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sábado, 1 de abril de 2017

Buda era budista?



Podemos responder esta questão de duas formas:

1) Buda ensinou um caminho além dos extremos, sem comprometer-se com as palavras nem afirmar um conhecimento absoluto sobre todas as coisas, para várias questões alegou desimportância em considera-las. Não disse que revelava ou era um mensageiro de uma divindade ou que tinha em mente uma organização perfeita para difundir seu ensinamento. Alegou ser um ser de sonho ensinando para seres oníricos e enfatizou continuamente a relatividade das palavras, colocando em dúvida a capacidade destas de transmitir uma experiência não transmissível.

2) O mesmo Shakyamuni Buda, estabeleceu um corpo minucioso de regras para a comunidade dos monges e sua relação com os leigos. Ordenou os monges através de rituais colocando neles vestes especiais, o manto budista. Ensinava tendo em mente hierarquia entre a assembléia, colocando os mais antigos em uma posição e os mais novos em outra. Estabeleceu portanto rituais e um corpo canônico de regras de comportamento. Estruturou um processo de ensino em passos cuidadosamente graduados. Deu autoridade a discípulos mais destacados e reconheceu a realização espiritual dos que a atingiam. Criou portanto uma instituição muito bem estruturada, cujo arcabouço permanece sendo usado mais de dois milênios mais tarde por diferentes escolas budistas, as quais o vem adaptando a diferentes países e culturas.

Assim podemos concluir, somando ambas as afirmações, que, do ponto de vista doutrinário, Buda ensinou muito além de meras organizações mundanas. Porem para atingir seus objetivos estabeleceu sim uma organização religiosa e foi seu líder durante décadas. Desta forma Buda ensinou algo muito elevado mas simultaneamente, foi, sem dúvida alguma, o primeiro e o maior dos líderes budistas, o fundador original de um sistema de transmissão de seu ensinamento.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Possível mas raríssimo


Pergunta: Como o Budismo vê a relação mente e cérebro?  Por um lado poderíamos pensar que a mente é um reflexo do cérebro, o que poderia sugerir que somos escravos do que nos acontece. Talvez através da meditação poderíamos alterar o estado do cérebro e automaticamente a mente. Por outro lado o funcionamento do cérebro permite o uso da linguagem e é como se a mente tivesse vida própria.

Monge Genshô – Em primeiro lugar, essa colocação, “como o Budismo explica...?”. O Budismo não se dedica a dar explicações. Esse problema das explicações é com a ciência. O que a ciência faz é procurar descrições e explicações que se aproximem da realidade observada. Caracteristicamente, e por isso, a ciência é o que é, essas explicações podem ser declaradas erradas e substituídas por outras melhores e isso pode acontecer sem parar. Ou seja, não existe nenhuma afirmação em termos de ciência que possamos chamar de "verdadeira". De outro lado, o Budismo não declara nenhuma verdade. Ele usa um método para libertação e usa raciocínios para você enxergar as coisas, ou seja, tudo é demonstrável e não depende de fé. Todos os raciocínios que fiz sobre a vacuidade inerente aos “eus”, dando o exemplo da casa e do copo, não passam de raciocínio demonstrável. Qualquer um pode chegar à mesma conclusão. Isso é o Dharma em si. O Dharma de Buda não é uma exclusividade de Buda, ele está presente e pode ser redescoberto. Por isso, quando recitamos os nomes dos Budas, recitamos seis nomes de Budas míticos antes de Shakyamuni Buda. Eles não existiram, são Budas míticos. O primeiro Buda histórico foi Shakyamuni Buda. Mas então porque recitamos seus nomes? Para que todos entendam que surgem Budas e, qualquer um, pensando, meditando e despertando, pode chegar ao Dharma. Vamos dizer que a cada era surge um Buda, ou seja é possível mas é raríssimo.

O Budismo também não é dono do Dharma, nem detém uma verdade exclusiva, nem o Zen. É apenas um método e um método apropriado para algumas pessoas, outras não. Sobre a pergunta sobre mente e cérebro, eles estão ligados, assim como mente e corpo estão ligados. Não separamos isso. Se você interferir no seu corpo, sua mente se alterará, se você comer mal seu cérebro e sua mente serão atingidos, se você come muito, fica sonolento. Se tomar uma substância alucinógena, seu cérebro será perturbado e poderá ter alucinações confundindo isso com realidade ou iluminação, o que não é nem uma coisa nem outra. Estamos procurando clareza e não obscurecimento, não fantasia. Já temos fantasias demais. Para quê tomar qualquer substância que altere a consciência?  É absolutamente vetado para o praticante Budista tomar substâncias que alterem a consciência, é um grave erro que não levará a lugar algum. Só pode levar a mais confusão e já somos confusos o suficiente.
(continua)