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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Falácias em "pesquisas e estudos"

Fotos de visita, no Japão, de Kyô Hô San (Rachel) a Saikawa Roshi, acompanhada de Shutetsu San.

A foto é de pessoas budistas que procuram a lucidez, o que me fez lembrar do problema, cada vez mais frequente na internet, de pessoas divulgando pesquisas que  "provam" as coisas mais disparatadas. Vamos tomar uma como exemplo, nela se diz que "Uma sessão diária de leitura com duração de 30 minutos. De acordo com um estudo da Universidade de Yale, dos Estados Unidos, é disso que você precisa para viver 23 meses a mais do que quem não tem o hábito de ler livros."  (Publicada em vários órgão de imprensa e viralizada na internet).
Sou um leitor contumaz, leio em média um livro por semana há mais de 50 anos, adoraria que isto fosse verdade, a questão é que este tipo de pesquisa costuma pegar uma correlação estatística sem considerar outros fatores, a pesquisa faz crer que é o ato de ler que aumenta a longevidade média. Ocorre que as pessoas que lêem mais tem em média melhor educação, também tem em média uma renda mais alta, melhor acesso a atendimento médico de qualidade etc... podemos listar vários outros fatores associados em média ao ato de leitura diária.
Ora, concluir daí que a leitura prolonga a vida é isolar um fator real e atribuir a ele um efeito difícil de isolar, uma falha de metodologia estatística. Por esta razão citei um economista brilhante que observou que "os números suficientemente torturados dirão qualquer coisa", coisa de largo uso na propaganda política.
Oro que os budistas tenham o discernimento de nada aceitar sem considerar e pensar, sem examinar, conselho dado 2500 anos atrás por Buda no seu sermão aos Kalamas.