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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Aponte o Caminho


Quando curiosamente te perguntarem, buscando saber o que é Aquilo,
Não deves afirmar ou negar nada.
Pois o que quer que seja afirmado não é a verdade,
E o que quer que seja negado não é verdadeiro.
Como alguém poderá dizer com certeza o que Aquilo possa ser
Enquanto por si mesmo não tiver compreendido plenamente o que É?
E, após tê-lo compreendido, que palavra deve ser enviada de uma região
Onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde possa seguir?
Portanto, aos seus questionamentos oferece-lhes apenas o silêncio,
Silêncio - e um dedo apontando o Caminho.

Verso Zen

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

ALÉM DAS PALAVRAS


Pergunta – O Zen é meditação, certo? Ele é um corte, axiológico do próprio budismo. Só que ele tem um caminho próprio dele, o senhor falou aí no aspecto da ortodoxia. Inclusive o Zen é uma divisão, e o senhor fez uma analogia entre o judaísmo e o cristianismo, só que o cristianismo tem um livro próprio, e seus próprios princípios cristãos, que foram escritos, etc, então porque o Zen ainda é indexado ao budismo, se ele manteve a linha própria dele?  Porque ele tem fundamentações para andar sozinho. O Senhor mesmo colocou que os papéis são simplesmente coisas explícitas, escritas, e o tácito, o não escrito, é a base do Zen, então porque o Zen Budismo, não é somente o Zen?

Porque o Zen, do ponto de vista do Zen, é budismo. Eihei Dogen, fundador da nossa escola no Japão disse: isso é budismo, esses são os ensinamentos de Buda. Quando Buda ensinou, ele não escreveu textos. Os textos só foram escritos 3 séculos depois da morte de Buda por compilação de memorização oral, embora muito cuidadosa. Aliás, esses grandes líderes espirituais do passado, têm essa semelhança.  Cristo também não escreveu nada. Os evangelhos foram escritos décadas depois da morte dele em língua diferente da que ele falou, praticamente todos eles foram escritos em grego.

O budismo diz que o Zen consiste na transmissão de Buda para Mahakashiapa, porque ele levantou uma flor, numa assembleia sem dizer uma palavra e Mahakashiapa sorriu, e então ele disse: “Mahakashiapa foi o único que entendeu” o verdadeiro ensinamento, a verdadeira transmissão, é uma transmissão além das escrituras.

O Zen tem muitos textos? Tem, mais que qualquer outra escola. Os professores estão sempre falando? Sim, sempre falando, e dando palestras. Eu perguntei para meu mestre, “por que falamos tanto”? E ele disse: “porque isso é tudo que nós temos”. Não temos outra maneira de transmitir, além da palavra, dos livros, dos ensinamentos. Então o Zen quer dizer: “nós somos o ensinamento, aquele de Buda para Mahakashiapa”.

Surgiram muitas escolas, dos mais variados tipos, elas têm sentido? Tem, porque as pessoas são diferentes. Há pessoas devocionais, há pessoas estudiosas, há pessoas que querem se remeter ao significado das palavras originais, todas essas escolas têm suas virtudes. O Zen também tem suas virtudes ao querer voltar à prática original de Buda - Buda sentou em zazen, então nós vamos sentar em zazen. Se Buda sentou nessa postura, então vamos sentar nessa postura, porque nós vamos imitar Buda. Essa é a essência do Zen. Mas ela serve para todo mundo? Não, não serve para todo mundo. As escolas budistas são necessárias porque as pessoas são diferentes. As outras religiões também são necessárias, porque as pessoas são diferentes. Existem pessoas que precisam trilhar aquele outro caminho, e por isso essa diversidade não é pobreza, é riqueza.

Porque o Zen precisaria seguir o seu caminho, afinal de contas cada mestre segue o seu, os alunos seguem o mestre que querem! Então já existem múltiplos caminhos, certo?

segunda-feira, 6 de abril de 2015

SUBINDO A MONTANHA

Pergunta: Como faço para aprofundar mais a prática, o caminho?

Monge Genshô: Tem uma imagem bastante interessante que é assim: você tem uma montanha para subir, aí você quer um caminho espiritual. Escolha um caminho espiritual e comece a trilhá-lo seriamente. Agora, se começou a subir a montanha e olha para o outro lado e vê outra trilha mais bonita. Sai da trilha e vai para a outra. Quando está na outra, vê mais outra e muda para lá. Assim não sobe a montanha. Porque você não faz outra coisa se não experimentar trilhas. Não é assim. Você não atinge uma graduação na faculdade mudando de curso. Faz dois meses de um curso, depois muda para outro, outro, outro. Muda quatro ou cinco cursos e não termina nenhum. Não é diferente do praticante espiritual que vive como uma borboleta, trocando de lugar, tentando treinar de forma diferente. 

Caminho espiritual a sério é: escolha seu professor. Mesmo. Normalmente a escola vem junto. Você não escolhe a escola e depois o professor. Normalmente você encontra seu professor aí então treina naquela escola. Treina até ultrapassar o professor. Um bom professor quer que você seja melhor do que ele, e não menos do que ele. Não fica tentando controlar você, mandando, tentando reter os alunos, não tem ciúmes dos alunos, não pretende enriquecer com alunos, nada disso. Procure um professor que você olhe para ele e diga "ah, isto eu admiro". E não espere ver uma pessoa perfeita. Se Jesus Cristo parecesse perfeito, os soldados romanos não conseguiriam cuspir ou bater nele com chicotes. Se Buda parecesse perfeito, não teria alunos que se revoltaram contra eles, quiseram sair, fazer outro grupo, fazer fofoca. Até um tentou matá-lo uma vez. Não seria assim.

Os mestres também estão trilhando o caminho e eles podem ajudar a você. "Eu andei essa trilha até tal lugar, cuidado, nesse lugar você precisa usar tênis. Naquele outro ali, precisa de um bastão. Leve corda para tal trecho." Esse é o guia que pode ajudar você. Mas quem não trilhou um caminho não pode ajudar ninguém. E se você olhar com atenção, vai ver que existem muitos surgimentos de professores que a única coisa que têm é a imagem, que tentam construir imagem. Hoje ficou fácil. Pode pegar o nome de qualquer um e colocar o nome na internet. Pronto. Assim você vai saber. Se pegar um professor como o Dalai Lama (Escola Tibetana), você vai ver que escreveu ensinamentos e 99% do que se fala dele é bom. Agora, se você pegar alguém e metade das pessoas fala bem e outra metade fala mal, vá embora. Procure um professor mais sólido.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Trocar de caminho


Aluno: Como faço para aprofundar mais a prática, o caminho?

Monge Genshô: Tem uma imagem bastante interessante que é assim: você tem uma montanha para subir, aí você quer um caminho espiritual. Escolha um caminho espiritual e comece a trilhá-lo seriamente. Agora, se começou a subir a montanha e olha para o outro lado e vê outra trilha mais bonita. Sai da trilha e vai para a outra. Quando está na outra, vê mais outra e muda para lá. Assim não sobe a montanha. Porque você não faz outra coisa se não experimentar trilhas. Não é assim. Você não atinge uma graduação na faculdade mudando de curso. Faz dois meses de um curso, depois muda para outro, outro, outro. Muda quatro ou cinco cursos e não termina nenhum. Não é diferente do praticante espiritual que vive como uma borboleta, trocando de lugar, tentando treinar de forma diferente.

Caminho espiritual a sério é: escolha seu professor. Mesmo. Normalmente a escola vem junto. Você não escolhe a escola e depois o professor. Normalmente você encontra seu professor aí então treina naquela escola. Treina até ultrapassar o professor. Um bom professor quer que você seja melhor do que ele, e não menos do que ele. Não fica tentando controlar você, mandando, tentando reter os alunos, não tem ciúmes dos alunos, não pretende enriquecer com alunos, nada disso. Procure um professor que você olhe para ele e diga "ah, isto eu admiro". E não espere ver uma pessoa perfeita. Se Jesus Cristo parecesse perfeito, os soldados romanos não conseguiriam cuspir ou bater nele com chicotes. Se Buda parecesse perfeito, não teria alunos que se revoltaram contra ele, quiseram sair, fazer outro grupo, fazer fofoca. Até um tentou matá-lo uma vez. Não seria assim.

Os mestres também estão trilhando o caminho e eles podem ajudar a você. "Eu andei essa trilha até tal lugar, cuidado, nesse lugar você precisa usar tênis. Naquele outro ali, precisa de um bastão. Leve corda para tal trecho." Esse é o guia que pode ajudar você. Mas quem não trilhou um caminho não pode ajudar ninguém. E se você olhar com atenção, vai ver que existem muitos surgimentos de professores que a única coisa que têm é a imagem. Hoje ficou fácil verificar. Pode pegar o nome de qualquer um e colocar o nome na internet. Pronto. Assim você vai saber. Se pegar um professor como o Dalai Lama (Escola Tibetana), você vai ver que escreveu ensinamentos e 99% do que se fala dele é bom. Agora, se você pegar alguém e metade das pessoas fala bem e outra metade fala mal,  há muitas controvérsias, vá embora. Procure um professor mais sólido.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Trilha zen do Gravatá na Praia Mole



Fotos de Jussara Peccini (veja mais fotos no álbum)

Compartilhamos com todos as fotos da Trilha do Gravatá do último dia 7 de setembro. Aqueles que participaram da trilha e que tiverem fotos, podem contribuir com este álbum, basta envia-las para o email: trilhazen@gmail.com que publicamos.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Trilha zen na Lagoa do Peri



Foto de praticantes de Florianópolis que neste fim de semana participaram da Trilha da Lagoa do Peri.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Lixo e a trilha em Cambirela




A foto da borboleta é da bióloga e fotógrafa Silvia, e a do grupo de Michel Seikan, a trilha foi realizada por um grupo da Comunidade Zen Budista de Florianópolis na cachoeira do monte Cambirela perto de Florianópolis. As fotos de Silvia podem ser vistas aqui
Durante a trilha, liderada pelo organizador destas atividades na sangha, Yokô San, o grupo recolheu apreciável quantidade de lixo, deixada pelos trilheiros descuidados do meio ambiente, as fotos de Michel Seikan estão aqui

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Misturas de trilhas


P: O Sr. acha impróvavel que alguém consiga a liberação tendo influências mistas? Falo de um buscador sincero que entenda que muitas tradições ensinam o desapego e a existência de uma "outra perspectiva". No meu entendimento, o Cristianismo (quando realmente compreendido) e o Hinduísmo (Advaita Vedanta) também ensinam o Dhamma. Gostaria de saber sua opinião.

R: Acho mais provável quando a senda que a pessoa segue não é uma “salada” de diferentes coisas, a moda atual de pegar o que se gosta de cada lado criando uma mistura sem coerência filosófica, a imagem é que subir uma montanha se faz por uma trilha, não seguindo pedaços de trilhas, e, sim, tenho certeza que pessoas no cristianismo e no vedanta , por exemplo, podem atingir a iluminação.
No entanto tenho sérias dúvidas sobre pessoas que pegam pedaços de cada coisa e fazem sua própria colcha, ou de divulgadores pop que fazem do caminho espiritual um show. Sim, o Dharma não é exclusividade do budismo, se fosse os Budhas não o achariam por si. Veja que não nego a posssibilidade da seriedade de buscadores que criam seu próprio sistema alcançarem a liberação, mas a experiência mostra demasiadas imposturas entre esses.