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terça-feira, 15 de março de 2011

Milindapanha: as perguntas do rei Menandro


VIVER OUTRAS CULTURAS


Palestra e debate com a participação de Monge Genshô

com apresentação dos livros


Milindapanha:
as perguntas do rei Menandro


(diálogo entre um filósofo grego e um monge budista)

&

Druidas, cavaleiros e deusas

Estudos medievais


de João Lupi

16 de março às 18h00
no miniauditório do CFH/UFSC – 3º piso


Contatos: lupi@cfh.ufsc.br ou (48) 99033807


Comunidade Zen Budista de Florianópolis
www.daissen.org.br

quinta-feira, 10 de março de 2011

Opiniões


1) O processo de ensino do Dharma implica que um aluno faz perguntas a um professor. Nesta etiqueta não há espaço para um debate tipo "discordo" " concordo", o que há é um esforço para esclarecer as dúvidas sobre o Dharma.
2) Não tem, para quem ensina o Dharma, nenhuma importância se as idéias são aceitas ou não, ou se alguém se afasta do budismo porque algo no Dharma não parece satisfaze-lo, tempo não faltará para que tudo se esclareça... O Dharma não será modificado por motivos de preferências pessoais e ele tem uma história razoável de 2600 anos de enfrentamentos filosóficos, sobreviver a este teste de muitas mentes brilhantes é um motivo para desconfiarmos de que há sólidos raciocínios a embasar cada declaração.
3) Desta maneira o esforço de anos de alguns professores de responder milhares de mensagens em listas e perguntas em público implica que ao perguntarmos nos colocamos na posição de saber o que o Dharma expõe. Não há , por parte dos professores que conheço, o desejo de defender alguma posição particular e pessoal, por este motivo ouvimos, aceitamos ou não, livremente, mas não tratamos de provar um ponto contrário ao Dharma. Isto seria negativo para a prática, do ponto de vista do zen em especial, pois significa a defesa de opiniões, e este desejo é considerado um dos mais negativos e geradores de mau carma, assim os professores não devem incentivar tal tipo de debate.

Resposta em lista budista em 2005.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Há divergências doutrinárias entre os budistas?


Isso é permanente na história do buddhismo, existe uma certa liberdade de pensamento que faz os monges (na foto, monges tibetanos, debatem a doutrina como um exercício de treinamento)e mestres divergirem, e quando essa divergência se aprofunda surgem novas escolas e abordagens, com o tempo a maioria dessas morre por falta de seguidores e restam alguns caminhos principais, formas de pensar que se consolidam e sobrevivem ao teste do debate. Porem é bom considerar que para o zen as idéias e palavras em si são meras sombras e não refletem, nem poderiam, a verdade última.

domingo, 3 de agosto de 2008

Como é o processo de ensino do Dharma?

1) O processo de ensino do Dharma implica que um aluno faz perguntas a um professor. Nesta etiqueta não há espaço para um debate tipo "discordo" " concordo", o que há é um esforço para esclarecer as dúvidas sobre o Dharma.
2) Não tem, para quem ensina o Dharma, nenhuma importância se as idéias são aceitas ou não, ou se alguém se afasta do budismo porque algo no Dharma não parece satisfaze-lo, tempo não faltará para que tudo se esclareça... O Dharma não será modificado por motivos de preferências pessoais e ele tem uma história razoável de 2600 anos de enfrentamentos filosóficos, sobreviver a este teste de muitas mentes brilhantes é um motivo para desconfiarmos de que há sólidos raciocínios a embasar cada declaração.
3) Desta maneira o esforço de anos de alguns professores de responder milhares de mensagens em listas e perguntas em público implica que ao perguntarmos nos colocamos na posição de saber o que o Dharma expõe. Não há , por parte dos professores que conheço, o desejo de defender alguma posição particular e pessoal, por este motivo ouvimos, aceitamos ou não, livremente, mas não tratamos de negar um ponto contrário ao Dharma. Isto seria negativo para a prática, do ponto de vista do zen em especial, pois significa a defesa de opiniões, e este desejo é considerado um dos mais negativos e geradores de mau carma, assim os professores não devem incentivar tal tipo de debate.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Foto do Debate Público sobre a questão tibetana



Da esquerda para à direita sentados: Rev Joaquim Monteiro, Prof. Tam Huyen Van, Dep. Fed. Fernando Gabeira, Ver. Aspásia Camargo, Rev. Genshô, Rev. Isshin, (está oculto , nesta foto, o Prof. F. Marcondes Vellso na extrema esquerda). O local é o plenário da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

terça-feira, 1 de abril de 2008

"Não sejas demasiado justo"

RUBEM ALVES

"Não sejas demasiado justo"

Essa encruzilhada simples entre o certo e o errado, entre o lado da vida e o da morte, só acontece nos textos de lógica
ERA UM DEBATE sobre o aborto na TV. A questão não era "ser a favor"ou "contra o aborto". O que se buscava eram diretrizes éticas para se pensar sobre o assunto.
Será que existe um princípio ético absoluto que proíba todos os tipos de aborto? Ou será que o aborto não pode ser pensado "em geral", tendo de ser pensado "caso a caso"? Por exemplo: um feto sem cérebro. É certo que ele morrerá ao nascer. Esse não seria um caso para se permitir o aborto, para poupar a mulher do sofrimento de gerar uma coisa morta por nove meses?
Um dos debatedores era um teólogo católico. Como se sabe, a ética católica é a ética dos absolutos. Ela não discrimina abortos. Todos os abortos são iguais. Todos os abortos são assassinatos.
Terminando o debate, o teólogo concluiu com esta afirmação: "Nós ficamos com a vida!"
O mais contundente nessa afirmação está não naquilo que ela diz claramente, mas naquilo que ela diz sem dizer: "Nós ficamos com a vida. Os outros, que não concordam conosco, ficam com a morte..."
Mas eu não concordo com a posição teológica da igreja -sou favorável, por razões de amor, ao aborto de um feto sem cérebro- e sustento que o princípio ético supremo é a reverência pela vida.
Lembrei-me do filme a "Escolha de Sofia". Sofia, mãe com seus dois filhos, numa estação ferroviária da Alemanha nazista. Um trem aguardava aqueles que nele seriam embarcados para a morte nas câmaras de gás. O guarda que fazia a separação olha para Sofia e lhe diz: "Apenas um filho irá com você. O outro embarcará nesse trem..." E apontou para o trem da morte.
Já me imaginei vivendo essa situação: meus dois filhos -como os amo-, eu os seguro pela mão, seus olhos nos meus. A alternativa à minha frente é: ou morre um ou morrem os dois. Tenho de tomar a decisão. Se eu me recusasse a decidir pela morte de um, alegando que eu fico com a vida, os dois seriam embarcados no trem da morte... Qual deles escolherei para morrer? Acho que a ética do teólogo católico não ajudaria Sofia.
Você é médico, diretor de uma UTI que, naquele momento, está lotada, todos os leitos tomados, todos os recursos esgotados. Chega um acidentado grave que deve ser socorrido imediatamente para não morrer. Para aceitá-lo, um paciente deverá ser desligado das máquinas que o mantém vivo. Qual seria a sua decisão? Qual princípio ético o ajudaria na sua decisão? Qualquer que fosse a sua decisão, por causa dela uma pessoa morreria.
Lembro-me do incêndio do edifício Joelma. Na janela de um andar alto, via-se uma pessoa presa entre as chamas que se aproximavam e o vazio à sua frente. Em poucos minutos as chamas a transformariam numa fogueira. Para ela, o que significa dizer "eu fico com a vida"? Ela ficou com a vida: lançou-se para a morte.
Ah! Como seria simples se as situações da vida pudessem ser assim colocadas com tanta simplicidade: de um lado a vida e do outro a morte. Se assim fosse, seria fácil optar pela vida. Mas essa encruzilhada simples entre o certo e o errado só acontece nos textos de lógica. O escritor sagrado tinha consciência das armadilhas da justiça em excesso e escreveu: "Não sejas demasiado justo porque te destruirás a ti mesmo..."