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quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Ensinamento é útil mas não é o zen
P: Qual o papel da arte no pensamento Budista?
Monge Genshô – A arte é uma expressão humana. As artes foram e ainda são muito influenciadas pelo Zen. As artes marciais, artes plásticas e tantas outras sofreram forte influência do Zen. No Japão isso é muito marcante no Ikebana, nas artes marciais etc. todos fortemente influenciados pelo Zen. Muitas dessas artes foram introduzidas por mestres Budistas como meio hábil para ensinar o Zen usando a estética, usando algo palpável.
O Zen é muito influente principalmente nas artes chinesas e japonesas. Existe uma grande procura por espontaneidade. A arte dessa camiseta, por exemplo, é facilmente identificável, um homem sentado meditando frente à lua. Esse tipo de arte é feita num único traço onde não existe espaço para correções, tem que ser uma pincelada perfeita. A arte Zen é assim, espontânea e minimalista, tentando mostrar uma mente se expressando em um momento único, sem correções e disfarces.
P: Isso é como o sumi-ê. Quando fiz um curso de sumi-ê a professora disse que não pode haver correções, os traços devem ser únicos e firmes. Então perguntei como fazer para não cometer erros? Ela disse: treinando.
Monge Genshô – Exatamente, treinar até conseguir expressar sem correções. É como uma palestra sobre Zen como essa, ela não foi preparada, não existem perguntas elaboradas e ensaiadas para que as respostas saiam certas. As respostas devem sair naturalmente. Ou está pronto ou não está.
P: Mas existem métodos, como hoje fizemos zazen...
Monge Genshô – Exato, o Budismo em sua essência é um método. Cada escola tem o seu. O Zen enfatiza o método do sentar em silêncio, logo, o método predominante do Zen é o zazen, a meditação sentada e silenciosa. Se você tirar o zazen, deixa de ser Zen. Muitas pessoas pensam que sabem muito sobre o Zen porque leram muito livros, mas não sabem nada. Isso é como alguém que diz que sabe piano. Quando perguntado se toca ele responde, “Não, mas já li muitas partituras e biografias dos compositores”. O Zen é assim, você senta e faz o Zen, a explicação é interessante, mas não é o Zen.
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sábado, 7 de julho de 2012
Satisfação no jogo da vida
Pergunta: Eles estão procurando satisfação?
Resposta: Sim, é verdade, é isto, eles estão procurando satisfação no próprio jogo. A satisfação no jogo é impossível porque sempre tem alguém que tem mais do que você e você quer subir para o próximo degrau. Cada vez que você sobe um degrau tem um outro degrau acima. Elas não sabem como escapar disto. Quando você pergunta para alguém que tem uma lancha, como ele se sente, ele sempre mostra outro que tem uma lancha maior, um iate. Em si nós não podemos dizer que o carro, o iate ou qualquer bem é mau. Todo o motivo da infelicidade está na insatisfação. Não está no bem em si. O bem em si ele é neutro. Nem bom nem mau. É a sua mente que faz a diferença. Se você tiver um carro está feliz com ele, está bom. Mas se você espera obter a felicidade ao ter um carro, vai se frustrar, porque a felicidade não vem dele e sim da mente com que você vive.
Então a felicidade é interna, se estiver satisfeito está tudo bem. Se tiver ambicionando sem fim então estarei eternamente insatisfeito porque não alcancei, porque não vou alcançar, porque nenhuma dessas coisas é permanente, elas têm a marca da impermanência, todas elas se destruirão, todas elas se acabarão. Até nós mesmos olhamos para os nossos corpos, e normalmente é bem típico isto, nós olhamos para os corpos e dizemos não estou satisfeito com o meu corpo, então eu quero modificá-lo. Então fazemos operações plásticas e vamos mudando o corpo e pode até chegar ao ponto de transformar uma pessoa em uma coisa feia que ela não pretendia antes ficar, todo plastificado ou um nariz que não combina mais com o rosto. É a mesma coisa de um bem. A plástica em si, intrinsecamente, ela não é ruim. Não tem algo que você possa dizer: ah está errado fazer isto.O que é ruim é a mente de não estar satisfeito e de estar sempre procurando um aperfeiçoamento, porque ela não tem fim. A pessoa faz uma plástica e depois faz outra, outra e se tiver dinheiro pode fazer uma centena e ficar irreconhecível para si mesmo. A questão é onde está a satisfação?
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