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sexta-feira, 13 de abril de 2018

Sobre Divindades e Livre-Arbítrio



Por que a divindade atende um e não atende outro? Por que as coisas são assim? Por que o mundo é assim? Você não consegue defender de verdade isto e acaba arrumando desculpas como o livre-arbítrio. O que é livre-arbítrio, na verdade? É uma tentativa de colocar no homem, na criatura, a culpa de um suposto criador.

Eu estava falando para o meu filho de 10 anos sobre esse assunto e eu perguntei a ele: “se você colocar um cavalo dentro de uma loja de cristais, largar ele lá dentro e for embora, o que acontece?”. Ele respondeu: “ah, o cavalo vai se mexer e vai quebrar tudo”. “Ah, sim, mas a culpa não é sua que colocou o cavalo lá, é do livre-arbítrio do cavalo, não é? Ele poderia ter ficado imóvel”. Isso tem lógica? Alguém diria isso? Não. Então, se o homem, colocado na Terra, cometeu coisas ruins e havia alguém que o colocou  aqui, esse alguém, se tinha sabedoria, sabia o que ia acontecer, então é tão responsável como aquele sujeito que botou o cavalo dentro da loja de cristais. Então, o livre-arbítrio é uma solução falsa também. Por isso, quando alguém fala em livre arbítrio, eu sempre “hum (suspiro), e agora?”. Começo a explicar e desisto. Então, quando ouvirem a questão do livre-arbítrio, vocês sempre pensem isso. É simples, não é complicado; é uma desculpa para retirar de um deus criador a responsabilidade pela existência do mal.

Então havia duas soluções e elas foram usadas concomitantemente. Primeira: tem um deus do bem e um deus do mal, e o deus do mal, então, compete com o deus do bem, por isso estão sempre acontecendo coisas ruins e boas, e isso cria uma dualidade de um deus duplo. Algumas religiões foram bem específicas sobre isso, como o maniqueísmo. Bem e mal. Ou, a segunda opção: você cria o livre-arbítrio. Normalmente, nós temos um deus criador, livre-arbítrio e ainda temos o deus do mal, que o deus do bem não consegue controlar.