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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Bodisatva, o ideal do movimento Mahayana



Bodisatva é um termo que surgiu com o budismo Mahayana.
Os ensinamentos de Buda foram coletados no cânon páli, foram escritos no século III a.C, e foram coletados e repetidos oralmente durante muito tempo após a morte de Buda. Esta tradição oral é muito exata porque os sutras eram recitados como poesias, primeiro segmento, segundo segmento, em uma seqüência e essa repetição sempre é circular também. Se uma coisa é afirmada de uma forma, depois é afirmado o seu contrário, de forma a não haver confusão, mudanças naquilo que estava sendo dito. Então esses sutras consolidados e escritos em cânon páli formam o Triptaka, os três cestos. Esses três cestos, são os Sutras, discursos de Buda, depois o Vinaya, as regras para os monges, de comportamento para os monges e terceiro o Abhidharmma ou comentários que  haviam já sido feitos pelos primeiros mestres. Então surge o budismo Mahayana, já um movimento laicizante, levando o budismo para os leigos mais enfáticamente. O budismo Mahayana é um comentário do budismo anterior, do budismo do Triptaka. Então o que sucedeu é que ele começou a enfatizar o foco em libertar os outros seres. Esta é a grande distinção. No budismo dos primeiros tempos o foco era conseguir a minha iluminação, conseguir me aperfeiçoar. O movimento Mahayana é um movimento que diz mais vale abdicar da minha iluminação, da minha retirada completa do mundo para me dedicar aos outros seres por compaixão. Então o bodisatva é o ideal do Mahayana, o ideal da compaixão, por isto os votos do bodisatva que fazemos de manhã são votos paradoxais e dizem: embora os seres sejam inumeráveis eu faço votos de libertá-los todos, mesmo os piores, mesmo os criminosos, mesmo as pessoas mais terríveis. Eu não me iluminarei completamente, eu não abandonarei este mundo de manifestações enquanto houver um ser no inferno, o pior dos criminosos, eu voltarei até resgatar o último, até libertá-lo. Este é o voto do bodisatva. Eu sei que todos os praticantes começam praticando para si mesmos, então não são bodisatvas. Isto surge com o tempo.Todos os praticantes quando chegam querem obter alguma coisa para si mesmos. Esta é a armadilha que o Mahayana pretendia desarmar. O movimento Mahayana, no budismo, via esta postura como egóica, eu quero iluminar a mim mesmo. Agora, algumas pessoas entendem e praticam o Mahayana e quando lêem um texto, principalmente da escola Theravada, que é guardiã do cânon páli e não aceita os sutras Mahayanas, acusam o budismo anterior de Hinayana. Hinayana é uma palavra que quer dizer desprezível ou pequeno e Maha quer dizer grande. Esta é outra visão discriminativa, por que na verdade o Mahayana está contido nas escrituras páli. É mais uma postura sectária,lamentável, o que acontece com esses budistas Mahayanas.
 E do outro lado as escolas anteriores acusam os Mahayanas de terem adotado sutras que na realidade não foram ditos por Buda. São sutras que foram escritos mais tarde por outros professores e ao serem escritos foram sempre sendo atribuídos a Buda, num mesmo formato dos sutras anteriores. Os sutras do Triptaka são sutras muito simples e os sutras Mahayanas começam a ser míticos, com Buda falando para milhares e milhares de praticantes, de iluminados, em um ambiente celestial e com textos cheios de estórias milagrosas ou coisas assim. Eles começaram a aparecer quinhentos anos, após a morte de Buda, no entanto eles são obras muitas vezes lindas e nós temos que saber enxergar isto e evitar as visões sectárias ou errôneas e não nos deixar levar para nenhum dos dois extremos. Se fosse nos tempos de hoje esses textos teriam sido escritos de forma mais simples e seriam assinados por mestres, não seriam atribuídos a Buda como foram. Nós nem sabemos os autores dos sutras Mahayanas porque eles nunca foram assinados, sempre foram atribuídos a Buda.  O budismo de hoje é uma obra coletiva construída através dos tempos por muitos mestres. (Comentário de Monge Genshô)