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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Eu não sou assim...



(continuação)  Monge Genshô: Uma vez, 20 anos atrás, um homem num posto de gasolina desceu do carro para brigar comigo por um lugar em uma fila, também desci para não ser agredido sentado mas disse, “não, tudo bem, o senhor pode ir na frente, eu troco meu carro de lugar”. Então peguei meu cartão de apresentação, fui até o carro onde ele havia voltado a entrar entreguei e disse: “vamos transformar isso numa coisa boa”? E ele se desarmou, apertou minha mão etc., passaram alguns minutos, ele abasteceu o carro dele e veio falar comigo, andando com os braços abertos e disse: “eu não sou assim, eu não sou assim, o senhor veja eu perdi meu filho único de 21 anos, morreu semana passada, nem minha família me aguenta mais”. Aí todo mundo que tinha visto a cena no posto, não entendeu nada, porque os homens prestes a se engalfinhar estavam abraçados e um chorava. Então a gente não sabe o que está acontecendo na cabeça dos outros, porque é que ele está falando palavrões, porque é que ele está agredindo, você não sabe.

E tendo essa compreensão mais abrangente da vida, você poderá perdoar tudo. Você não vai pensar: “é para mim”, porque não é para você. Ele está brigando com o mundo e, por acaso você estava ali. Aquele homem se sentia injustiçado pela morte do filho, é isso, e então ele queria brigar com o mundo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Declaração Pública do Colegiado Buddhista Brasileiro



Declaração Pública




O Colegiado Budista Brasileiro, entidade que congrega as principais lideranças budistas brasileiras, vem a público lamentar profundamente e repudiar veementemente a agressão violenta sofrida pela minoria budista do Bangladesh por parte de militantes extremistas islâmicos, da qual resultou a destruição pelo fogo de vários templos com seus objetos de culto e símbolos sagrados. Os budistas não respondem ódio com ódio e violência com violência, eles se limitam a lamentar compassivamente os atos insanos nascidos da ignorância e do egoísmo do ser humano e a lembrar as sábias palavras do imperador budista indiano Açoka, que proclamava que perseguir e agredir a religião alheia acarreta danos para nossa própria religião.

Com efeito, não é através dessas atitudes violentas geradas por uma minoria de extremistas que a religião muçulmana há de angariar o respeito e a consideração a que faz jus por parte da comunidade internacional, assim pedimos que os muçulmanos de bem repudiem publicamente as ações dos extremistas. Os budistas brasileiros pedem vênia aos extremistas muçulmanos para lembrar-lhes que o próprio Alcorão Sagrado ensina que "não há imposição quanto à religião" (2:256) e para recordar-lhes as belíssimas palavras com que o grande místico islâmico Ibn 'Arabi de Múrcia (1165- 1240) celebrou sua adesão ao Amor Universal que transcende todas as diferenças confessionais e sectárias:




"Oh! Maravilha-te! É um jardim entre as chamas!

Meu coração tornou-se capaz de todas as formas:

é um pasto para as gazelas, um convento para monges cristãos,

Um templo para ídolos, e a Caaba dos peregrinos,

E as tábuas da Torá e o livro do Alcorão.

Sigo a religião do Amor: não importa o rumo que tomam

os camelos do Amor, essa é minha religião e minha fé."



Colegiado Buddhista Brasileiro

Diretoria


Presidente Rev. Shaku Haku-Shin

Rev. Meihô Genshô

Dhammacariya Dhanapala

Shaku Hondaku

Claudio Miklos Kômyô


Presidente do Conselho do CBB


Rev. Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves


Conselho

Lama Chagdud Khadro

Rev. Monge Rinchen Khienrab

Rev. Heyla Downey

Ven. Uttaranyana Sayadaw

Rev. Shaku Sogyo

Rev. Monja Sinceridade

Rev. Coen Sensei


Aliam-se a declaração:

- Choyu Otani (Mestres das Missões da Ordem Otani-ha)

- Rinban Kensho Kikuchi (Ministro Superior da Ordem Otani-ha no Brasil)

- Rev. Ricardo Mario Gonçalves

- Rev. Hiroshi Matsuda

- Rev. Massaharu Suguiura

- Rev. Severino Sales Silva

- Rev. Leninha Brasileiro

- Rev. Hiroyuki Higashi

- Rev. Tsuyami Ueno

- Rev. Tadao Sawanaka

- Rev. Yassuo Nakashima

- Rev. Mitsue Nakashima

- Rev. Meishi Nakazawa

- Rev. Shu Izuhara

- Rev. Linda Morimoto

- Rev. Yaeko Togawa

- Rev. Minako Iso

- Rev. Kasuro Nanao

- Rev. Margarida Nakaoka

- Yuka Kikuchi

- Rev. Seigo Nawa

- Rev. Isshin Sensei

(Todos que o desejarem podem subscrevê-la e divulga-la preservando seus termos originais)

domingo, 15 de abril de 2007

A doença na casa de saúde

Lembro da frase, "as pessoas vem aos templos budistas esperando encontrar iluminados, e encontram gente como elas mesmas". Ouço a história de uma agressão a um praticante, por outro, em um templo budista. Um repreendeu outro por ser agressivo e recebeu um pontapé e uma martelada. Só posso admirar os que trabalham tentando ajudar os outros, e lamentar a doença da raiva e da vaidade que embaraça a vida do agressor.
Já vi monges também ficarem muito aborrecidos por serem admoestados, são seres humanos também, e sofrem de vaidade. Todo o sentido do treinamento é superar estas dificuldades, e para isso trabalham os mestres.
Tudo isto não desmerece os templos nem o budismo. Mostra somente que a doença procura um lugar para curar-se. Seria igualmente absurdo que alguém entrasse em um hospital e reclamasse: "Mas aqui não é uma casa de saúde? Como encontro tantos doentes?"