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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Níveis


Pergunta: A iluminação tem diferentes níveis?
Resposta: Há diferentes níveis. Mesmo que você consiga uma realização espiritual o mestre pode dizer: você conseguiu, agora vou lhe dar esse koan. Por exemplo:você obteve uma noção clara da vacuidade  – primeiro nível. Quer dizer que você respondeu todos os koans? Não.Os koans ligados a isso você consegue responder, mas os koans ligados a outros temas você não consegue responder ainda. O Koan Mu, o cachorro de Joshu é primeiro nível. O que é mu? Mostre-me o mu. Não é nem um pouco fácil porque na frente do professor olhando para você e pedindo a resposta instantânea, normalmente você não sabe, você trava, gagueja, ou tenta achar uma resposta com a sua mente, mas não funciona. Está claro que está errado. Não é uma resposta que veio das entranhas. A resposta correta ela vem de imediato, não precisa procurar, não tem raciocínio.É resposta de quem sabe. Neste nível que estamos, qual é a cor das folhas? Vocês já sabem, é conhecido, mas se começar a pensar já sai outra coisa.


Antigamente, no modelo oriental, esperava-se que o aluno estivesse mergulhado na cultura. Quando você tem um aluno que pratica artes marciais, por exemplo, eu noto que o treinamento é mais fácil porque o aluno já se habituou com a disciplina e para quem não passou por isso é mais complicado porque precisa aprender que tem que ouvir primeiro e não ficar questionando quando está começando.O questionamento é para depois. Quando os atletas praticam esporte também fica facilitado porque eles não ficam questionando e sabem que não dá para explicar todos os detalhes. O aluno que fica perguntando é o aluno que leva mais tempo. E os professores na tradição oriental nem respondem. Um mestre como Saikawa Roshi, na posição dele como superior da América do Sul não fala, chama um monge mais graduado e manda falar com o aluno e se o aluno não aceita e diz  “quem é você para me dar dicas, eu só aceito se for o mestre”, isso complica tudo porque na tradição oriental é assim. Então neste caso o aluno é abandonado e o mestre não faz nada enquanto ele não abandonar aquele ego. Por exemplo, na cozinha tem uma tenzo. A responsabilidade dela é treinar as pessoas para trabalhar na cozinha. Se alguém não gosta da instrução dela na cozinha o que se vai fazer? Tem que ir lá para servir e esse é um grande privilégio servir os outros.(Comentário de Monge Genshô)