Mostrando postagens com marcador experiências. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador experiências. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A iluminação é ver o puro céu azul


Quando minha mãe morreu eu levei suas cinzas e joguei no mar de uma praia da cidade onde ela nasceu e vi as cinzas se dissolvendo na água. Eu acho que essa é uma lição que todos deveríamos experimentar, ao invés de tentar conservar ou delimitar, nós deveríamos deixar espalhar, abrir as mãos, porque na realidade isso é uma lição sobre a nossa verdadeira natureza. Então é natural que nós tenhamos amor pelos filhos, mas essa é uma manifestação da nossa ego entidade, porque nós queremos permanecer para sempre, mas nós não enxergamos que nós somos o próprio sempre.
Numa outra analogia que já usei várias vezes: nós somos redemoinhos na atmosfera e o ego é o eixo. Você olha para aquele eixo e diz: “está ali o eixo do redemoinho”, mas nós sabemos que não tem nada nesse eixo, ele só existe porque tem movimento em volta, quando cessa a energia que movimenta o redemoinho o que resta? O puro céu azul. O redemoinho quer permanecer para sempre talvez. Ele acredita no seu eixo, no seu ego, mas na realidade ele é o puro céu azul e só existem redemoinhos porque há energia, calor, movimento e desequilíbrio na atmosfera. Mas o puro céu azul sempre esteve lá. O que nós tínhamos que enxergar em nós é o puro céu azul, mas como não enxergamos, então a energia do nosso redemoinho tende a se manifestar novamente em um novo redemoinho e esse novo redemoinho se diz “eu sou”, “eu quero permanecer”, “eu quero ter filhos”, “eu quero continuar”. Ele também não consegue se ver como puro céu azul. A iluminação é ver o puro céu azul. (continua)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

MAKYO - ILUSÃO

 
Outro ponto que acontece é: limpamos nossa mente, à medida que vão se acumulando zazens nós vamos limpando as preocupações, porque estamos em outro mundo completamente diferente e como estamos num mundo completamente diferente, vamos cortando nossos liames e ele vai ficando distante, muito distante, e à medida que ele vai ficando distante emocionalmente de nós, nós estamos aqui e a nossa preocupação fica realmente aqui: “será que não esqueceram de bater o sino, este zazen não acaba, meu joelho esta doendo." Então nossas preocupações voltam-se para o momento presente e assim, nós nos desligamos daquele mundo lá fora e isso então nos permite uma liberdade de espírito, uma limpeza, e esse é o primeiro passo.

Porque nós sentamos em zazen mesmo? Para conseguir pelo menos samadi, uma boa concentração. E com uma boa concentração, criamos um terreno na nossa mente que permite experiências mais profundas.

Algumas pessoas pensam que essas experiências profundas são algo de extraordinário ou milagroso. Eu recebo cartas de pessoas que viram raios fulgurantes ou viajaram para os confins do universo, ou qualquer coisa assim.

Temos uma palavra em japonês para isso, makyo, que quer dizer ilusão, fantasia, delírio, e os mestres costumam dizer isso na cara para o alunos, isso é makyo, não é nada, saia daqui.

Eu li uma pequena história de um homem que foi falar com o mestre e disse que tinha tido uma dessas experiências coloridas maravilhosas, que tinha viajado pelo espaço e chegado aos confins de tudo, e o mestre disse que não era iluminação coisa nenhuma, que aquilo não passava de ilusão da cabeça dele, e ele ficou muito desapontado. Mais tarde ele estava na cozinha e tinha umas bergamotas, ele começou a comer uma bergamota que estava maravilhosa e estava encantado sentindo o gosto da fruta. O mestre então passou, olhou pra ele e disse: isto é iluminação.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O caminho da luz


P:  Me parece que a respiração tem uma ligação com o despertar. Até que ponto  ela influencia?

Monge Genshô – A respiração faz parte do método e é uma atividade corporal que tem dois aspectos. Ela é automática, mesmo que você não preste atenção você respira e por outro lado você tem controle sobre ela, podendo variar seu ritmo da forma que desejar. Desta maneira, esse controle permite que você interfira no funcionamento da mente, por exemplo, se você está invadido por pensamentos que não cessam, pode interromper por alguns segundos a respiração, esse ato quebra o ciclo do pensamento invasivo. Você pode seguir fazendo isso cada vez que um pensamento invadir sua mente, passando a ter um mecanismo que lhe permita interferir na sua mente que parece incontrolável e corre como um cavalo desembestado, mas que através desse exercício, você pode colocar-lhe rédeas. Ser senhor de sua mente é extremamente importante. As pessoas costumam dizer que não conseguem parar determinados sentimentos como raiva ou rancor e não conseguem parar a agitação, mas isso não é verdade, sua mente pode ser controlada e o mais acessível mecanismo é a respiração. Depois que você aprende a controlar sua mente no Zazen, pode vir a controlar também na vida diária e isso é muito importante. No Zazen quieto olhando para a parede é mais fácil, embora percebamos ser muito difícil. Mas, mesmo assim, ainda é mais fácil que na vida diária.
 A dificuldade dessas experiências é que elas não são transmissíveis com palavras, são pequenos insights que surgem à medida que vamos praticando e que vão abrindo condições para novos insights. Criar condições para ter insights é muito importante, pois existem pessoas que nunca têm insights de nenhum tipo, desta forma, elas não aprendem coisas que estão disponíveis na vida, que são perceptíveis. 

P: O Satori é um estado sempre presente e nós é que não conseguimos acessá-lo?

Monge Genshô – Está sempre disponível. Depende de você e poderia existir, no entanto, não é nem um pouco fácil ganhar esta habilidade. Na verdade é uma habilidade de voltar ao kenshô quando se deseja. Se você tiver vários insights vai chegar o dia em que terá um “kenshô”, então terá vários “kenshôs” cada vez mais longos e mais profundos. Se você conseguir treinar desta forma e atingir um estado de estar em Zazen em torno de 40% realmente presente, estará amadurecendo a mente de tal modo que o Satori torna-se possível.

Isso não é um milagre e mesmo que atingido esse estágio não significa que a pessoa tornou-se alguém especial e sim que ela conseguiu enxergar algo, mas ela pode se comportar ainda de maneira bem errada. Ela tem a habilidade, mas para que a habilidade penetre na sua vida completamente, ainda leva muito tempo de treinamento. O que normalmente se diz para essa pessoa é que o caminho começa agora e que ela necessita praticar mais e de forma mais intensa. Ter o insight não significa ter terminado o caminho e sim tê-lo iniciado.

Funciona mais ou menos da seguinte maneira: você nunca teve nenhum insight e tê-lo parece ser maravilhoso. Quando você tem o primeiro, não parece mais tão maravilhoso, pois ainda falta muita coisa, então você tem mais e mais insights e cada vez que você olha para trás percebe que tudo que você teve não era nada. Quando consegue um esclarecimento ou despertar, percebe que ainda se sente decepcionado consigo mesmo, pois você não é nada daquilo que pensava que deveria ser. Mas você continua praticando e tentando chegar mais fundo e esse caminho é praticamente infindável.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Buddha sabia que iria achar um caminho?



Buddha, estátua representando seu período de ascetismo extremo, uma de suas tentativas de achar o esclarecimento e que ele concluiu ser um erro.

Não creio, lemos nos textos sobre a sua grande angústia e desejo de alcançar paz, um homem cheio de dúvidas, e que causou sofrimento a sua família ao abandona-la, naquele momento ele era Gautama, não se tornara o Buddha, o desperto.
Seu caminho procurando uma coisa depois outra para achar a solução mostra que no mínimo ele não tinha idéia sobre como achar uma solução para o sofrimento, o que tinha era determinação, seu relato é bem detalhado sobre suas experiências. Neste link um resumo da vida de Buda baseado nas escrituras Páli, ou seja , o registro mais antigo disponível: http://www.acessoaoinsight.net/caminho_liberdade/buda.php#Bodisattha .

Penso que ele, apesar de ter tentado aprender com dois grandes mestres de yoga, não se conformou porque não obtinha respostas cabais. Sua solução inclui uma negação da existência de almas ou espíritos, portanto uma recusa da reencarnação como normalmente a entendemos, um rompimento drástico com as crenças de sua época e ainda predominantes no mundo atual. Admitiu uma continuidade, mas não a continuidade “do mesmo indivíduo”. Portanto creio que ele não partiu com idéia pré concebida mas pelo contrário trabalhou durante seis anos para encontrar a solução e o fez não através do raciocínio mas da meditação, da iluminação.