Follow by Email

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Os dois tipos de renúncia


Nós vamos comentar hoje o texto OS DOIS TIPOS DE RENÚNCIA de Keisan Jôkin.

Quando Upagupta raspou a sua cabeça com a idade de 17 anos, Shanavasa perguntou a ele, “Você está deixando o lar em corpo ou mente?” No Buddhismo, há basicamente dois tipos de [renúncia, isto é, de] deixar o lar – a do corpo e a da mente.(TEXTO)

Temos a célebre história de um homem que foi procurar um mestre e disse eu quero treinar consigo e o mestre: -volte quando você tiver matado em seu coração o seu pai e a sua mãe, a sua esposa, os seus irmãos, os seus filhos - porque para renunciar é preciso ter uma grande angústia, para haver  enregia para deixar todas as coisas. Nós temos também o caminho Mahayana em que você permanece no mundo e trabalha para os outros seres e é muito tratado no Sutra de Vilamarkiti, o Sutra fala de um grande comerciante no tempo de Buddha e que era um discípulo excepcional,  neste Sutra,  Vilamarkiti, este personagem, aparece derrotando cada um dos principais discípulos de Buddha em debate. Ele é um Sutra Mahayana, provavelmente escrito depois do século I depois de Cristo, ou seja posterior uns seiscentos anos a morte de Buddha. Ele representa uma grande revolução no Buddismo que é abrir o caminho para os leigos e permitir que o Dharma saia de dentro dos mosteiros e se espalhe no mundo, e a nossa ordem, a nossa escola Soto é muito marcada por este comportamento, noventa por cento dos monges hoje da escola Soto são casados e tem família e trabalham no mundo, isto aumenta enormemente as possibilidades, embora enfraqueça o caminho monástico tradicional, deveríamos preservar ambas as formas de prática dentro da ordem, este caminho nosso é o caminho do Bodhisattva, aquele que se dedica aos outros seres por compaixão. Mas então este Sutra marca o caminho de uma Sangha como a nossa, de pessoas leigas e de monges que tem família e trabalham para se sustentar e isso é o grande caminho Mahayana, é maha de grande realmente e yana veículo, então é como grande veículo, é como um ônibus, leva muita gente, enquanto que um pequeno caminho, o caminho individual daquele que se retira e pratica sozinho, longe da sociedade é como uma bicicleta leva apenas  a ele então é um pequeno caminho.


Aqueles que deixam o lar fisicamente abandonam os sentimentos social e pessoal, deixam seu lugar natal, raspam suas cabeças, vestem-se de preto e não têm quaisquer servos, tornando-se monges. Trabalham sobre o caminho vinte e quatro horas por dia, então não perdem tempo e não têm desejos estranhos; portanto, não são felizes por estarem vivos e não temem morrer. Suas mentes são como a claridade pura da lua de outono, seus olhos são como a perfeição de um espelho brilhante. Não procuram a mente ou uma essência; nem mesmo praticam as verdades sagradas, muito menos têm quaisquer apegos mundanos. Deste modo, não permanecem no estado dos mortais comuns nem são confinados ao estado dos sábios e santos - são viajante sem mente. Estas são as pessoas que deixaram o lar fisicamente.(TEXTO)

Nós estamos falando sobre a antiga prática da renúncia budista: deixar o lar e todas as coisas e vestir o manto amarelo, o manto do renunciante. Aqui, essa descrição, que é muito bonita, dos filhos que fazem coisas como raspar suas cabeças, o que tem o antigo significado de desistir de toda vaidade, porque os cabelos sempre fizeram parte da vaidade, desistir da beleza, propositadamente. E também, ao cortar os cabelos, corta-se simbólicamente os fios da ignorância que estão sempre crescendo, nós queremos que não cresçam, mas eles crescem; por isso a palavra sesshin vem da raiz de consertar ou limpar a mente, porque mesmo no mosteiro a mente se perde, estamos trabalhando todos os dias etc meditamos de manhã e de noite, mas mesmo no mosteiro começam a acontecer os atritos entre os monges, as fofocas, o desejo de se sobressair, então uma vez por mês, sesshin, para quê? Para consertar, fazer voltar à mente para o lugar certo. Então eles não perdem tempo e não têm desejos estranhos, não são felizes por estarem vivos e não temem morrer. Não ser feliz por estar vivo é porque não é necessário, você não vai embora daqui, também é um erro pensar: “esta vida”, nós somos muito metidos no “esta vida” , na realidade “esta vida” é ilusório, nós pertencemos a uma natureza original, essa natureza original não nasce nem morre; portanto, não existe, em última análise, esta vida; é só uma ilusão nossa do borbulhar do nosso karma, somos como bolhas dentro de uma torrente, dentro de uma garrafa de champagne, nós somos bolhas. Mas, essencialmente, essas bolhas, que são gás carbônico não deixam de ser gás carbônico, elas estouram e o gás continua. É só aquele quantum, aquela individualidade de bolha que ainda permanece nessa analogia. Nós confundimos a nossa natureza última que é gás carbônico com o fato de sermos bolhas, somos bolhas agora, mas na verdade somos gás carbônico e o gás carbônico não nasce como bolha, nem morre como bolha. Só a bolha, que é um fenômeno e uma aparência, surge e desaparece como bolha.(COMENTÁRIO)