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segunda-feira, 6 de abril de 2015

SUBINDO A MONTANHA

Pergunta: Como faço para aprofundar mais a prática, o caminho?

Monge Genshô: Tem uma imagem bastante interessante que é assim: você tem uma montanha para subir, aí você quer um caminho espiritual. Escolha um caminho espiritual e comece a trilhá-lo seriamente. Agora, se começou a subir a montanha e olha para o outro lado e vê outra trilha mais bonita. Sai da trilha e vai para a outra. Quando está na outra, vê mais outra e muda para lá. Assim não sobe a montanha. Porque você não faz outra coisa se não experimentar trilhas. Não é assim. Você não atinge uma graduação na faculdade mudando de curso. Faz dois meses de um curso, depois muda para outro, outro, outro. Muda quatro ou cinco cursos e não termina nenhum. Não é diferente do praticante espiritual que vive como uma borboleta, trocando de lugar, tentando treinar de forma diferente. 

Caminho espiritual a sério é: escolha seu professor. Mesmo. Normalmente a escola vem junto. Você não escolhe a escola e depois o professor. Normalmente você encontra seu professor aí então treina naquela escola. Treina até ultrapassar o professor. Um bom professor quer que você seja melhor do que ele, e não menos do que ele. Não fica tentando controlar você, mandando, tentando reter os alunos, não tem ciúmes dos alunos, não pretende enriquecer com alunos, nada disso. Procure um professor que você olhe para ele e diga "ah, isto eu admiro". E não espere ver uma pessoa perfeita. Se Jesus Cristo parecesse perfeito, os soldados romanos não conseguiriam cuspir ou bater nele com chicotes. Se Buda parecesse perfeito, não teria alunos que se revoltaram contra eles, quiseram sair, fazer outro grupo, fazer fofoca. Até um tentou matá-lo uma vez. Não seria assim.

Os mestres também estão trilhando o caminho e eles podem ajudar a você. "Eu andei essa trilha até tal lugar, cuidado, nesse lugar você precisa usar tênis. Naquele outro ali, precisa de um bastão. Leve corda para tal trecho." Esse é o guia que pode ajudar você. Mas quem não trilhou um caminho não pode ajudar ninguém. E se você olhar com atenção, vai ver que existem muitos surgimentos de professores que a única coisa que têm é a imagem, que tentam construir imagem. Hoje ficou fácil. Pode pegar o nome de qualquer um e colocar o nome na internet. Pronto. Assim você vai saber. Se pegar um professor como o Dalai Lama (Escola Tibetana), você vai ver que escreveu ensinamentos e 99% do que se fala dele é bom. Agora, se você pegar alguém e metade das pessoas fala bem e outra metade fala mal, vá embora. Procure um professor mais sólido.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Zen, uma escola instantaneísta



Palestra Zazenkai Brasília – sábado a tarde
Novembro de 2014
Monge Genshô


Queria conversar com vocês sobre uma tendência, que existe em parte do Zen moderno, que é de desconsiderar a iluminação. Primeiro, acho que isso é uma coisa que existe dentro do budismo há muito tempo, como falamos hoje de manhã, sobre escolas que desistiram da iluminação nessa vida. Mas o Zen não. O Zen tem a idéia de que a iluminação é possível agora, nesse instante e por isso as escolas que têm essa posição chamam-se “escolas instantaneístas”. Existem escolas que propõem um caminho rápido, como dizer que em sete vidas, você conseguirá a iluminação. No Zen a proposta é agora mesmo, nesta vida.

 Outras dizem, "nessa vida impossível”. Vamos praticar para renascer em condições mais favoráveis.  Muitas vezes a gente brinca no Zen, "estou desistindo daqui, quero ir logo para a terra pura porque aqui não dá". Mas nós não estamos na terra pura.

E existem as escolas instantaneístas, que são as escolas como a Rinzai, a escola Soto do budismo Zen que dizem: "Não, nada mudou, nós somos como Buda. Temos corpos como Buda. Se Buda foi capaz de acordar, nós somos capazes de acordar, agora." Trata-se de treinar adequadamente, de realmente procurar denodadamente a iluminação. Mas dentro do próprio Zen, apareceu um movimento que eu diria que é um pouco conformista. Ele diz assim: "a prática é a iluminação". É uma frase de Dogen. Só que na  interpretação de minha linhagem, o que Dogen quis dizer foi que quando você já está praticando, não tem que sair procurando a iluminação.

Quando você senta “ambicionando” a iluminação, a iluminação torna-se impossível, porque tem a ambição de se iluminar e, portanto, de ser melhor do que os outros, obter uma coisa que os outros não conseguiram. Enfim, é um sofisticado materialismo,  o chamado materialismo espiritual. Quero uma coisa para mim, uma jóia que os outros não têm, quero a iluminação. Estou praticando para obter isso. Como  estou praticando para obter algo, então esta ambição é uma ambição egóica. É para mim, para o meu eu.

Por isso, é tão importante o aluno sentar e desistir de si mesmo. Praticar sem objetivo. Eihei Dogen insistiu nesse ponto, ele disse assim: "quando você senta, já é a iluminação". Isto é, a prática É a iluminação. Entendam que isto é um meio hábil, um truque de linguagem para dizer, "pare de ser ambicioso". Porque na verdade a pessoa tem que sentar e praticar, se dedicar a todos os outros seres e não a si mesmo. Então você tem que sentar sem o orgulho de querer sentar bem, sem querer mostrar que você é melhor praticante que os outros, sem querer usar uma roupa que o distinga dos outros. Ou fazer rituais com perfeição para os outros verem.Tem que desarmar essas ambições. Se não nós vamos acabar virando um “Zen ostentação”. Vão fazer rakusus bordados de ouro, com fio dourado, colocar pedrinhas, condecorações no rakusu.  (continua)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Competições





(Continuação)
As guerras só existem porque os homens acreditam nelas, e acreditam na maldade do outro. Eu não vou dizer que essa maldade não exista, mas o que a sustenta  é a crença na identidade. Se não houvesse crença nas identidades, não haveriam guerras. Não precisaríamos temer os outros, bastaria esquecer que somos diferentes. As identidades de raça, de religião, xiitas, sunitas, cristãos, basta as esquecer e as guerras terminariam. Se entrarmos em guerra contra a Argentina, e houver invasões, essa guerra só existiria porque acreditamos que somos brasileiros e eles acreditam que são argentinos, o que é absolutamente tolo, não tem sentido nenhum. A guerra das Malvinas foi assim, entre Argentina e Inglaterra, “eu quero essas ilhas”. E a Inglaterra não queria ter seu orgulho desafiado e a Argentina queria possuir aquelas ilhas, e, por causa disso, morreram centenas de pessoas inutilmente, por pura vaidade e orgulho. Absolutamente desnecessário.

Mesmo se nós entrarmos nas religiões e mesmo no Zen, vamos ver pessoas que dizem “meu aluno”, “meu grupo”. Monges que caem nessas armadilhas, “minha escola”, “minha linhagem”, não é? Isso é bobagem, completa tolice, porque não pode existir um “minha” aqui neste mundo, nem um “meu”. É inútil. Competição sem sentido.

 Então na realidade, temos que concordar com o outro. Ah, ele acha que tem o “Deus verdadeiro”. Ah, sim. Qual é a resposta budista se alguém diz “meu Deus é verdadeiro”? A resposta budista é: “Ah sim, na minha terra tem muito isto de Deus verdadeiro.” “Não, mas o MEU Deus é verdadeiro”. “Ah, aqui no budismo também ocorre isto de o NOSSO é verdadeiro.” “Não mas o meu é o ÚNICO verdadeiro”. “Ah, nós também temos muitos deuses ÚNICOS e verdadeiros.” Até o interlocutor achar que está falando com um louco não é? “Você é louco”. “É, realmente, às vezes me sinto assim mesmo. Não tem problema.” E fim. (continua)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Satori


 (continuação)
No entanto esta experiência "iluminada" se perde com grande facilidade e qualquer pequeno incidente faz com que ela desapareça. Por isso fazemos uma distinção entre o “kenshô” que é fugaz e a iluminação verdadeira que chamamos “Satori”. “Satori” é ter atingido um estado tal em que esta experiência está disponível sempre. Você pode chamar quando quiser e ela irá lhe invadir. Não que isso seja algo sobrenatural, apenas você aprendeu como fazer a sua mente se comportar daquela forma e quando você faz isso, se dissolvem as distâncias entre sujeito e objeto, entre “eu” e os outros ou entre mim e as coisas. Passa a existir uma identidade entre o “eu” e todas as coisas e é como se o “eu” tivesse desaparecido e essa sensação de totalidade e plenitude é profundamente feliz.

Essa sensação possui algumas características interessantes, como por exemplo, ao atingir esse estágio nenhuma pergunta fica sem resposta, não existem dúvidas, dissolvem-se as divisões sectárias entre religiões ou crenças onde todas parecem ter um aspecto apreciável e compreensível e por isso surge grande paciência, tolerância e compreensão. Nós praticamos zazen porque é a prática de nossa linhagem, que é focada na iluminação. Já falei algumas vezes que mesmo em nossa escola essa prática não é a mais comum, pois algumas pessoas estão focadas nas cerimônias e demais práticas formais, julgando ser isso todo o verdadeiro Zen. ( O dito "a prática é a iluminação" tem sido distorcido para significar que quem executa cerimônias está fazendo tudo e neste ato está vivendo a própria iluminação e de resto pode viver como quiser.)As práticas formais são  técnicas ou métodos para despertar um espírito que facilite o surgimento desta percepção, mas esta exige um treinamento da mente e por isso treinamos uma forma de meditação que pode até ser desconfortável para o corpo, mas o despertar não virá sem este acesso. Não se trata de fé ou crença e sim de experiência, portanto tudo que posso lhes dizer é que testem e experimentem e, se vocês tiverem uma pequena experiência, saberão que a grande experiência é possível. Nosso foco é a grande experiência.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Samatha e Vipassana unidos


(Continuação)
Ven. Dhammadipa:   Mas como praticar então? O primeiro passo seria diferenciar e separar o nome da experiência em si e entender que não há existência própria nas coisas. Dessa forma, veremos essas diferenciações como uma ilusão. Isso é uma introdução aos ensinamentos do Yogacara. Não vou me estender muito, pois esse é um assunto vasto, o melhor é ter uma experiência Zen, pois o assunto do Abhidharma é muito vasto e complexo. Passei muito tempo estudando o Abhidharma, é muito fascinante e profundo, mas não é necessário que alguém o estude de forma tão profunda, mas essas idéias são importantes para a devida compreensão do Zen. O Budismo é Samatha e Vipassana e quando praticamos Yoga com um sentido de Budismo, tudo que fazemos deve estar relacionado com Samatha e Vipassana. Isso também é a base da prática Zen.

Nos primórdios do Budismo existia uma tendência a separar Samatha de Vipassana, mas o Mahayana enfatiza a prática de Samatha e Vipassana juntas. Nos tempos antigos do Budismo, tanto o Mahayana como Hinayana se focavam nos estágios profundos de concentração para depois usá-los para praticar Vipassana. O Mahayana enfatizou a experiência direta nas coisas tais como são.

Comentário: Existe uma palavra no português para isso que é “Talidade”: as coisas tais como são.

(Continua)

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A Escola Yogacara e o Abhidharma


(continuação)
A Escola do Yogacara está baseada no Abhidharma e ele ensina a verdadeira característica dos objetos de nossa experiência. Quando analisamos os objetos de nossa experiência e a nossa experiência em si, percebemos que de fato a natureza dos objetos pode variar muito, por exemplo, as pessoas são muito apegadas a coisas como dinheiro. Quando vocês vêem uma nota de cem reais, reagem de forma diferente de quando vêem uma nota de dois reais. Para o cachorro preto do Sensei Genshô, não há diferença entre uma nota de cem e uma nota de dois reais, mas na realidade ele está experenciando a mesma coisa. Está experenciando a cor, experenciando a forma e, quando encosta seu focinho na nota poderá senti-la lisa e macia.

Da mesma forma que nós, quando ele levantar a nota, poderá senti-la leve. Mas a experiência dele é diferente, pois ele tem um conceito completamente diferente do nosso. Quando um cachorro vê um osso com restos de carne, seu rabo começa a abanar, mas nós vemos esse mesmo osso e podemos sentir repulsão. O Abhidharma estuda o verdadeiro conteúdo de nossas experiências, de fato ele é o mesmo para todas as criaturas, nós apenas o vemos diferente em razão de nossos conceitos diferentes.

De acordo com o Abhidharma, nós apenas vemos a impermanência momentânea de todos os fenômenos e de todas as experiências. Depois de você ter analisado as características, por exemplo, da terra, como dureza, maciez, leveza ou peso, são essas as características experienciadas e não outras. Da mesma forma, quando experienciamos o fogo, iremos experienciar a temperatura e nada mais, e isso será o mesmo para todas as criaturas. Esses são de fato os verdadeiros conteúdos de nossas experiências.

Mas não estamos apegados de fato à esses conteúdos, estamos, na realidade, apegados aos conceitos que criamos dessas coisas. Como esse copo, ele possui uma cor, uma forma e uma dureza. Ao tocá-lo eu experiencio um conteúdo frio porque minha mão está mais quente, isso é algo relativo, mas aparenta ser sempre o mesmo. Sempre que eu perceber o copo, irei experimentar esses elementos, mas não irei me apegar a isso e sim aos conceitos relacionados ao copo, como por exemplo, o fato de ser um belo copo do Japão. Isso é igual para todos os tipos de formas, como casas, carros e outros objetos, sempre iremos nos apegar aos conceitos, nós usamos nomes a assumimos que eles são reais e imutáveis.

O Abhidharma enfatiza que não é suficiente experimentar o conceito, você de fato tem que compreender a própria experiência. Quando você compreende o conceito, passa a entender a própria existência do fenômeno. Estamos presos ao Samsara porque damos realidade última às coisas. De acordo com os ensinamentos do Yogacara, isso nada mais é do que a transformação da mente, que tem uma natureza não dual, mas que se torna dual devido à essa noção de uma existência própria, que nada mais é do que a base de todo nosso apego.

Comentário de Genshô Sensei – O Abhidharma é terceira parte do Tripitaka, ou os três cestos. A primeira parte são os sutras, que são os discursos de Buda, a segunda é o Vinaya, que são as regras para os monges e a terceira que é o Abhidharma, são os comentários de mestres sobre os sutras e o Vinaya. É sobre isso que ele está falando.

Venerável Dhammadipa continua: A Yogacara pode ser considerada como um Abhidharma relacionada à Escola Mahayana. Originalmente não seria Mahayana, mas sim uma tradição da yoga no Budismo. De acordo com a tradição o Bodhisattva Maitreya, que é o fundador mítico da Escola Yogacara, teria revelado essa tradição aos Bodhisattvas Asanga e Vasubhandu, que eram irmãos.

Asanga explicava melhor a prática, enquanto Vasubhandu, a filosofia. De acordo com o Yogacara, todos os fenômenos que experenciamos como reais no mundo, estão relacionados à própria existência das coisas e das pessoas que conduzem à transformação da consciência. A consciência em si não tem nenhuma natureza dual, mas devido a essa transformação, torna-se dual, separando sujeito de objeto. Isso é muito importante de ser entendido e, de fato, é a base para o entendimento do Zen. Nosso entendimento do mundo vem desse entendimento da natureza dual das coisas. A consciência é, de fato, não dual em sua própria natureza. Tudo que existe no mundo, de acordo com a tradição Yogacara, está baseado no nosso apego à realidade das coisas e, as diferenciações que fazemos para compreender o mundo, são reais por pertencerem à mente, mas são de uma natureza não dual, são de uma natureza vazia, são a própria expressão do vazio e não existem separadas do vazio.

De acordo com o Yogacara, a verdadeira forma de entender a natureza da mente é entender que todas as experiências são, de fato, a transformação da consciência e que estão baseadas numa imposição de uma existência própria de todas as entidades. Isso nada mais é do que nos apegarmos ao nosso próprio “eu”.
(continua)

terça-feira, 13 de agosto de 2013

A escola Yogacara


PALESTRA do VENERÁVEL DHAMMADIPA

Florianópolis, 28.02.13

Não tenho nenhum tópico específico para falar hoje, mas eu gostaria de falar de coisas que são de interesse de todos nós. O pedido de Genshô Sensei foi que eu falasse sobre Yogacara que, na minha opinião, é uma das direções mais interessantes do Budismo e de grande relevância na tradição Zen.

Como vocês devem saber, há seis escolas no Budismo Chinês e a Escola Yogacara é uma delas. Esta Escola é baseada nos textos de transmissão de “Xuanzang Genzo” e na China não sobreviveu como uma tradição separada. No Japão há um único templo em Nara, que mantém essa tradição viva. Desta forma, a Escola Yogacara está quase extinta como uma tradição independente, mas é fortemente influente em quase todas as escolas do Budismo chinês. Infelizmente quase todo o trabalho que o Monge Xuanzang teve em traduzir os textos, não foi suficiente e devidamente estudado, e isso é uma grande perda para o Budismo.

A Escola Yogacara como o próprio nome diz, está muito próxima do conceito e da tradição da yoga e, de fato, é a própria transmissão dos yoguis dos tempos remotos para os atuais. Como vocês sabem, toda a prática da yoga é voltada para a própria mente, para o lado interior do praticante, isoladamente da influência dos cinco sentidos. O verdadeiro significado do Dharma e da yoga, só pode ser verdadeiramente entendido quando nos voltamos para dentro. Esse também é o principal caminho do Zen. De acordo com o Zen, assim como na yoga, você primeiramente tem que realizar uma mente imóvel. A prática de manter uma mente imóvel é o principal objetivo.

No Zen, além da mente imóvel, existe um aspecto a mais que é realizar e entender que todas as coisas são da natureza da própria mente. Isso é precisamente a base das fundações da Escola Yogacara. A particularidade da Escola Yogacara é que todos os objetos são objetos da mente, ou seja, criados pela mente. Todas as nossas experiências são, de fato, experiências da mente. Isso não foi muitas vezes bem entendido e consequentemente criticado.

Temos que entender que a yoga, assim como o Zen, são inseparáveis da tradição do Yogacara. O Buda Dharma, assim como o Buda Yoga, enfatizam que todos os ensinamentos são meios hábeis para a realização, logo, o entendimento desses ensinamentos também é um meio hábil a nos guiar na prática e é possivelmente um dos meios hábeis mais poderosos nesse sentido.

Os princípios do Yogacara estão baseados nos primeiros escritos originais do Budismo, os “Agamas”. Eles ensinam que a mente é estrangeira a todos os fenômenos e eles são guiados por ela. Na literatura Budista, vocês encontrarão versos como: “O mundo é guiado pela mente e todos os fenômenos estão sob seu poder”. Todos os fenômenos e nossas experiências são guiados pela mente. Os fenômenos são guiados pela mente, no sentido de que damos nomes às coisas e, quando damos nomes às coisas, acreditamos que a realidade corresponde a esses nomes e aos conceitos a eles relacionados. Na realidade, os conceitos que temos são um subproduto de nosso carma. Temos diferentes conceitos porque temos diferentes carmas.

Inicialmente quando vemos um objeto pela primeira vez, o vemos com desejo, ao passo que podemos vê-lo mais tarde com desgosto e depois de mais um tempo com desilusão. Da mesma forma, acreditamos que o objeto está ali porque damos um nome a ele, dessa forma, claramente estamos vivendo sob o poder dos conceitos. Mesmo que não estejamos conscientes deles, eles estão governando nossa mente.  (continua)