O Dana é solicitado (e deve ser conscientemente oferecido) para que as condições materiais e humanas das instituições possam se manter, e assim a prática possa sempre ser valorizada.
4. Portanto, os praticantes e estudantes precisam estar atentos ao fato de que as solicitações de contribuição não podem ser feitas de forma abusiva ou voltadas para lucro pessoal de monges ou monjas. As contribuições feitas pelos centros devem ser justas e adequadas às suas necessidades, e jamais podem se constituir excessivas. Os coordenadores dos centros de Dharma, sendo pessoas honestamente comprometidas com a prática ética buddhista, sempre estarão à disposição para facilitar os modos de contribuição dos praticantes, considerando-se as possibilidades e limites financeiros de todos.
5. Os praticantes e interessados precisam compreender que são, eles mesmos, livres para contribuir ou não. Ninguém pode exigir de outrem participação em eventos buddhistas ou centros de prática; a tradição buddhista não pratica pressão psicológica, material ou espiritual para manter pessoas entre seu corpo de estudantes ou praticantes. Ao mesmo tempo, nenhuma pessoa deveria se subordinar a qualquer espaço buddhista na pretensão de que, assim agindo, estarão garantindo algum tipo de retorno espiritual ou benefício místico. A prática do Dharma ocorre de forma livre, consciente e madura, ou então jamais será possível.
II. Sobre a correta orientação de Dharma no Brasil
6. Em relação à competência e autoridade daqueles que se apresentam como professores ou orientadores, é preciso esclarecer que a tradição buddhista brasileira possui uma profunda capacidade de formação de monásticos ou leigos dignos de serem respeitados como orientadores sérios e competentes. Entretanto, é preciso que as pessoas saibam reconhecer tal competência através da análise e observação atenta das ações destes professores de Dharma. Estes sempre serão pessoas coerentes em suas ações éticas e morais. Embora muitas vezes firmes e exigentes, também saberão ser pacientes e compreensíveis, sem nunca agir de forma irresponsável e arrogante.
7. O ensino correto buddhista se dá principalmente através do exemplo, e da dedicação dos seus professores com o próprio treinamento em Plena Consciência, base dos ensinos de Shakyamuni Buddha. Neste sentido, pretensos professores de Dharma jamais poderão agir de forma autoritária, agressiva, preconceituosa ou abusiva em relação a seus alunos e praticantes. Por outro lado, cabe aos praticantes reconhecer e respeitar a experiência e sabedoria dos orientadores – monásticos ou leigos – quando estas virtudes forem evidentes nas palavras e atos destas pessoas, agindo desta forma com respeito e atenção aos seus conselhos e posição.
8. Ninguém no âmbito da orientação buddhista deve se autodenominar "Mestre" ou assim deve ser chamado apenas por envergar manto monástico ou, sendo leigo, apresentar-se como alguém entronizado em sabedoria mística ou semelhante. O título de Mestre se constitui de grande significado, e somente é dado àqueles que representam no buddhismo o mais digno exemplo de amadurecimento na prática contemplativa e sabedoria no exercício do Dharma. Os praticantes precisam ficar atentos a pessoas que vaidosamente se autodenominam mestres ou líderes místicos, ou que pretendam criar em torno de si grupos de discípulos sem realmente demonstrar os mais básicos fundamentos em coerência e comportamento. Professores sérios tem linhagem clara e um mestre de escola tradicional que os autorizou; a citação de linhas múltiplas e extensos currículos de diferentes correntes místicas é um quesito a ser olhado com extremo cuidado, para não dizer com precaução.
O CBB, ao apresentar tais ponderações, espera ter contribuído para conscientizar todos os simpatizantes e praticantes, facilitando sua reflexão atenta no momento em que entrarem em contato com organizações buddhistas ou monásticos pertencentes às tradições reconhecidas.
O Colegiado se mantêm aberto a dar mais esclarecimentos a todos os interessados, através de seu e-mail oficial em: cbb@cbb.bodhimandala.com
Em nome do Dharma,
Assina o Sr. Presidente do Colegiado Buddhista Brasileiro,
Prof. Shaku Hondaku (Maurício Ghigonetto)
Assinam os membros da Diretoria Fundadora do Colegiado Buddhista Brasileiro,
Rev. Shaku Haku-Shin (Wagner Bronzeri)
Monge Meihô Genshô (Petrúcio Chalegre)
Prof. Dhanapala (Ricardo Sasaki)
Prof. Tam Huyen Van (Claudio Miklos)
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No Dharma,
Tam Huyen Van
(Claudio Miklos)
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