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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Uma bola de ferro incandescente para ser engolida



Pergunta – Na recitação da linhagem Shakyamuni Buda não aparece em primeiro, por quê?

Monge Genshô – Os seis Budas que o antecedem são Budas míticos. Isso significa que Shakyamuni Buda não foi o único Buda, não é o único possível, não é um deus nem filho de deuses e tão pouco um salvador. Ele é apenas mais um Buda, o Buda de nossa era. Ele foi um homem e a história de sua morte é maravilhosa. Buda morreu com diarréia, comeu na casa de um ferreiro, teve uma indisposição intestinal em razão da idade avançada e dos problemas de saúde que já tinha e morreu desidratado. Nós colocamos água em frente à estátua de Buda com a intenção de lembrar esse fato e também é como se disséssemos, “Se eu estivesse lá eu lhe daria água”.

 A pergunta que sempre faço é, “Vocês já tiveram diarréia?” Se já tiveram são como Buda e podem despertar. É a historia de um homem comum e é muito importante que seja assim. Nada de histórias miraculosas do tipo, subiu aos céus ou anjos vieram busca-lo no dia de sua morte. Essa história conservou-se assim durante dois mil e seiscentos anos o que quer dizer muito sobre o Budismo.

 Um aluno perguntou ao mestre, “Mestre, no Dharma de Buda o que senhor pode me oferecer?” ao que o mestre respondeu, “Gostaria muito de lhe dar alguma coisa, mas no Zen só há uma bola de ferro incandescente pra ser engolida”. A primeira coisa a ser dita à um aluno é, “Você sabe que está condenado a morte? Eu posso salvá-lo desta angústia existencial, mas somente através da clareza e lucidez. Não através de alguma crença, fantasia ou promessa maravilhosa para depois da morte”. Como as pessoas estão atrás dessas promessas de reencarnações, espíritos permanentes, almas e paraíso, não ficam. Elas desejam crenças, não sabedoria. Por isso uma Sangha com mais de 20 pessoas é muito raro, altíssimo nível.