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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Uma palestra de um mestre


"Todo mundo tem uma história. Muitas coisas diferentes acontecem à pessoas diferentes nessa história, mas a base não muda. Porque a base da história é o verdadeiro movimento do “self”. O verdadeiro movimento do “self” significa nenhum movimento, porque estamos todo o tempo com isto, unos com todo o universo. Nada dentro, nada fora. Nem sujeito nem objeto. Nem “eu” nem os outros. O que é isso? Tem um som aqui? Isso é verdade. Mas, ao mesmo tempo que você ouve esse som, o som não está aqui. Ele está em você.

A realidade está além de sujeito e objeto e além de sujeito e objeto significa unidade. Dessa forma, uma história pessoal muda muito, mas não muda nada, isso é a base da vida. Quando usamos incenso, podemos cheirá-lo; onde está o cheiro do incenso? Na fumaça? É verdade. Ao mesmo tempo que você pode sentir o incenso como bom ou ruim, você pode dizer que gosta ou não gosta de alguma coisa. Isso significa em você estar além de sujeito e objeto. Somente a totalidade e a unidade podem falar sobre o cheiro. Assim é com o gosto da comida ou bebida. O gosto está na comida? É verdade. Mas ao mesmo tempo, não é verdade. Quando você prova e diz que é muito bom, o gosto está em você e isso significa além de lá e aqui, além de sujeito e objeto e, na unidade, o gosto existe.

Da mesma forma quando sinto calor, não é uma coisa que está aqui ou ali; quando o dia está quente ou frio, está em mim, mas ao mesmo tempo é verdade que está aqui ou ali. O som, o gosto, o cheiro e o frio que sentimos, existe na unidade, quando os seres humanos começaram a usar seu cérebro para pensar coisas, para resolver problemas. Para usar o cérebro nós precisamos de linguagem e a base da linguagem é usar idéias opostas. Isto ou aquilo, começo ou fim, dentro ou fora, eu ou os outros, sujeito ou objeto, em cima ou embaixo, direita ou esquerda, iluminação ou delusão? Dessa forma os seres humanos têm tentado resolver seus problemas com sua atividade mental. Assim, quando uma criança nasce e cresce, o que os pais fazem? Colocam um nome na atividade mental, isto ou aquilo, eu e os outros. Assim, através dos anos quando a criança cresce nunca duvida acerca das idéias de isto ou aquilo, eu e os outros.

Mesmo Shakyamuni Buda levou seis anos para resolver e entender que a realidade está além da linguagem. Levou seis anos para Buda clarear sua mente e perceber que usamos a ilusão como uma ferramenta para usar a linguagem e resolver problemas. Nós concordamos que em cima é esse lado e para os japoneses embaixo é o outro lado do mundo. Para os chineses o dia é nessa direção, para outro povo é em outra. Para todo mundo é em cima e se é somente para cima, o embaixo nunca existe? Também em cima não existe. Na atividade mental se eu digo em cima e este lugar é aqui, eu preciso da idéia do oposto, embaixo. Mas se em toda a parte de todo o universo, o em cima for para cima, então o em cima não existe. Isto é vacuidade, isto é unidade e nesta unidade nós estamos vivendo além da atividade mental. Essas sequências de opostos são fáceis de serem entendidas pela atividade mental. Uma coisa boa para Bush é uma coisa ruim para Saddhan Hussein e uma boa coisa para Saddhan Hussein é ruim para Bush. Todas as coisas como direita e esquerda, em cima e embaixo são apenas coisas condicionadas e assim nós estamos usando a ilusão como uma ferramenta para resolver problemas e nos comunicarmos."   (Saikawa Roshi)  (continua)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O líder ocidental do Soto Zen na América do Norte


Alto e anguloso, seu nome mesmo, como me contou quando fui seu aluno nos EUA, significa grande montanha. Perfeitamente fluente em japonês é um tradutor excelente e um professor severo embora afável, pede desculpas por esta aparência dura com um sorriso pesaroso. Sua liderança é um marco pois é o primeiro norte americano a ocupar esta posição, seu antecessor, Akiba Roshi, atualmente se aposentou permanecendo em Oakland onde tem um templo.

Daigaku Rumme Roshi é o Sookan atual na Soto Zen na América do Norte e abade do Soto Zen International Center em San Francisco, California. Ordenado por Sekkei Harada Roshi, Rumme nasceu em Mason City, Iowa e esteve pela primeira vez no Japão com dez anos com seus pais, que eram missionários luteranos. A família viveu em Tokyo por dois anos.

Daigaku Rumme foi ordenado na Soto Zen em Abril de 1978 em Hosshinji que fica ao norte de Kyoto em Obama. Hosshinji foi a casa de Rumme Roshi por mais de trinta anos. Ele acompanhou seu mestre, Sekkei Harada Roshi, em viagens para a América do Norte e Europa, servindo como tradutor. Hoje, Sekkei Harada é o representante oficial da Soto Zen na Europa e Daigaku Rumme Roshi é o primeiro ocidental nesta posição na América do Norte, ele retornou aos EUA em 2003.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Shohaku Okumura Roshi


Shohaku Okumura Roshi foi um dos professores mais impressionantes de quem tive o privilégio de ouvir palestras, seu conhecimento teórico e profundidade espiritual são marcantes. Simpático e surpreendentemente jovem para seus 62 anos possui um sorriso aberto e uma presença inspiradora. Abaixo uma biografia como consta na página sotozencolombia.org



Nació en Osaka, Japón, en 1948. Estudió Budismo Zen en la Universidad de Komazawa en Tokio y recibió la ordenación de monje de Uchiyama Roshi en 1970. Continuó su práctica con Uchiyama Roshi en Antaiji hasta 1975 cuando viajó al Pioneer Valley Zendo en Massachusetts. Luego de su regreso a Japón en 1982 comenzó la traducción de textos de Dogen y de Uchiyama al inglés, con la colaboración de Tom Wright y otros practicantes americanos. En 1993 regresó a los Estados Unidos y dirigió la práctica por algún tiempo en el Minnesota Zen Meditation Center de Minneapolis. Hasta junio de 2010 ocupó el cargo de director del Centro Internacional del Budismo Soto Zen (Soto Zen Buddhism International Center), con sede en San Francisco. En la actualidad vive en Bloomington, Indiana como maestro de Sanshin Zen Community y continúa traduciendo textos de Dogen Zenji. Entre sus trabajos publicados en inglés se encuentran "Shobogenzo Zuimonki", "Dogen Zen", "Zen Teachings of 'Homeless' Kodo", "Soto Zen. An Introduction to Zazen", "Wholehearted Way: A translation of Eihei Dogen's Bendowa", "Opening the Hand of Thought", "Nothing is Hidden: Essays on Zen Master Dogen's Instructions for the Cook”, "Dogen's Pure Standards for the Zen Community: A Translation of Eihei Shingi" y últimamente “Dogen's Extensive Record: a translation of the Eihei Koroku”. De estos textos, sólo Shobogenzo Zuimonki ha sido traducido al español como: Enseñanzas Zen de Eihei Dogen (s. XIII) (Shobogenzo Zuimonki) por Editorial Miraguano. En junio de 2010 publicó el libro "Actualizing Genjokoan", en Wisdom Publications.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Wendy Egyoku Nakao Roshi



Tive o prazer de ser hospedado no Zen Center de Los Angeles dirigido por ela, e de ter acompanhado em São Paulo esta brilhante praticante do zen que é Egyoku Roshi, seu sorriso é cativante como mostra a foto. (Monge Genshô)

Roshi Wendy Egyoku Nakao, nasceu Wendy Lou Nakao em Honolulu, Hawaii, em meados do século passado. De ascendência Portuguesa - Japonesa, ela cresceu na Grande Ilha do Havaí. Ela frequentou a Universidade de Washington em Seattle, Washington, onde recebeu o bacharelado em Estudos do Leste Asiático e um mestrado em Biblioteconomia. Em Seattle, em 1975, começou a praticar zazen depois de um desafio. "Alguém apostou cinquenta dólares que eu não conseguia ficar quieta e manter a calma durante uma semana. Aceitei o desafio e fiz um sesshin de sete dias. Foi absolutamente horrível, mas eu fui fisgada."

Após três anos de zazen em Seattle, Egyoku mudou-se para o Zen Center de Los Angeles em 1978 para estudar com Taisan Maezumi Roshi. Ela foi ordenada por ele em 1983, e serviu como monge líder em 1988. Durante a sua formação no ZCLA, atuou em várias funções, inclusive como editora do The Ten Directions e Chefe do Centro de Administrativo. Ela era a assistente pessoal do Roshi Maezumi no momento de sua morte, em 1995.

Em 1996, ela recebeu a transmissão do Dharma de Roshi Bernie Glassman Roshi primeiro sucessor do dharma de Maezumi Roshi, em Yonkers, Nova York. A pedido de Glassman Roshi, ela voltou ao ZCLA como o Sacerdote Chefe e Professora em 1997, e foi instalada como o terceiro abade do ZCLA em 1999.

Ela é Roshi do templo e de duas linhagens de ensino que vem através Maezumi Roshi, cujo fundo incomum é que ele era um monge Soto, que estudou o sistema de koans Rinzai. Teve a orientação de seu professor de Dharma e de Transmissão Glassman Roshi cuja ação social e de pacificação é também um fator importante na evolução de seu estilo de ensino.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Patricia Dai-En Bennage Roshi



Rev. Patricia Dai-En Bennage foi "vice abadessa" do angô oficial da SotoShu nos EUA,uma impressionante mestre zen, com palavras cheias de emoção e uma gentileza exemplar.
Ela achou o A Manual of Zen by D. T. Suzuki em 1958 e assim tornou-se uma estudante do zen. Residiu no Japão por 23 anos, primeiro treinou com o Mestre Rinzai, Omori Sogen Roshi. Posteriormente fez os votos da Soto Zen como monja e treinou no Mosteiro Soto Zen em Nagoya, Japão, recebendo a Transmissão e fazendo o Zuise, então entrou no treinamento senior para fazer o Shike ou ( programa para Roshi) , sendo certificada em 1990. Imediatamente depois, ela praticou com o Ven. Thich Nhat Hanh na França, recebendo os 14 Preceitos da Ordem do Interser. Ela foi a tradutora da Abadessa Shundo Aoyama Roshi's no livro Zen Seeds. Em, 2005, cerimônias assistidas por 36 sacerdotes Soto Zen do Japão, Europa e U.S., instalaram a Rev. Bennage como abadessa do Mt. Equity Zendo, Jihoji.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Como se usa o termo "Sensei" ? E "Roshi"?


Cerimônia com noviços, monges, senseis e roshis no Templo Busshinji em 2009.

Explica Coen Sensei em seu texto "A Ordem Monástica da Escola Sôtô Shû e Sua Adaptação na Comunidade Zen Budista Zendo Brasil" :

“Sensei” (先生) são exclusivamente os Monges que receberam Transmissão de Darma.
“Rôshi” e “Dai-oshô” (大和尚) são títulos reservados aos Monges Titulares que tenham demonstrado, por sua prática e empenho, o merecimento. Na tradição Soto, é preciso que haja a recomendação de outro monge titular para que seja oficialmente reconhecido como digno de ser assim chamado. Nota: Na tradição Rinzai, quando o Monge recebe “Inka” (a conclusão do estudo sistemático de koans e a aprovação como professor do Darma), passa a ser chamado de “Rôshi”.


Notas do blog:
Literalmente "Sensei" significa "mais antigo" e é usado na língua japonesa para qualquer pessoa em posição de ensinar,(como um mestre escola por exemplo) no zen o uso é mais estrito e normalmente se usa para o monge graduado como "Oshô" (和尚)(que recebeu a transmissão) quando este tem alunos.
A palavra Oshô significa literalmente Mestre. No Soto Zen, Oshos usam manto amarelo mas para serem Sensei tem que ter alunos e trabalho de liderança em uma Sangha.
Dai quer dizer grande, Dai-oshô, grande mestre, se usa sempre para os mestres ancestrais na recitação das linhagens.
Roshi, traduz-se como "velho mestre" é um tratamento honorífico sem um registro especial ou cerimônia.

domingo, 12 de outubro de 2008

Convite para o dia 17 de outubro


Hossenshiki em um templo japonês.

Dia 17 de outubro (sexta) às 9h com a presença de Saikawa Roshi, mestre e superior da Escola Soto Zen para a América do Sul, e monges, do Brasil e do exterior, regularmente ordenados e reconhecidos internacionalmente pela Soto Zen, haverá a cerimônia de Hossenshiki (Combate do Dharma) de Monge Genshô. Ocasião em que receberá uma graduação de defensor do Dharma e responderá perguntas publicamente de alunos que o desafiam, a cerimônia é aberta ao público e os que a desejarem assistir devem se dirigir pela manhã do dia 17 à Casa de Retiros no Morro das Pedras.

Amigos, de novo entro em retiro, sem comunicações até 17 de outubro à noite.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Para quem vou tentar difundir o Dharma nestes tempos decadentes?

E você está pronto para ouvir o Dharma? Não pense em realizar algo, em ser bem sucedido com os seres que ajudar, somente ajude, não espere que dê certo, tente, tente, não tenha estes objetivos, apenas caminhe sem fim, " o caminho é infindável, mas me comprometo a segui-lo". Se você pensar que é difícil, porque há poucas pessoas realmente interessadas, você realiza a decadência, se andar, você realiza o Dharma vivo.

Eu perguntei a Saikawa Roshi, qual deve ser meu objetivo? e ele me respondeu, - apenas ande, o caminho se mostra a cada momento. - Abra os olhos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Fotolog Daissen Zendô

Por uma cortesia e esforço contínuo de Jane Denkô, podem-se ver fotos de eventos do zen em http://www1.fotolog.com/daissen_zendo na data de hoje uma excelente foto de Saikawa Roshi olhando o pôr do sol perto de Ouro Preto, sobre as montanhas.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Orgulho na prática

Antigamente, no modelo oriental, esperava-se que o aluno estivesse mergulhado na cultura. Quando você tem um aluno que pratica artes marciais, por exemplo, o treinamento é mais fácil, porque o aluno já se habituou com a disciplina, para quem não passou por isso é mais complicado, porque precisa aprender que tem que ouvir e praticar primeiro e não ficar questionando tudo quando está começando. O questionamento é para depois.
Quando os alunos são atletas que praticam esporte, também fica facilitado, porque eles sabem que não dá para explicar todos os detalhes. O aluno que fica perguntando é o aluno que leva mais tempo. E os professores na tradição oriental nem respondem. Um mestre um Roshi, não fala, chama um monge mais graduado e manda falar com o aluno e se o aluno não aceita críticas e diz: "quem é você para me dar dicas, eu só aceito se for o mestre", isso complica tudo, porque na tradição oriental é assim. Então, neste caso, o aluno é abandonado, e o mestre não faz nada enquanto ele não abandonar este orgulho.

domingo, 1 de abril de 2007

Para que instruções?


Sento à frente de Saikawa Roshi, meu mestre, Francisco Casaverde ao meu lado, ambos desejamos saber como devemos prosseguir em nosso caminho, eu no sul, ele no Rio, pergunto:

- Roshi (velho mestre), que instruções o senhor nos dá agora?

O mestre sem hesitar:

- Que instruções daria? O caminho se mostra a cada passo...