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sexta-feira, 5 de abril de 2013

ANANDA ARRANCA O MANTO DE SHŌNĂWĂSHŬ

                                             Jizo Bosatsu protetor de crianças e viajantes

Os homens sofrem porque desejam a permanência, desejam ser sempre jovens, bonitos e que seus amores sejam eternos. Ao casarem-se os casais juram amor eterno, mas isso não acontece, pois mesmo que seja pela morte de um dos dois, o amor irá acabar. Sempre alguém me liga ou manda email pedindo conselhos sobre relacionamentos, a única coisa que posso dizer é que sejam coerentes com seus pensamentos e sentimentos, mas não é isso que as pessoas querem ouvir, elas desejam soluções para seus problemas, querem alguém que assuma seus atos, isso eu não posso fazer. As pessoas não querem ouvir sobre a realidade, por exemplo, todos se julgam importantes e que seus antepassados são importantes. Já fiz essa pergunta milhares de vezes, “Você pensa que seus pais e antepassados são importantes?”, todos respondem que sim, claro. Mas quando eu pergunto o nome dos oito bisavós, ninguém sabe responder. Em cem anos seus bisnetos, sangue de seu sangue, descendentes de seus genes, frutos de seus amores, não se lembrarão dos nomes de vocês, que dirá de seus atos, humilhações e vitórias, eles não terão a menor idéia de quem vocês foram. E vocês se dando tanta importância, vocês serão esquecidos. Aqueles que não forem esquecidos terão biografias mentirosas, cheias de inverdades, não é assim? Se é assim por que nos damos tanta importância? A coisa mais importante e maravilhosa sobre a vida é viver.

Muitas especulações são completamente sem sentido, ficar pedindo para alguém lá de cima lhe ajudar, ou colocar as decisões de sua vida nas mãos de um monge é pura ilusão. Mas se a pessoa não pode viver sem isso, nós deixamos, por exemplo, a pessoa acredita muito que Buda lhe ajudará, nós deixamos que ela faça uma oferta de incenso para a estátua de Buda. As pessoas desejam muito se agarrar a algo ou alguém que possa lhes ajudar. Os rituais que realizamos não tem um sentido devocional ou de pedidos, eles existem para criar um clima e para aprendermos as formas. Nós recitamos os nomes dos mestres ancestrais porque existem muitas histórias nas transmissões que podem servir de exemplo e de estudo para nós, por exemplo, Shonawashu vai até Ananda e pergunta-lhe, “qual é a natureza de todas as coisas?”, E Ananda mostra a ele seu manto, o manto é feito de retalhos, todos costurados uns aos outros, ele está querendo ensinar que todas as coisas são interconectadas e interdependentes. Shonawashu então pergunta, “Mas então qual é a natureza última de todas as coisas?”. Ananda então arranca o manto de Shonawashu  nesse momento ele desperta, pois entende com clareza e com seus sentimentos, não com seu intelecto, que todas as coisas são vazias.