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sexta-feira, 10 de abril de 2015

TIRANDO O FOCO DA IMAGINAÇÃO



Pergunta: Pode meditar com os olhos fechados em alguns momentos da prática? 
Monge Genshô – Não é bom. Com os olhos fechados você tende a viajar mais, e é mais fácil adormecer. Então, é melhor meditar com os olhos abertos, mas não foque nas coisas. Uma vez, um amigo que sentou num sesshin, disse assim: “Eu vi nesta parede tantos desenhos”. Ele olhava pra parede e dizia, “ah, olha ali um cavalo!” Então, não é para usar a parede como uma tela. Em geral, no Zen, nós usamos a parede branca, e se você olhar sem focar, está resolvido.
Então é manter os olhos cerrados para baixo, o suficientemente abertos para você ver que está aqui neste lugar. É este lugar onde eu estou, não é outro. Se eu fechar os olhos posso ir pra China, pois na minha imaginação tudo pode acontecer. Então os olhos abertos nos ajudam a manter-nos ancorados na realidade, esta realidade de agora. Isso porque nós não queremos nada de fantástico, nós queremos é a realidade.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Mantendo o foco


(continuação)
Monge Kômyô: Uma memória do passado, ou um planejamento, ou uma expectativa do futuro, isso nós podemos prender algo e pensar e focar naquilo. Podemos pensar num momento que nós vivemos no passado e ficar presos nisso. Podemos projetar alguma coisa que nós queremos no futuro e ficarmos presos nisso. Esse é o problema de se deixar levar pelo passado ou pelo futuro. Quando a nossa mente faz isso, perdemos o estabelecimento da concentração e da clareza. E estamos agora perdidos em lembranças do passado, anseios pelo futuro. Durante o zazen, é muito comum. Estamos lá e aí começa a sentir algum incômodo, alguma dor... Quase sempre, grande parte das pessoas pensa assim: “Pô, esse sininho não vai tocar logo? Cadê, cadê? Acabou o tempo não?” Quando isso se manifesta em nossas mentes, não se sintam culpados. Isso é natural. Mas observem. É um sinal de que a mente de vocês já se desconcentrou. Vocês já não estão mais no agora. No agora, não tem sininho ou não sininho. Não tem fim de tempo ou início de tempo do zazen. Só tem o agora. Agora. Agora. Agora. Quando nós perdemos esse foco, os nossos fardos, os nossos condicionamentos entram pra dominar. E aí a prática se torna muito mais difícil.

 Em relação ao kinhin, (meditação andando)    é uma coisa muito comum... Durante o kinhin, muitas pessoas tendem a achar que o conceito fundamental do kinhin em um espaço fechado... significa muito lento ao caminhar. Mas não é isso. O ritmo do kinhin é o ritmo da nossa respiração. Porque também o kinhin é zazen. Também estamos praticando o agora. Então no kinhin, nós estamos lá na postura... inspiramos, damos um passo. Expiramos, jogamos o peso do corpo. Inspiramos, damos o outro passo. Expiramos, soltamos o peso do corpo. Colocamos o corpo para frente, para manter o equilíbrio. E assim nós continuamos. Não é necessário ser muito lento e passar várias respirações em um passo. Na verdade, o kinhin ideal seria uma respiração, um passo. À medida que nós nos concentramos na respiração e no passo, o nosso caminho se torna naturalmente tranqüilo. Não lento. É tranqüilo. Ao fazer o kinhin, é preciso mostrar à nossa mente condicionada que nós não temos que chegar a lugar nenhum. Ninguém tem que ficar ansioso para chegar a algum lugar. Mas também não é para ficar parado, com medo de andar. Mais uma vez é o caminho do meio.

 Quando você dá o primeiro passo, você pensa “eu cheguei”. Quando você completa o segundo passo, o próximo passo, você pensa “eu estou em casa”. E assim você vai. Eu cheguei, eu estou em casa. A idéia é colocar a mente focada que a cada passo nós já chegamos. Não há nenhum lugar para se chegar, não há nenhuma meta. A cada passo, nós já chegamos onde nós temos que estar.  Durante o trabalho meditativo em si, seja no zazen sentado, no kinhin, seja durante todas as outras nossas atividades, a atenção, a observação dos nossos gestos, nossos pensamentos, nossos sentimentos é o foco. E aí nós entramos em outros aspectos do sesshin que também são zazen. (continua)

terça-feira, 19 de março de 2013

O conhecimento



Pergunta: - E o conhecimento? E universos paralelos?

Monge Genshô – O conhecimento em si, você tem sentado ao seu lado um professor de física, mas esse conhecimento não produz a realização espiritual, aliás Nem o conhecimento sobre o Zen produz a realização. A iluminação em si é uma visão que é produzida através da meditação, é sofrendo sentado na almofada que podemos obter a libertação. A realização puramente através de algum conhecimento, pode vamos dizer, aproximar, melhorar as visões da humanidade mas não produz realização espiritual.

 O conhecimento produz o poder do próprio conhecimento. E que, pode, sim, dependendo da mente que usou, ser maravilhoso ou não. Eu sempre explico isso, facas são armas, mas também instrumentos para passar manteiga no pão. Uma faca não é uma coisa ruim. Pode ser uma arma para a mente que a veja como arma e um instrumento de alimentação para a mente que a olhe dessa forma. O significado é produzido pela mente que vê. Então, a existência ou não de universos paralelos é irrelevante para nós. Buda responderia assim – Para nós agora do Dharma, como as perguntas de causas primeiras, esses conceitos não ajudam e o budismo se concentra naquilo que ajuda para diminuir o sofrimento. Por isso o budismo jamais se comprometeu com qualquer coisa como ideologias políticas, sistemas econômicos ou confessar e aprovar idéias científicas, isso é irrelevante para o budismo. O budismo tem um foco, a libertação dos homens.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Em que se concentrar


P: No zazen devo me concentrar em que?

R: No zazen não se concentre na respiração nem em coisa alguma, deixe que esta torne-se natural, conserve os olhos abertos para ficar presente a este lugar e momento, fechados é mais fácil deixar-se levar por fantasias. Não observe nada, quando há um observador existe alguem aqui e um objeto de observação, portanto um eu que se sente separado , fique no momento sendo um com todas as coisas.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Foco no zazen


P: Existe foco de atenção na meditação zazen? Se existe, qual?

Pode haver sim, principalmente no início. Usa-se mais de uma técnica. Pode-se começar com a técnica de atentar para o numero de respirações, contando-as, mais tarde isto deve ser abandonado em favor de um procedimento natural de respirações profundas. No caso de distrações pode-se usar sistemas como o de interromper a expiração quando a mente se dispersa, por um segundo cada vez que isto ocorre, o chamado método do bambu. Pode-se concentrar a atenção nos sons circundantes, apenas ouvindo-os sem considerações quaisquer. Em todos esses casos há um foco. Porém quando se atinge samadhi, uma concentração profunda, apenas se fica sentado sendo um com tudo, sem julgamentos e sem esforço, por esta razão a prática é sem esforço, mas isto só se atinge com esforço. Então o zazen usa foco de atenção para chegar ao ponto de não usar nenhum foco.