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terça-feira, 24 de setembro de 2013
Não há caminho fácil para o despertar
Pergunta: Eu poderia complementar o que senhor falou sobre os alucinógenos? Eu imaginei que se soubéssemos o que acontece no cérebro no momento que se atinge a iluminação, em tese, poderíamos gerar a iluminação artificialmente. Mas também se é uma questão de consciência, no sentido de estar separado do cérebro, talvez não seja assim...estou tentando complementar a pergunta.
Monge Genshô – Não sei. Pode ser que no futuro tenhamos uma espécie de pílula, aqui está Satori B, não precisa de sesshin. Não tenho a menor idéia a respeito, acredito que agora temos um método; se podem surgir outros métodos, é uma discussão futura. Pode ser que sim, desde que seja possível anular toda a ilusão e partir para uma enorme clareza de consciência, através um estímulo elétrico, mas a grande questão é: você será proprietário dessa experiência? As drogas que existem hoje, como por exemplo o crack, provoca durante alguns segundos, um derrame enorme de dopamina no cérebro gerando uma sensação de felicidade e bem estar inigualáveis. Depois de experimentar essa sensação, a pessoa quer sempre voltar para lá, porque é muito poderoso. Se usarmos uma escala, comer provoca um derrame de dopamina equivalente a cinquenta. Sexo produz noventa. Não é de se admirar que as pessoas gostem de comer e fazer sexo. Mas o crack produz novecentos. Logo, a pessoa não come mais, não faz mais sexo, não trabalha, não faz mais nada, ela só fuma até morrer. Se fossemos capazes de, por meios artificiais provocar a sensação de iluminação, talvez tivéssemos um efeito completamente indesejado.
As histórias dos mestres e suas experiências de iluminação são muitas, como por exemplo, depois da primeira experiência, passar uma semana inteira rindo, sempre pulando de alegria. Ninguém que tenha essa experiência deseja retornar para a ilusão. Mas talvez essa experiência só seja válida através de grande esforço, pois quando ela é gratuita, acontecem os fenômenos que acontecem quando no uso de drogas. Não há como duvidar que os quinze segundos depois de fumar crack são maravilhosos, mas você nunca mais retornará aos primeiros quinze segundos, por que cada repetição da droga é apenas uma tentativa de voltar à primeira experiência, a intensidade da experiência cai à medida que o cérebro não consegue manter a quantidade de dopamina. O resultado é a destruição física. Pode ser que existam meios mais fáceis de se atingir o esclarecimento, o despertar, mas não conhecemos nada seguro. Tenho sérias dúvidas de que a experiência gratuita possa significar sabedoria.
Pergunta: Se não estou enganado, a Gnose tem uma droga que ajuda, ela na verdade não leva ao despertar, serviria mais para diminuir o controle exercido pela mente?
Monge Genshô – Desde as experiências de Aldous Huxley em seu livro “As Portas da Percepção” há quase cinquenta anos, especula-se que as drogas alucinógenas provocariam uma abertura da consciência. Mas tudo que nós vimos de lá para cá foi desastre. Fico então, com a regra de Buda, de dois mil e seiscentos anos atrás: os Monges devem assumir a regra de não usar nenhuma substância que altere a consciência. Buda, através da experiência pessoal, desencorajou inclusive o ascetismo radical, o jejum radical até prestes a morrer ou coisas que provoquem alterações físicas. Ele desencorajou tudo porque ele experimentou e concluiu que não levava ao esclarecimento, por isso sua proposta era de moderação, “madhyamika” - o caminho do meio. Ele não poderia ser mais taxativo ao dizer que de forma alguma, absolutamente nenhum meio artificial faz parte do caminho Budista. Saikawa Roshi me disse uma vez uma frase, “não há caminho fácil para a iluminação”. Ou seja, nem procure. Aqui na nossa Sangha, se alguém desejar um caminho como esse, deve se afastar. Porque não pertence ao caminho budista da nossa comunidade.
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
O FIM DO MUNDO
Texto de Claudio Kômyô, ordenado dia 19/12 monge noviço na Comunidade Zen de Florianópolis e já conhecido professor do Dharma e líder budista. Ele e Chudô San, Sensei de Aikidô, também ordenado no mesmo dia por Saikawa Roshi me dão a honra de orienta-los no Caminho de Buddha. É o texto certo para o dia de hoje.
A Síndrome do Armageddon
Claudio Miklos (Monge Kômyô) – Dezembro, 20, 2012
O mundo não acabou em 2012. E não acabaria, pois o fundamento desta nova delusão de morte nunca de fato existiu; não havia vaticínio Maya para o fim de seu calendário, para o fim do ciclo maior de sua bela tradição. Mas mesmo não terminando, muitos se perderam nesta onda virtual de informações confusas e manipulações esotéricas. Contudo, não me sinto feliz em apresentar estas conclusões. Pois sei muito bem que para milhões de pessoas, tolas ou ingênuas, ou apenas carentes e ignorantes, a compreensão clara e definitiva do fato de terem sido levadas a uma bizarra série de ideias mistificadoras não alcançou suas consciências – para elas, os fatos pesam menos do que as palavras bonitas, as afirmações abstrusas de personagens etéreos, criados por uma legião de pretensos profetas da Nova Era. E assim, estas pessoas continuarão se iludindo e sendo iludidas.
Tais pessoas não compreendem a delusão em que acreditam, não alcançam a nulidade pueril dos conceitos “intergalácticos”, “celestiais” ou “ascensionados” criados por pessoas tão deludidas quanto as primeiras, mas com a arrogância um tanto ridícula de pretender decifrar segredos de seres ou civilizações inventados.
Mas, à parte minha tristeza por mais uma vez constatar o quanto a humanidade sofre da endemia mental de ignorância perceptiva que priva a maioria de buscar uma verdadeira prática amadurecida em sabedoria, consciência e compreensão da vida, o que mais me deixa perplexo é perceber o impulso estranhamente recorrente que move os seres humanos para a ânsia (quase um desejo carnal) na destruição, no fim, nos fantásticos sonhos do Armageddon. Por que tantos anseiam pelo fim da Vida? Por que tantos anseiam por uma mudança externa, convenientemente fora do âmbito de suas responsabilidades pessoais de se esforçar para transformar e curar a si mesmos de forma madura, sóbria e corajosamente alerta? Por que, para que o mundo se torne “melhor”, tudo precisa acabar e todos aqueles que desprezo ou considero maus devem ser eliminados, excluídos de uma ascensão apoteótica aos céus, ou à nave espacial, ou a um novo mundo magicamente surgindo no espaço para substituir esta Terra, suja, poluída, degradada, desprezível? Tudo muito fácil, limpo e mágico.
Ou então (talvez ainda mais absurdo), por que tantos sonham com uma transformação imperceptível, inalcançável, inefável e vergonhosamente elitista dos “eleitos” aqui mesmo neste planeta, uma salvação dos que fazem parte de um estranho “clube espiritual”, que consegue enxergar uma mudança estranha e completamente incoerente de portais, eras, tempos, mentes ou – pasmem – de DNAs?
O que move a delusão espiritual? Talvez a profunda decepção com a realidade difícil e plena de sofrimentos faça com que as massas humanas busquem por qualquer um que as induzam sentirem-se especiais, mais elevadas, mais iluminadas – e finalmente, salvas de si mesmas.
É grave a ilusão que move a humanidade, e ela se torna ainda mais grave porque agora as loucuras delusórias de poucos auto-eleitos são transmitidas viroticamente e á velocidade da luz para muitos pelos tortuosos caminhos virtuais e informativos humanos. Isso torna a insanidade minúscula de pessoas perdidas em suas fantasias em uma assustadora insanidade de milhões, presas fáceis das manipulações dos programas sensacionalistas da TV, dos livros anunciadores do cataclismo universal, dos pulsos virtuais dos blogueiros esotéricos perdidos nas redes sociais. O Armageddon mais uma vez é anunciado, e mais uma vez não significa coisa alguma. A humanidade mais uma vez espera o fim do mundo, e mais uma vez ele persevera, completamente indiferente às loucuras destes primatas estranhos, que se acham capazes de entender as inumanas vozes do Universo.
Talvez, afinal, seja essa a resposta: nós seres humanos não aguentamos aceitar que a linguagem do universo nos escape, que a linguagem da própria Vida não depende de nossos vaticínios. A Vida prevalece, haja ou não humanidade.
E neste sentido, por que não celebramos a existência ao invés de recorrentemente esperarmos que ela seja destruída? Por que não anunciar bem alto e bom som: AMANHÃ A VIDA CONTINUA! Sem seres ascensionados, sem anjos ou demônios, sem alienígenas ou deuses para nos dizer o que fazer e o que irá acontecer. A Vida continua, e o mundo não vive uma Nova Era; a novidade da Vida já se apresentava e continua a se apresentar no AGORA, todo o tempo. Não é preciso consciências celestiais, anjos de luz, sábios de Shangri-la para anunciá-la.
Sejamos conscientes sem a necessidade das hordas esotéricas. Sejamos conscientes com nossos filhos e filhas, com nossos maridos e esposas, com nossos vizinhos e amigos. Sejamos conscientes com todos os seres vivos e com todas as coisas como elas são. Não é preciso construir um mundo místico para que sonhemos a Felicidade. A Felicidade precisa apenas de uma dose de alegria por viver simplesmente e em paz para que se manifeste. Sejamos felizes simplesmente existindo, sem esperar que estrelas caiam, novos tempos ocorram, mundos sejam destruídos.
Vamos simplesmente viver, sem ilusões.
A Síndrome do Armageddon
Claudio Miklos (Monge Kômyô) – Dezembro, 20, 2012
O mundo não acabou em 2012. E não acabaria, pois o fundamento desta nova delusão de morte nunca de fato existiu; não havia vaticínio Maya para o fim de seu calendário, para o fim do ciclo maior de sua bela tradição. Mas mesmo não terminando, muitos se perderam nesta onda virtual de informações confusas e manipulações esotéricas. Contudo, não me sinto feliz em apresentar estas conclusões. Pois sei muito bem que para milhões de pessoas, tolas ou ingênuas, ou apenas carentes e ignorantes, a compreensão clara e definitiva do fato de terem sido levadas a uma bizarra série de ideias mistificadoras não alcançou suas consciências – para elas, os fatos pesam menos do que as palavras bonitas, as afirmações abstrusas de personagens etéreos, criados por uma legião de pretensos profetas da Nova Era. E assim, estas pessoas continuarão se iludindo e sendo iludidas.
Tais pessoas não compreendem a delusão em que acreditam, não alcançam a nulidade pueril dos conceitos “intergalácticos”, “celestiais” ou “ascensionados” criados por pessoas tão deludidas quanto as primeiras, mas com a arrogância um tanto ridícula de pretender decifrar segredos de seres ou civilizações inventados.
Mas, à parte minha tristeza por mais uma vez constatar o quanto a humanidade sofre da endemia mental de ignorância perceptiva que priva a maioria de buscar uma verdadeira prática amadurecida em sabedoria, consciência e compreensão da vida, o que mais me deixa perplexo é perceber o impulso estranhamente recorrente que move os seres humanos para a ânsia (quase um desejo carnal) na destruição, no fim, nos fantásticos sonhos do Armageddon. Por que tantos anseiam pelo fim da Vida? Por que tantos anseiam por uma mudança externa, convenientemente fora do âmbito de suas responsabilidades pessoais de se esforçar para transformar e curar a si mesmos de forma madura, sóbria e corajosamente alerta? Por que, para que o mundo se torne “melhor”, tudo precisa acabar e todos aqueles que desprezo ou considero maus devem ser eliminados, excluídos de uma ascensão apoteótica aos céus, ou à nave espacial, ou a um novo mundo magicamente surgindo no espaço para substituir esta Terra, suja, poluída, degradada, desprezível? Tudo muito fácil, limpo e mágico.
Ou então (talvez ainda mais absurdo), por que tantos sonham com uma transformação imperceptível, inalcançável, inefável e vergonhosamente elitista dos “eleitos” aqui mesmo neste planeta, uma salvação dos que fazem parte de um estranho “clube espiritual”, que consegue enxergar uma mudança estranha e completamente incoerente de portais, eras, tempos, mentes ou – pasmem – de DNAs?
O que move a delusão espiritual? Talvez a profunda decepção com a realidade difícil e plena de sofrimentos faça com que as massas humanas busquem por qualquer um que as induzam sentirem-se especiais, mais elevadas, mais iluminadas – e finalmente, salvas de si mesmas.
É grave a ilusão que move a humanidade, e ela se torna ainda mais grave porque agora as loucuras delusórias de poucos auto-eleitos são transmitidas viroticamente e á velocidade da luz para muitos pelos tortuosos caminhos virtuais e informativos humanos. Isso torna a insanidade minúscula de pessoas perdidas em suas fantasias em uma assustadora insanidade de milhões, presas fáceis das manipulações dos programas sensacionalistas da TV, dos livros anunciadores do cataclismo universal, dos pulsos virtuais dos blogueiros esotéricos perdidos nas redes sociais. O Armageddon mais uma vez é anunciado, e mais uma vez não significa coisa alguma. A humanidade mais uma vez espera o fim do mundo, e mais uma vez ele persevera, completamente indiferente às loucuras destes primatas estranhos, que se acham capazes de entender as inumanas vozes do Universo.
Talvez, afinal, seja essa a resposta: nós seres humanos não aguentamos aceitar que a linguagem do universo nos escape, que a linguagem da própria Vida não depende de nossos vaticínios. A Vida prevalece, haja ou não humanidade.
E neste sentido, por que não celebramos a existência ao invés de recorrentemente esperarmos que ela seja destruída? Por que não anunciar bem alto e bom som: AMANHÃ A VIDA CONTINUA! Sem seres ascensionados, sem anjos ou demônios, sem alienígenas ou deuses para nos dizer o que fazer e o que irá acontecer. A Vida continua, e o mundo não vive uma Nova Era; a novidade da Vida já se apresentava e continua a se apresentar no AGORA, todo o tempo. Não é preciso consciências celestiais, anjos de luz, sábios de Shangri-la para anunciá-la.
Sejamos conscientes sem a necessidade das hordas esotéricas. Sejamos conscientes com nossos filhos e filhas, com nossos maridos e esposas, com nossos vizinhos e amigos. Sejamos conscientes com todos os seres vivos e com todas as coisas como elas são. Não é preciso construir um mundo místico para que sonhemos a Felicidade. A Felicidade precisa apenas de uma dose de alegria por viver simplesmente e em paz para que se manifeste. Sejamos felizes simplesmente existindo, sem esperar que estrelas caiam, novos tempos ocorram, mundos sejam destruídos.
Vamos simplesmente viver, sem ilusões.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Os outros seres tem sentimentos?
Em Eihei Ji há uma pequena ponte sobre um riacho que se chama Ponte do Meio-Balde, porque Dogen (Mestre Zen do sec 13) ia até lá e recolhia um balde de água, cuja metade derramava de volta. Esse era um ensinamento seu, ele dizia que devemos sempre devolver parte. Ensinava, também, que se algo sobrasse da água usada, nunca deveria ser arremessado para longe, mas colocado, cuidadosamente, perto de nós, na terra.
Esses pequenos gestos têm grande significado no Zen, pois contêm um grande ensinamento. Todas as coisas são dignas de serem tratadas com reverência, por isso, em nossa prática quotidiana, em nossas pequenas ações diárias, devemos proceder da mesma forma. O Brasil é um país com abundância de recursos, proporcionalmente à sua população. Sempre pensamos que poderíamos abusar da natureza com grande largueza, e até hoje, muitas das cidades brasileiras não têm redes de esgoto; lançamos tudo nos rios, no mar, cortamos florestas, depredando, assim, a Terra. Destruímos nosso patrimônio, pois sempre tivemos, no Brasil, essa noção de que os recursos naturais nunca vão acabar. Assim, não nos importamos, porque se onde estivermos não nos servir mais, vamos adiante e usamos o que há em outro lugar.
Em relação aos animais, costumamos pensar, na nossa civilização, que eles não são seres dignos de respeito e que não têm sentimentos. Como exemplo de quão longe já chegou esse tipo de pensamento, há uma declaração de um general americano da guerra do Vietnã que ficou célebre, pois disse que “os orientais não dão o mesmo valor à vida que nós”, para justificar que não era muito importante se alguém morresse. Num famoso documentário,Corações e Mentes, aparece esse general fazendo essa declaração, e em vez de algo ser dito, vemos a imagem de uma mãe vietnamita, chorando a morte do filho. Se tal declaração nos parece hoje absurda, quanto aos animais, estamos bastante convictos de que não possuem sentimentos da mesma forma que nós.
Caiu-me nas mãos um livro que se chama A Era da Empatia. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Segundo esse livro, experimentos com animais começam a demonstrar cabalmente o contrário. Em uma destas experiências, (detestável como muitas delas) é colocado um rato numa pequena gaiola onde, para comer, tem que apertar uma pequena alavanca. Uma vez que esteja condicionado a isso, é colocada junto à gaiola dele uma gaiola com outro rato ligado a fios. Cada vez que o primeiro rato aciona a alavanca para pegar comida, o segundo rato recebe um choque e grita de dor. Ao perceber que, para comer, o outro tem que sentir dor, o rato pára de se alimentar. Isso significa que ele se importa, de alguma maneira, com a dor do outro.
Os primatas têm comportamento assim também, muitas vezes foram registrados atos altruístas, não somente com relação a seus companheiros de espécie, mas, também, com relação a outros seres, como no caso de um chipanzé, que foi observado pegando um pássaro caído, colocando-o num galho de árvore e abrindo suas asas. O que significa isso? Ele sabe que se trata de um pássaro e sabe como esse animal se comporta. Há, portanto, registros de animais salvando vidas de outros animais e de seres humanos, às vezes até com sacrifício da sua própria vida. Isso indica que nós não somos tão especiais em termos de sentimentos e que não podemos dizer que os outros não têm os mesmos sentimentos ou que não sofrem como nós. Se até os animais têm comportamento de empatia, solidariedade e consolo, sendo capazes de consolar os que sofrem, não é surpreendente que os seres humanos tenham desenvolvido esse tipo de comportamento.
(continua)
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Declaração Pública do Colegiado Buddhista Brasileiro
Declaração Pública
O Colegiado Budista Brasileiro, entidade que congrega as principais lideranças budistas brasileiras, vem a público lamentar profundamente e repudiar veementemente a agressão violenta sofrida pela minoria budista do Bangladesh por parte de militantes extremistas islâmicos, da qual resultou a destruição pelo fogo de vários templos com seus objetos de culto e símbolos sagrados. Os budistas não respondem ódio com ódio e violência com violência, eles se limitam a lamentar compassivamente os atos insanos nascidos da ignorância e do egoísmo do ser humano e a lembrar as sábias palavras do imperador budista indiano Açoka, que proclamava que perseguir e agredir a religião alheia acarreta danos para nossa própria religião.
Com efeito, não é através dessas atitudes violentas geradas por uma minoria de extremistas que a religião muçulmana há de angariar o respeito e a consideração a que faz jus por parte da comunidade internacional, assim pedimos que os muçulmanos de bem repudiem publicamente as ações dos extremistas. Os budistas brasileiros pedem vênia aos extremistas muçulmanos para lembrar-lhes que o próprio Alcorão Sagrado ensina que "não há imposição quanto à religião" (2:256) e para recordar-lhes as belíssimas palavras com que o grande místico islâmico Ibn 'Arabi de Múrcia (1165- 1240) celebrou sua adesão ao Amor Universal que transcende todas as diferenças confessionais e sectárias:
"Oh! Maravilha-te! É um jardim entre as chamas!
Meu coração tornou-se capaz de todas as formas:
é um pasto para as gazelas, um convento para monges cristãos,
Um templo para ídolos, e a Caaba dos peregrinos,
E as tábuas da Torá e o livro do Alcorão.
Sigo a religião do Amor: não importa o rumo que tomam
os camelos do Amor, essa é minha religião e minha fé."
Colegiado Buddhista Brasileiro
Diretoria
Presidente Rev. Shaku Haku-Shin
Rev. Meihô Genshô
Dhammacariya Dhanapala
Shaku Hondaku
Claudio Miklos Kômyô
Presidente do Conselho do CBB
Rev. Prof. Dr. Ricardo Mário Gonçalves
Conselho
Lama Chagdud Khadro
Rev. Monge Rinchen Khienrab
Rev. Heyla Downey
Ven. Uttaranyana Sayadaw
Rev. Shaku Sogyo
Rev. Monja Sinceridade
Rev. Coen Sensei
Aliam-se a declaração:
- Choyu Otani (Mestres das Missões da Ordem Otani-ha)
- Rinban Kensho Kikuchi (Ministro Superior da Ordem Otani-ha no Brasil)
- Rev. Ricardo Mario Gonçalves
- Rev. Hiroshi Matsuda
- Rev. Massaharu Suguiura
- Rev. Severino Sales Silva
- Rev. Leninha Brasileiro
- Rev. Hiroyuki Higashi
- Rev. Tsuyami Ueno
- Rev. Tadao Sawanaka
- Rev. Yassuo Nakashima
- Rev. Mitsue Nakashima
- Rev. Meishi Nakazawa
- Rev. Shu Izuhara
- Rev. Linda Morimoto
- Rev. Yaeko Togawa
- Rev. Minako Iso
- Rev. Kasuro Nanao
- Rev. Margarida Nakaoka
- Yuka Kikuchi
- Rev. Seigo Nawa
- Rev. Isshin Sensei
(Todos que o desejarem podem subscrevê-la e divulga-la preservando seus termos originais)
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terça-feira, 9 de agosto de 2011
Perseguição aos budistas
Infelizmente houve perseguição ao budismo em numerosos países do oriente, e ainda há, o Tibete é um exemplo de combate institucionalizado pela ditadura chinesa contra a religião de todo um povo. No Japão e China várias vezes a acusação de "religião estrangeira" vicejou, queria-se restaurar o que fosse autóctone, como o taoísmo ou o shintoísmo. Na foto acima a perseguição moderna que surge na Coréia do Sul, este país tem atualmente 30% de cristãos convertidos, movidos pelo pensamento de combater as heresias antigas, alguns fundamentalistas tem incendiado templos e destruído obras de arte budistas, a foto (2006) é um registro de um destes tristes episódios de intolerância religiosa.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Radicais destroem estátuas budistas no Paquistão
Quando o Taleban destruiu duas estátuas budistas no Afeganistão na primavera de 2001, houve um clamor de protesto internacional. Mas incidentes similares estão ocorrendo agora no noroeste do Paquistão, onde islâmicos radicais recentemente explodiram uma escultura do Buda em plena luz do dia
Yassin Musharbash
O fenômeno é novo e desconcertante. Até mesmo o governo paquistanês o descreve com uma "talebanização"
Isso ocorre especialmente na outrora pacífica região de Swat, na qual um líder militante islâmico chegou até a proclamar a criação de um "emirado". E, assim como no Afeganistão, o ódio dos islâmicos é direcionado em parte contra os traços da antiga civilização budista que existiu na região.
Extremistas muçulmanos inspirados pelo Taleban destruíram uma importante escultura budista de 40 metros de altura e cerca de 1.300 anos de idade na região noroeste do Vale de Swat, segundo Vishaka N. Desai, diretora da Asia Society, uma instituição internacional com sede nos Estados Unidos cujo objetivo é estreitar as relações e o entendimento entre os povos asiáticos e norte-americano.
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