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quarta-feira, 25 de abril de 2018

A Prisão


Bem, há muitos métodos de fazer o que chamamos meditação. Há métodos preparatórios, de observação do corpo, com o propósito de nos tornarmos conscientes. Há métodos com recitações que nos dão uma âncora e, mais do que isso, um som harmônico que pretende nos sintonizar com o todo. 

Há também métodos voltados a algo que está fora de nós, e eles conduzem a um grande engano, um sentimento de separação, porque é necessário chegarmos a noção, ao sentimento de que entre nós e fora de nós não existe distância alguma, que todo fora está dentro e o que está dentro pertence a esse fora. Nós somos altamente perturbados pelo fato de que nos sentimos separados, por causa da nossa mente, do funcionamento das nossas formações mentais, da nossa consciência que é dependente dos nossos sentidos: nós abrimos os olhos e vemos tudo fora, separado de nós. Então, é necessário criar um insight, uma visão de que na verdade estamos como que aprisionados dentro desse saco de pele, cheio de ossos e órgãos. Nós nos agarramos a este aprisionamento como um prisioneiro que amasse a sua cela, e não quisesse dela sair. Nossa libertação é altamente dependente do fato de que temos que abandonar esse amor à nossa prisão, a essa prisão que vivemos e sentimos por estarmos aqui, como seres, e estendermos nossos sentidos a um mundo que nos rodeia.