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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Durante vinte anos peguei seus chinelos



Não resistente aparece frequentemente nos mosteiros porque a palavra mais freqüente é HAI, que significa, sim. A palavra que mais se ouve, porque a todo o momento que um veterano ou um mestre diz algo você responde “HAI”. E você diz sim para mil coisas, sempre sem protestar, sem apresentar uma nova consideração ou uma opinião. Uma ordem é dada, “Faça isso!”, não existe espaço para, “Mas por quê eu de novo, por quê não Fulano?” isso é freqüente em muitas situações da vida, mas no mosteiro você aprende a dizer somente HAI e simplesmente realizar sua tarefa sem pensar, por exemplo, “amanhã é esperada, segundo a previsão, muita neve, precisamos que alguém acorde as três horas da manhã para tirar a neve do caminho para podermos chegar à sala de meditação, os monges fulano, fulano e fulano farão isso”. Qualquer um poderia ter vontade de se dizer resfriado, ou que é velho, ou que já fez ontem ou ainda que é fraco, mil desculpas poderiam ser dadas, mas nada disso pode ser feito, você simplesmente levanta as três horas e vai tirar a neve do caminho, outro dia outros farão a tarefa e pode ser que neve de novo justamente quando você estiver na equipe de caminhos, isso significa que de novo você fará a mesma coisa.

O sentido disso é aceitação, nós temos que aceitar a vida como ela se apresenta, sem tentar mudar as coisas que não podemos mudar, devemos simplesmente aceitar. Então, a relação mestre/discípulo é uma relação muito diferente da relação professor/aluno. Quando o mestre está presente nós nos comportamos com infinito respeito. Lembro-me e uma pergunta feita à Moriyama Roshi, sobre sua relação com seu professor de mais de vinte anos, “Como foi isso?”, foi a pergunta. “Durante vinte anos eu peguei seus chinelos!”. Quando o mestre sai da sala, o aluno principal, o JISHA, pega seu chinelo e coloca na frente da porta, para que quando ele saia seja mais fácil de calçá-los. Não há gentileza que você não faça e isso faz parte da prática espiritual, você ouve todas as coisas com completa aceitação e também você tem a postura respeitosa, na presença do mestre sempre deve estar em SASHU, jamais estar sentado se ele estiver de pé e não deve ensinar nada para alguém na presença do mestre, você só ensinará algo se ele pedir.

Também não tomamos intimidades com o mestre, principalmente não beijamos ou abraçamos, principalmente mestres de outras culturas onde isso não é bem visto. Os mestres brasileiros não se sentem assim, mas Saikawa Roshi veio do Japão e lá não há esse tipo de costume e é constrangedor ser abraçado ou beijado, por favor não façam isso. (No Brasil, em momentos mais informais, abraçar é aceitável, mas você tem que ter discernimento, no final de eventos pode ser)

Para nós é um extremo privilégio recebê-lo. Apesar de falar tudo isso vocês olharão para Saikawa Roshi e o verão sempre muito gentil, sorridente e a pessoa mais doce do mundo, mesmo assim sigam essas regras por favor. Os que farão RAKUSU, farão votos e ele lhes dará então, um nome no DHARMA. Esse nome é um guia e fazer os votos e portar o RAKUSUé na realidade se tornar um praticante do Zen oficialmente, é portar o manto de Buda e tem que ser portado com grande respeito e isso tem que ser sentido internamente.