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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Desenvolver a solidariedade



Aluno – Eu sei, só quis colocar uma questão minha, uma dificuldade que tenho. Meu projeto é ir tirando a carne, é uma coisa minha...

Monge Gensho - Muitos budistas se dirigem para isso por um sentimento de compaixão ou por responsabilidade planetária, porque setenta por cento do desmatamento é para virar área de pasto. Se a humanidade não comesse carne, sobrava comida amanhã, porque a maior parte dos grãos cultivados vira ração para o gado. Existem os extremos. Existem animais que comem 9 quilos de grãos para a produção de um quilo de carne. Por isso a carne é tão cara. Então, como existe esta tradição nos mosteiros, muitos budistas têm essa tendência de ter uma responsabilidade social sendo vegetariano. Mas o budismo jamais defendeu essa posição como um item necessário, sempre se focou na mente, “um pragmatismo dialético de métodos psicológicos”, como disse Edward Conze. É isso que o budismo é, um método de libertação pessoal, mas não com regras desse tipo com relação ao mundo. Isso tem que ser desenvolvido internamente...

Aluno –  Eu vejo por mim, pois no meu caminho de apenas dois anos no budismo, já vejo a necessidade de mudar meus hábitos alimentares, mas não pela saúde física, e sim pela compaixão. Eu tenho sonhado com bichos, tenho acordado com um sentimento de compaixão, pois nos sonhos eu sou sempre muito amiga dos animais. Então está sendo quase inevitável...

Monge Gensho – Agora, isso é uma mudança cármica, né? Na realidade é uma mudança de carma, a pessoa vai mudando. Em muitos aspectos você pode ser impactado por isso,  nós só estamos aqui nesse tipo de mundo, nos manifestando como seres humanos, porque somos criaturas de desejo, de apegos e profundamente egoístas. Nós somos assim. A solidariedade e a compaixão pelo outro é algo que a gente desenvolve, e se você desenvolver muito terá dificuldade de voltar para esse mundo; como existem muitos mundos, quem sabe você renasce numa terra pura onde a prática seja mais fácil? Essa é uma forma que existe dentro do budismo – “a terra pura”. A terra pura é um lugar onde a bondade é mais freqüente. Renascer num lugar assim não me parece ser um mau objetivo; é um bom objetivo.

Fim
Palestra de Monge Gênsho decupada da gravação por Monge Chudô.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Vegetarianismo e mosteiros zen


Pergunta – Uma coisa em que eu penso muito é sobre o consumo da carne. Não é mais somente uma coisa de propaganda. Antes eu pensava que era um hábito de família. Mas se formos observar a pirâmide alimentar dos nutricionistas, a base é carne e derivados de animais. Se for ao médico, ele lhe dirá para comer carne. Meu pai, por exemplo, ficou anos sem comer carne, então teve um problema de saúde, e o médico o assustou tanto, que ele voltou a comer carne. Existe algo além da mídia, é algo da ciência mesmo.

Monge Genshô – O que existe é um sistema de crenças, e ele irá variar. Por exemplo, nós sabemos que nos mosteiros Zen budistas, desde o tempo da China - ou seja, há mil e quatrocentos anos - se desenvolveu uma cozinha vegetariana, porque não se podia matar nos mosteiros e na China a mendicância era proibida. O resultado final dessa cultura é que no Japão, por exemplo, o consumo de carne de mamíferos é uma coisa recente, tem apenas cento e poucos anos. Antes disso, comer carne era uma coisa absurda. Comiam bastante peixe, mas jamais carne de caça ou de bois e porcos. O resultado disso foi a longevidade; a tradição nos mosteiros Zen é de longevidade com lucidez, e dificilmente você vê alguém gordo, pois ali comem muitos vegetais e grãos. Mas um monge pode aceitar carne se lhe é oferecida, não pode aceitar que alguém se proponha a matar um animal com o fim de alimenta-lo, esta proibição vem desde o Vinaya (código de regras monásticas) mais antigo.

Aluno - Acho que já está na hora do meio científico começar a divulgar isso...

Monge Genshô – Eu acredito que já haja algumas correntes que fazem esse trabalho.

Aluno - Parece que todo o modelo de consumo leva para a carne, não existe um financiamento de pesquisa contra o consumo de carne.

Monge Genshô – Porque nas faculdades é ensinado assim, há um lobby industrial forte, mas existem outras correntes que questionam isso, já temos literatura a esse respeito. O máximo que posso oferecer é meu exemplo pessoal: não como carne há mais de sessenta anos, meu pai era vegetariano, fui criado numa casa onde até o cachorro era vegetariano, pois naquela época não se dava ração e ele comia o resto da nossa comida. E lembro que quando viajávamos e deixávamos o cachorro com minha avó, quando voltávamos, ele estava gordo. O cachorro pode viver sem carne, mas é essencialmente carnívoro. Sua arcada dentária é completamente diferente da nossa, por exemplo, que é semelhante à dos macacos frugívoros. Não temos dentadura típica de um animal carnívoro; nossa mandíbula é diferente também com movimentos laterais. Mas o budismo não está focado nessa questão, não é necessário ser vegetariano ou vegano se você é budista.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mapa da nova sede em Florianópolis


Mapa da nova sede, agora com 3 banheiros, zendô, templo, biblioteca e loja, quarto de monges e vestiário, cozinha, copa, depósito de materiais, lavanderia, estacionamento para carros gratuito a 5o m, ar condicionado. Próximo ao centro.

Pergunta – Uma coisa em que eu penso muito é sobre o consumo da carne. Não é mais somente uma coisa de propaganda. Antes eu pensava que era um hábito de família. Mas se formos observar a pirâmide alimentar dos nutricionistas, a base é carne e derivados de animais. Se for ao médico, ele lhe dirá para comer carne. Meu pai, por exemplo, ficou anos sem comer carne, então teve um problema de saúde, e o médico o assustou tanto, que ele voltou a comer carne. Existe algo além da mídia, é algo da ciência equivocada mesmo.

Monge Gensho – O que existe é um sistema de crenças, e ele irá variar. Por exemplo, nós sabemos que nos mosteiros Zen budistas, desde o tempo da China - ou seja, há mil e quatrocentos anos - se desenvolveu uma cozinha vegetariana, porque não se podia matar e na China a mendicância era proibida. O resultado final dessa cultura é que no Japão, por exemplo, o consumo de carne é uma coisa recente, tem apenas cento e poucos anos. Antes disso, comer carne era uma coisa absurda. Comiam bastante peixe, mas jamais carne de caça ou de bois e porcos. O resultado disso foi a longevidade; a tradição nos mosteiros Zen é de longevidade com lucidez, e dificilmente você vê alguém gordo, pois ali comem muitos vegetais e grãos.

Aluno - Parece que todo o modelo de consumo leva para a carne, não existe um financiamento de pesquisa contra o consumo de carne.

Monge Gensho – Existem outras correntes que questionam isso, já temos literatura a esse respeito. O máximo que posso oferecer é meu exemplo pessoal: não como carne há mais de sessenta anos, meu pai era vegetariano, fui criado numa casa onde até o cachorro era vegetariano, pois naquela época não se dava ração e ele comia o resto da nossa comida. E lembro que quando viajávamos e deixávamos o cachorro com minha avó, quando voltávamos, ele estava gordo. O cachorro pode viver sem carne, mas é essencialmente carnívoro. Sua arcada dentária é completamente diferente da nossa, por exemplo, que é semelhante à dos macacos frugívoros, ou seja, que comem frutas. Não temos dentadura típica de um animal carnívoro; nossa mandíbula é diferente também, tem movimentos laterais que os carnívoros não tem. Mas o budismo não está focado nessa questão.

Aluno – Eu sei, só quis colocar uma questão minha, uma dificuldade que tenho. Meu projeto é ir tirando a carne, é uma coisa minha...

Monge Gensho - Muitos budistas se dirigem para isso por um sentimento de compaixão ou por responsabilidade planetária, porque setenta por cento do desmatamento é para virar área de pasto. Se a humanidade não comesse carne, sobrava comida amanhã, porque a maior parte dos grãos cultivados vira ração para o gado. Existem os extremos. Existem animais que comem vinte e seis quilos de grãos para a produção de um quilo de carne. Por isso a carne é tão cara. Então, como existe esta tradição nos mosteiros, muitos budistas têm essa tendência de ter uma responsabilidade social sendo vegetariano. Mas o budismo jamais defendeu essa posição como um item necessário, sempre se focou na mente, “um pragmatismo dialético de métodos psicológicos”, como disse Edward Conze. É isso que o budismo é, um método de libertação pessoal, mas não com regras desse tipo com relação ao mundo. Isso tem que ser desenvolvido internamente...

Aluno – Desenvolvido e evitado, né? Eu vejo por mim, pois no meu caminho de apenas dois anos no budismo, já vejo a necessidade de mudar meus hábitos alimentares, mas não pela saúde física, e sim pela compaixão. Eu tenho sonhado com bichos, tenho acordado com um sentimento de compaixão por bichos, pois nos sonhos eu sou sempre muito amiga dos animais. Então está sendo quase inevitável...

Monge Gensho – Agora, isso é uma mudança cármica, não é? Na realidade é uma mudança de carma, a pessoa vai mudando. Mas isso tem muitos aspectos na vida, em muitos aspectos você pode ser impactado por isso, mas nós só estamos aqui nesse tipo de mundo, nos manifestando como seres humanos, porque somos criaturas de desejo, de apegos e profundamente egoístas. Nós somos assim. A solidariedade e a compaixão pelo outro é algo que a gente desenvolve, e se você desenvolver muito terá dificuldade de voltar para esse mundo; como existem muitos mundos, quem sabe você renasce numa terra pura onde a prática seja mais fácil? Essa é uma escola que existe dentro do budismo – “a terra pura”. A terra pura é um lugar onde a bondade é mais freqüente. Renascer num lugar assim não me parece ser um mau objetivo; é um bom objetivo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Palestra na SVB em Brasília


A Sociedade Vegetariana Brasileira, unidade de Brasília, promoveu uma palestra no Jardim Botânico, sobre Zen Budismo e suas tradições alimentares, em especial a cozinha vegetariana nos mosteiros. A Monja Noviça da Comunidade do Guará, Sodô San, esteve presente, e fomos presenteados com Bonsais, na foto todos ao lado de uma estátua de S. Francisco na entrada do Jardim.
Mais fotos de Amanda podem ser vistas aqui

quinta-feira, 25 de março de 2010

Cozinha em Yokoji



Monges trabalham na cozinha em Yokoji, sem a toalha na cabeça, muito alto, Kogen San, galês de nascimento. Contou-me que quando chegou em Yokoji era muito gordo, com a cozinha vegetariana do mosteiro tornou-se esguio, muito alegre costumava tomar imensas chícaras de chá e oferece-las aos auxiliares que a escala de trabalho lhe encaminhava diariamente.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Cozinha e meditação




No domingo passado ocorreu o curso de sushi vegetariano ministrado pela sushiwoman Bia na cozinha do Daissen Restaurante Vegetariano, que fica embaixo da Comunidade Zen Budista de Florianópolis e a subsidia. Cozinha, tradicionalmente, é arte para o zen, nos mosteiros zen budistas o cozinheiro chefe é um mestre, chamado Tenzo, ele fica hierarquicamente logo abaixo do abade, como nos mosteiros não se pode matar nenhum ser, a cozinha é estritamente vegetariana e desenvolveu um estilo próprio bem elaborado. Continuamente, novas formas de cozinhar, diminuindo o sofrimento no mundo, são desenvolvidas, e, um bom exemplo, é o sushi vegetariano do qual vemos fotos acima.