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quinta-feira, 5 de abril de 2012

As regras e a dualidade


Se você não esperar nada do que faz e negar a considerar o que quer que seja, poderá eliminar tudo apenas pela meditação sentada(TEXTO). Significa fazer coisas sem esperar nada e não considerar o que quer que seja. (COMENTÁRIO).

Apesar das oitenta e quatro mil ilusões irem e virem, se você não lhes der importância e as abandonar, nesse momento, de cada uma delas, uma depois da outra e todas juntas, poderá surgir o maravilhoso mistério do celeiro da grande sabedoria.(TEXTO de Koun Ejo Daioshô)


P. No Budismo Tibetano há diferenças com relação ao conceito de compaixão? Quando você limpa a questão da dualidade e preserva as três características básicas de todas as coisas que existem que são: compaixão (não percebendo você separado dos outros), estado desperto atemporal e vacuidade, há diferença?

Monge Genshô: Não há diferença alguma neste aspecto da maneira como é ensinada no Vajrayana, tenho certeza. Estamos falando aí dessas características e estas são básicas e pertencem a todo o Budismo e quando você lê nos textos Vajrayana também esta questão da não dualidade está presente. Esta questão da não dualidade que está presente na questão da compaixão, ela é comum a todo o Budismo Mahayana. A única escola Budista que não ensina com base na não dualidade nesses aspectos é a escola Theravada. Todas as escolas existentes hoje ensinam Mahayana com exceção desta grande escola e mesmo assim eu diria que estes aspectos estão lá dentro do ensinamento deles também, de que os professores Theravada tem receio, é principalmente o fato de, através da não dualidade, algumas pessoas chegarem a licenciosidade, já que é não dual não existe eu e o outro, não existe certo errado, bom e ruim então não tem porque cumprir as regras, não tem porque ser bom porque afinal de contas o bem e o mal não existem, são dualidades e isto é um sério engano que pessoas que fazem leituras apressadas do Zen e do Budismo acabam cometendo, não é verdade apesar de nós ensinarmos a não dualidade no Zen, você vem fazer a prática no sesshin e o sesshin está cheio de certo e errado. É errado conversar, é errado fazer fofocas, é errado uma porção de coisas e o certo está bem delimitado, a maneira certa de fazer é assim, a maneira certa de caminhar é assim.



P. Neste caso a não dualidade seria a situação ideal, mas a gente não consegue escapar ao viver?

R. Sim, até porque usamos a dualidade na nossa linguagem, classificações e conceitos. São dois tipos de ensinamento, às vezes no Budismo se diz ensinamento provisório e ensinamento definitivo ou ensinamento relativo e ensinamento absoluto. Existe ensinamento relativo, e nós que treinamento nós fazemos no sesshin? Nós fazemos treinamento individual e um treinamento cheio de dualidades, certo, errado, nós não fazemos um treinamento, do tipo: estamos todos iluminados e podemos fazer o que nós acharmos que devemos e não existe nem certo nem errado, portanto cada um se levanta e vai comer na hora que quer, dorme quando quiser, senta se quiser e aí pronto não temos mais sesshin, não temos mais vida monástica nem nada, a vida monástica é regrada e nós vamos ver isto em todas as escolas, existem um ensinamento e existe uma prática, mas para chegar naquele ensinamento de nível mais alto precisa-se ir gradualmente de baixo até em cima, não se pode pegar o ensinamento mais alto e querer praticar em baixo de maneira nenhuma, isto não é possível.