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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O iluminado não está iludido com causa e efeito


Pergunta: - Eu achei isso tudo muito complicado. Na compreensão do objeto há um momento em que o senhor diz que todos os fenômenos são iguais.

Venerável Dhammadipa – Nem todos os fenômenos são iguais. Há um extremo em “todos os fenômenos são iguais” e outro extremo em “todos os fenômenos são diferentes”. Buda, embaixo da arvore Bodhi, realizou a originação dependente, se você compreender o que ele realizou, você entenderá que “ser” é um extremo e “não ser” é outro extremo. Buda explicou a originação dependente indo além desses extremos. “Tudo é igual” é um extremo, “tudo é diferente” é outro extremo. A fim de transcender os dois extremos, que é a causa de tantos conflitos, você deve estudar a originação dependente e isso não é fácil de compreender.

Há uma história muito famosa na tradição Zen que com certeza Genshô Sensei já lhes contou. É a história de Pai-Chang, em Japonês - Hyakujo, um grande mestre responsável pela “chineificação” do Budismo, responsável por novas e importantes regras de condutas dos monges na China. A regra de conduta era como se fosse uma bíblia ensinada por Buda. Existe uma montanha na China com seu nome dado sua importância e nessa montanha ele ergueu seu monastério. Foi dele a regra de um dia sem trabalho, um dia sem comida e também a idéia de que todo dia é um bom dia. Ele influenciou muito a Escola Soto, que é a que vocês praticam. Em todas as noites que o Mestre Pai-Chang realizava suas palestras, aparecia um senhor muito idoso e prestava muita atenção às suas palavras. Ninguém sabia nada de sua vida, pois logo após o término das palestras, ele se retirava. Um dia ele perguntou ao Mestre Pai-Chang: “O iluminado está acima de causa e efeito”? “O iluminado não está iludido com causa e efeito” - foi a resposta do Mestre Pai-Chang. Então o homem começou a chorar e disse que há muitas vidas atrás uma pessoa lhe fez essa mesma pergunta e ele respondeu que o iluminado estava acima de causa e efeito. Em razão dessa resposta, desde então ele renasceu muitas e muitas vezes como uma raposa. “Agora eu compreendo e sou muito grato por sua resposta” disse o idoso. Após essa passagem, o homem desapareceu. No outro dia, Mestre Pai-Chang pediu que seus discípulos fossem até a montanha e procurassem pelo corpo de uma raposa branca. Depois de encontrado o corpo, Mestre Pai-Chang ordenou que fosse cremado. Até hoje na montanha Pai-Chang existe a rocha da raposa branca.

Por favor, tenham muito cuidado ao responder uma pergunta de forma definitiva. A originação dependente tem o objetivo de resolver todos esses conflitos e quando você a compreende, os conflitos cessam e seus problemas estarão resolvidos.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Novo grupo em Joinville


Pessoal,

Estou iniciando um grupo de prática aos domingos de manhã, sob a orientação do Monge Genshô. Vamos começar neste domingo, dia 22. Todos estão convidados a sentar conosco.

Os encontros ocorrerão todos os domingos, das 10:00 às 12:00 horas, na rua Lages, 375, sala 3, Centro (em frente ao estacionamento do Habib’s, na mesma sala do Grupo de Estudos Kalachakra e do CEBB).
É recomendável o uso de roupas confortáveis que cubram joelhos e ombros, e de cores discretas.

Gasshô
Felipe Izuka

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Shohaku Okumura Roshi


Shohaku Okumura Roshi foi um dos professores mais impressionantes de quem tive o privilégio de ouvir palestras, seu conhecimento teórico e profundidade espiritual são marcantes. Simpático e surpreendentemente jovem para seus 62 anos possui um sorriso aberto e uma presença inspiradora. Abaixo uma biografia como consta na página sotozencolombia.org



Nació en Osaka, Japón, en 1948. Estudió Budismo Zen en la Universidad de Komazawa en Tokio y recibió la ordenación de monje de Uchiyama Roshi en 1970. Continuó su práctica con Uchiyama Roshi en Antaiji hasta 1975 cuando viajó al Pioneer Valley Zendo en Massachusetts. Luego de su regreso a Japón en 1982 comenzó la traducción de textos de Dogen y de Uchiyama al inglés, con la colaboración de Tom Wright y otros practicantes americanos. En 1993 regresó a los Estados Unidos y dirigió la práctica por algún tiempo en el Minnesota Zen Meditation Center de Minneapolis. Hasta junio de 2010 ocupó el cargo de director del Centro Internacional del Budismo Soto Zen (Soto Zen Buddhism International Center), con sede en San Francisco. En la actualidad vive en Bloomington, Indiana como maestro de Sanshin Zen Community y continúa traduciendo textos de Dogen Zenji. Entre sus trabajos publicados en inglés se encuentran "Shobogenzo Zuimonki", "Dogen Zen", "Zen Teachings of 'Homeless' Kodo", "Soto Zen. An Introduction to Zazen", "Wholehearted Way: A translation of Eihei Dogen's Bendowa", "Opening the Hand of Thought", "Nothing is Hidden: Essays on Zen Master Dogen's Instructions for the Cook”, "Dogen's Pure Standards for the Zen Community: A Translation of Eihei Shingi" y últimamente “Dogen's Extensive Record: a translation of the Eihei Koroku”. De estos textos, sólo Shobogenzo Zuimonki ha sido traducido al español como: Enseñanzas Zen de Eihei Dogen (s. XIII) (Shobogenzo Zuimonki) por Editorial Miraguano. En junio de 2010 publicó el libro "Actualizing Genjokoan", en Wisdom Publications.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Akiba Roshi



Akiba Roshi é o Sookan (Superior Geral da Escola Soto Zen) para a América do Norte, fez um trabalho magnífico em especial nos EUA, o conheci ainda no Brasil quando conversamos sobre o convite que recebi para o Angô Internacional de Certificação da SotoShu que seria dirigido por ele no mosteiro de Yokoji.
Este sorriso e alegria é sua marca, além de uma profunda cultura que mostrou em suas aulas aos 14 monges que foram os alunos do programa. Permaneceu conosco durante 3 meses, no final deu quadros com sua caligrafia a cada um, como fui seu Jisha (monge auxiliar) várias vêzes e me corrigiu muitos movimentos, sabia algo sobre mim, sua caligrafia dizia : "nas montanhas não há calendário"

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Kenshô - A experiência mística


P: No livro os três pilares do Zen de Roshi Philip Kapleau encontramos uma crítica à escola Soto Zen com relação à importância da experiência do Kensho. O que o senhor diria disto?

R: É a tentativa de dizer que no Soto Zen não se valoriza a experiência mística, o Kenshô, porém isto não é verdadeiro. Coisas de competição entre escolas, mente discriminativa...o Kenshô é muito importante na escola Soto, a diferença é que não se faz um esforço determinado para obter experiências através da solução de koans, e festeja-las. Na escola Soto se entende que isto reforça o ego porque a pessoa quer muito atingir um algo especial, quem atinge uma pequena experiência fica orgulhoso e se distingue dos demais, na escola Soto se pensa que é preciso abandonar corpo e mente, inclusive o desejo de ser especial, conseguir uma iluminação, ser melhor que os outros. Só assim realmente se pode chegar a abandonar o ego.
Dogen Zenji abandonou o Japão, e passou por vários mestres na China se decepcionando com a decadência do ensino, respostas decoradas... falta de verdade na realização espiritual... e foi assim que trouxe o Soto da China, onde o encontrou com Tendo Niojo. Na sua iluminação discretamente anunciou a Niojo: "corpo e mente foram abandonados" (deixei cair...)e o mestre ao fim lhe disse: "também deves renunciar a idéia de que corpo e mente foram abandonados..."

No entanto os koans são sim usados na escola Soto, como auxiliares da prática e não como seu centro. Mesmo com todo o esforço percebo que é a vaidade e o ego o maior problema a afligir os praticantes, mesmo monges sofrem muito com isto. Outro ponto importante neste livro citado é que Kenshô e Satori aparecem como conceitos semelhantes, na escola Soto o Kenshô é a experiência mística, coisa boa mas bem longe da iluminação ainda, esta, o Satori, é a posse de uma estável realização espiritual, sempre disponível para quem chega lá, não é algo que pode se esvanecer facilmente como o Kenshô. E mesmo assim há vários níveis de iluminação, por exemplo você pode ter uma compreensão clara e ela ainda não se expressar em todas as suas ações, isto sim é um nível realmente grande e mesmo assim há níveis mais elevados.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Do site oficial da SotoZen

Mestre Superior da Escola Soto Zen, Ohmichi Kosen Zenji

Na sociedade atual, centralizada nas informações, ouvimos todos os tipos de vozes do mundo inteiro. É mais comum ouvir vozes repletas de ansiedade e insatisfação do que vozes gentis e calorosas.

Como devemos responder a essas vozes?

A situação geral é de conflito ocorrendo ao redor do mundo, a insubstituível preciosidade da vida sendo perdida e muitas pessoas que se tornaram duras e frias por causa do medo.

Observando-se a situação no Japão, lugares que comumente deveriam ser mais calmas, como lares e escolas, correm perigo porque o dinheiro e as posses tornaram-se nas únicas prioridades. Há concomitante pouca demonstração de compaixão com o próximo e a natureza.

Por quê as pessoas perderam o sentido da importância do valor da vida, assim como das relações interpessoais? Por quê perdemos o senso de empatia pelas pessoas e coisas?

É precisamente por causa dos tempos em que vivemos, que a Escola Soto declara o objetivo em praticar a “identificação solidária” numa vida de fé e continua a ensinar a importância dos “Direitos Humanos”, Paz e o Meio Ambiente.”

No Shushogi (O Significado da Prática e da Constatação) encontramos estas palavras: “Na maneira de Buda Shakyamuni, que passou toda sua vida como um ser humano.“ É exatamente porque Buda Shakyamuni era um ser humano, experimentando nossos sofrimentos e dificuldades, que ele pode nos guiar, estendendo suas mãos repletas de amor e compaixão.