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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Viver profunda e completamente








P. O texto diz: até mesmo cortar as paixões é uma doença...

R. Este que está liberto deixou o lar mentalmente, não tem apego por nada, embora seja amoroso com a sua família, como a lua no céu e como uma pérola rolando numa tigela, vê aquele que está livre no meio de uma cidade agitada, entende além do tempo enquanto está no mundo, sabe que tudo é interligado que nada nasce, que nada morre, está enxergando a vacuidade, portanto as coisas não tem a importância que parecem, realizando isto, ele sabe que até mesmo cortar as paixões é uma doença porque quem está cortando as paixões está no primeiro caminho, porque não tem apego a nada então não tem que cortar nada e segue uma vida livre como uma pérola rolando dentro da tigela, não tem nenhuma aresta, ela rola livremente, essa é a imagem. Uma vez chegou um aluno para mim, me escreveu e disse: eu tenho muitos desejos, sou muito jovem, tenho muita saúde, mas eu quero dominá-los, eu não vou mais cuidar da minha aparência, eu não vou mais namorar e eu escrevi para ele de volta: pare com isto agora mesmo, vá, você é jovem, vá à frente do espelho e penteie os seus cabelos, se vista e saia e namore, porque se ele ficar nisto vai virar uma tortura tremenda e ele nunca vai conseguir escapar do problema de tentar conter uma coisa tão forte, se ele quiser esmagar isto vai passar a vida inteira controlando este desejo, não é assim, primeiro ele tem que experimentar, viver, aí então entender intimamente a paixão, poder cultivar um amor verdadeiro, profundo, dedicado por alguém que não dependa de um desejo doentio, que seja livre, que saiba amar alguém sem medo da morte desta pessoa, que saiba chorar ao lado do túmulo, isto é a nossa vida, é Zen, não é estou Zen e livre de todos os sentimentos e sofrimentos, não é assim, o Zen Budismo é viver completa e profundamente.