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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Buddha se entristeceu



Pergunta – O que deve aprender o ser humano quando perde a pessoa que ama?

Monge Genshô – O grande problema de nossa mente, e que é fonte de grande sofrimento, é o apego.  Nos agarramos a todas as coisas e desejamos que sejam permanentes. Desejamos que as pessoas que amamos não mudem e sejam eternas. Todas as pessoas mudam, envelhecem e mudam também suas idéias. Nada e ninguém é permanente e todos iremos desaparecer um dia. Se nos agarrarmos muito às coisas e colocarmos nosso coração aí, sofreremos. A vida tem em si, grande sofrimento, pois é quase impossível você viver sem amar e sem criar grandes laços. Mesmo os grandes mestres sofrem com suas perdas, sejam elas de familiares, amigos ou discípulos.  Buddha teve muitos discípulos e um deles era Shariputra, que era mais velho que Buddha. Quando Shariputra morreu, Buddha se entristeceu.  Naturalmente sofreremos com nossas perdas, mas temos que entender que o sofrimento faz parte da vida. O que temos que fazer é tentar expandir nosso amor, abranger cada vez um numero maior de pessoas, é isso que você deve fazer, espalhar seu amor.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Quem é esse que não consegue se calar?



Também aconteceu uma vez de um primo de Buda pensar que ele era melhor que Buda, mais certo que Buda. Como ele tinha uma opinião melhor, ele pensava que a Sangha não estava bem gerida, que os monges eram relaxados, queria regras mais duras para os monges, por exemplo, os monges comiam pela manhã e ao meio dia e ele dizia - Para quê? Basta comer uma vez só! – E este homem, chamado Devadhata, de tanto criticar, de tanto acusar Buda de excessivamente tolerante, criou um problema e seiscentos monges concordaram com ele, as regras deveriam sim, ser mais duras e que Devadhata deveria ser o líder. Então deixaram Buda e foram com Devadhata. Depois de algum tempo, após tudo dar errado, Devadhata ficou como símbolo do discípulo que pensa ser maior que o mestre e quer que a coisa seja feita de forma melhor, mais rígidamente.  A lenda diz que a terra se abre e o engole. É muito provável que ele tenha sumido, desistido. E Shariputra, aquele personagem do Sutra do Coração, é que foi até o local onde estavam os monges e mostrou à eles que  estavam errados.

O ensinamento de Buda é o “Caminho do Meio”, da moderação e não o caminho do radicalismo. Mas dentro disso, na essência, o que havia em Devadhata era a inveja. O que ele queria na realidade era derrubar o líder.

No caso dos evangelhos Cristãos, Judas queria que Cristo assumisse seu papel de líder de uma revolta contra os romanos. Que era o que as antigas profecias de Isaias, diziam: que chegaria um messias e que libertaria o povo do jugo dos estrangeiros. Era isso que eles imaginavam, que ele lideraria uma revolta e seria vitorioso. Outros líderes acabaram levando o povo judeu a uma revolta contra os romanos. Em 70 D.C. essa revolta se realizou e o imperador  mandou suas tropas, que derrotaram os rebeldes judeus definitivamente. E já cansado de tantas revoltas dos judeus, ele decidiu que eles não ficariam mais juntos e ordenou que os judeus se espalhassem no império a isso chama-se diáspora, para enfraquecê-los, dividiu-os. Cada um num canto do império. Não podiam ficar mais juntos e nem ser uma nação. Situação que só mudou, quase mil e novecentos anos depois em 1948, quando novamente foi fundado um estado judeu, que não tem paz, pois foi fundado num lugar que já estava há quase 1900 anos sendo habitado também por outros povos, os palestinos. Então cada um defende seu direito histórico – Essa terra é minha! – são incapazes de se juntar e viver em paz e tolerar um ao outro, então criaram uma cultura de ódio.

No fim, nós podemos ver que isso tudo está baseado em egos, em “eus”, porque cada um assumiu uma identidade. Se eles perdessem a memória hoje e ninguém mais lembrasse quem é, olhassem uns para os outros e vissem seres humanos, que são da mesma raça, que são idênticos, todo conflito cessaria. Ninguém veria a necessidade de dar tiro no outro, nem de fronteiras nem nada assim, porque afinal de contas, seriam apenas seres humanos sem memórias. Então, isso ocorre porque foram condicionados a acreditar – eu sou diferente, eu, eu, eu – e, porque tem “eus” , tem conflito.

E essa é a grande lição de Buda quando diz – “Você não me enganará mais” - e ele então estende a mão, toca na terra e diz: “Tomo a terra como testemunha, você não me enganará mais”. Então o tema da palestra de hoje é: “Nós devemos olhar para dentro de nós mesmos” e a cada vez nos perguntarmos - Quem é esse que se irrita, quem é esse que perde a paciência, quem é esse que pensa que tem razão, quem é esse que tem opiniões, quem é esse que não consegue se calar? - Esse que vocês podem identificar, é nosso maior inimigo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

"Eu o vi sem ver"


(continuação)
No fundo o que nos atrapalha é nosso apego ao eu, nosso apego ao si mesmo. Por isso Dogen Zengi diz: “Estudar o Dharma é esquecer de si mesmo” estudar a si mesmo é esquecer de si mesmo, se esquecermos de nós mesmos então estamos realmente livres. A Escritura da Marcha Heróica diz, “Se você criar uma compreensão do sagrado, sucumbirá a erros.” O imperador ficou ali feito um tolo: - "Quem é você que está na minha frente?" Para ele era uma boa intenção, mas para Bodhidharma é como se ele estivesse lhe cuspindo no rosto, porque se ele respondesse eu sou isto ou aquilo, imediatamente teria se perdido. Bodhidharma por isto não podia evitar de oferecer um “não sei”.

Mais tarde o imperador Wu sentiu que um homem superior tinha partido e escreveu um epitáfio para Bodhidharma em que dizia: “Eu o vi sem ver, conheci sem ter conhecido, agora como dantes eu me arrependo e lamento isto”. Na verdade, o esclarecimento e o despertar são invisíveis para olhos não despertos. Pode passar por nós Shakyamuni Buddha e se estivermos perdidos em nossos pensamentos, terá passado por nós apenas um homem, um ruído de passos, uma brisa, nada mais. Bodhidharma esteve em frente ao imperador e depois o imperador percebeu: - "Eu o vi sem ver".

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Dia de Buda Shakyamuni no calendário oficial brasileiro


LEI No
12.623, DE 9 DE MAIO DE 2012
Institui o Dia do Aniversário do Buda Shakyamuni e o inclui no Calendário Oficial
de Datas e Eventos Brasileiro.
A   P R E S I D E N T A   D A   R E P Ú B L I C A
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono
a seguinte Lei:
Art. 1
o
Fica instituído o Dia do Aniversário do Buda Shakyamuni a ser comemorado, anualmente, no segundo domingo de maio.
Art. 2
o
A data comemorativa ora instituída passará a constar

do Calendário Oficial de Datas e Eventos Brasileiro.




sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Arahant e Buddha


P: Qual a diferença entre os termos Arahant e Buddha?

O Prof. Ricardo Sasaki, respondeu na lista Shin:

R: Esta é uma questão bem complexa pois tem a ver com as mudanças de significado que certas palavras sofreram no decorrer da história buddhista. Originariamente Arahant e Buddha eram dois estados bem próximos, todo Buddha é um Arahant (Roberto, o Buddha não era um Arahant "antes" de se tornar Buddha), enquanto que nem todos os Arahants são Buddhas. Mas a diferença originariamente era apenas de que o Buddha é aquele que "abria" o caminho da Iluminação, e os Arahants era aqueles que, utilizando do ensinamento (caminho) mostrado pelo Buddha, atingiam o mesmo nível de libertação.

Com o tempo os dois termos foram se tornando mais distantes, a palavra Buddha foi sendo mais e mais exaltada e distante do estado de Arahant. Isso chegou num ponto em que a palavra Arahant sofreu uma modificação, significando não mais a libertação completa (tal como aparece definida nas escrituras antigas) mas uma libertação parcial, apenas de kleshas da cobiça e da raiva, mas não do klesha da ingnorância. Então uma vez atingido o estado de Arahant, haveria mais ainda a se fazer até atingir o estado de Buddha, algo que não tem sentido na estrutura doutrinária e hermenêutica dos ensinamentos antigos.

terça-feira, 23 de março de 2010

Relíquias de Buddha passam por Florianópolis





Um conjunto de relíquias budistas, sariras (restos de cremação com aspecto de pequenas pérolas) passou por Florianópolis, Lama Padma Santem fala em meio a autoridades e guardiões das relíquias na foto acima, estiveram presentes também praticantes zen budistas e monges.
O projeto das relíquias é apoiado pelo Dalai Lama e estas já percorreram 52 países, Monge Genshô e Lama Padma Samten deram bençãos individuais a alguns dos presentes segurando em suas mãos relíquias do próprio Shakyamuni Buddha.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Buddha retornará algum dia? Uma pessoa pode se tornar um Buddha?


Um Buddha é totalmente iluminado no sentido de que não retornará porque tem tão bem extinto seu carma que não resta energia suficiente para gerar uma nova manifestação. Se é assim, esta iluminação, perfeita e completa, se atingida , torna a pessoa que chegou a tanto, idêntica a Buddha, e portanto um Buddha.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Buddha sai do palácio



Rahula, filho de Buddha e um de seus mais destacados discípulos.

P: Buddha abandonou esposa e filho. Um pequeno ou grande sacrifício por parte dele? Quão grande deve ter sido o efeito desse abandono na vida da mulher e do filho e da mãe e do pai? Qual teria sido o efeito cármico de um ato deste para Gautama?


R: Grande, sem dúvida. Veja que ele não era um iluminado quando deixou seu palácio. Nem temos porque tentar defender os atos de Buddha antes da iluminação; ele não era diferente de mim ou de você. Era um homem perturbado, cheio de dúvidas sobre o sofrimento, angustiado pela existência da morte.

Que foi difícil sua decisão, é de imaginar: cortar seus laços e tentar encontrar as respostas... Você pode avaliar pela sua própria luta para cortar com o passado e encontrar seu próprio caminho. Difícil, dolorido, coisa que precisa de coragem e determinação.

Do ponto de vista ético, podemos citar S. Thomas de Aquino, nas dúvidas morais optar pelo maior bem para o maior numero de pessoas, Não há dúvida de que este objetivo foi atingido no caso de Buddha.

Por outro lado Rahula, seu filho, foi mais tarde um dos grandes discípulos de Buda, um de seus mais próximos seguidores, sua mãe adotiva foi a iniciadora da ordem feminina e também grande discípula. A esposa faleceu antes dessa oportunidade.

Ao que parece, a família o seguiu. Assim podemos dizer que o mau carma de abandono de Sidharta parece ter sido resgatado pela sua atuação depois de se tornar o Buddha.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Buddha sabia que iria achar um caminho?



Buddha, estátua representando seu período de ascetismo extremo, uma de suas tentativas de achar o esclarecimento e que ele concluiu ser um erro.

Não creio, lemos nos textos sobre a sua grande angústia e desejo de alcançar paz, um homem cheio de dúvidas, e que causou sofrimento a sua família ao abandona-la, naquele momento ele era Gautama, não se tornara o Buddha, o desperto.
Seu caminho procurando uma coisa depois outra para achar a solução mostra que no mínimo ele não tinha idéia sobre como achar uma solução para o sofrimento, o que tinha era determinação, seu relato é bem detalhado sobre suas experiências. Neste link um resumo da vida de Buda baseado nas escrituras Páli, ou seja , o registro mais antigo disponível: http://www.acessoaoinsight.net/caminho_liberdade/buda.php#Bodisattha .

Penso que ele, apesar de ter tentado aprender com dois grandes mestres de yoga, não se conformou porque não obtinha respostas cabais. Sua solução inclui uma negação da existência de almas ou espíritos, portanto uma recusa da reencarnação como normalmente a entendemos, um rompimento drástico com as crenças de sua época e ainda predominantes no mundo atual. Admitiu uma continuidade, mas não a continuidade “do mesmo indivíduo”. Portanto creio que ele não partiu com idéia pré concebida mas pelo contrário trabalhou durante seis anos para encontrar a solução e o fez não através do raciocínio mas da meditação, da iluminação.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Zazen


Quando praticamos zazen, nossa mente sempre segue a respiração. Quando inalamos, o ar entra em nosso mundo interior. Quando exalamos, o ar sai para o mundo exterior. O mundo interior não tem Limites e o mundo exterior também é ilimitado. Nós dizemos "mundo interior" e "mundo exterior", mas, na verdade, só há um único mundo. Nesse mundo sem limites, a garganta é uma espécie de porta de vaivém, O ar entra e sai como alguém passando por uma porta de vaivém. Se você pensa "eu respiro", o "eu" está a mais. Não há um você para dizer "eu". O que chamamos "eu" é apenas uma porta de vaivém que se move quando inalamos e exalamos. Ela simplesmente se move, eis tudo. Quando sua mente está pura e calma o suficiente para seguir esse movimento, não há nada: nem "eu", nem mundo, nem mente, nem corpo. Só uma porta que vai e vem.

Assim, quando praticamos zazen, tudo o que existe é o movimento da respiração e, no entanto, estamos cônscios desse movimento. Não devemos nunca nos distrair. Mas estar consciente do movimento não significa estar consciente do eu pequeno, e sim da nossa natureza universal, ou natureza de Buddha. Esta consciência é muito importante porque em geral somos unilaterais. Nossa compreensão habitual da vida é dualista: você e eu, isto e aquilo, bom e mau. Na realidade, tais discriminações são, elas próprias, a consciência da existência universal. "Você" significa estar consciente do universo na forma de você, e "eu" significa estar consciente do universo na forma de eu. Você e eu somos portas de vaivém. E necessário este tipo de compreensão; porém, nem sequer deveria chamar-se compreensão já que é, isto sim, a verdadeira experiência da vida através da prática do Zen.
Shunryu Suzuki

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Escrituras budistas



Na foto acima vemos uma coletânea (Triptaka)de escrituras buddhistas, abrange os discursos de Buddha, as regras monásticas criadas por ele e comentários filosóficos, o tamanho dos textos disponíveis deixados por Buddha é impressionantemente maior do que o disponível em outras tradições, normalmente limitadas a um único volume.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Buddha ou Buda? Rakussu ou rakusu?

O Colegiado Buddhista Brasileiro decidiu recomendar as grafias conservando as raízes sânscritas ou pális, assim é recomendada a grafia Buddha, o que não significa obrigatoriedade, mas diminui algumas confusões.
Um exemplo é a palavra Gatha (verso) que escrita Gata, perde algo evidentemente. Quanto as grafias transliteradas de palavras tais como rakusu, embora a pronúncia seja de "ss", deve ser escrita com um "s", a razão é que se uma busca é feita na net só a grafia transcrita do japonês ao inglês leva a buscas ricas, por esta razão não devemos omitir os "Y" e dobrar os "s" para adaptar à nossa pronúncia usual em português.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Por quê ordenações oficiais no zen? Perguntas


P: Por quê ordenações oficiais?

R: Porque desde os tempos de Buddha há regras para as ordenações, elas incluem concordância das famílias dos noviços jovens,raspar a cabeça para mulheres e homens, presença de monges testemunhas, ordenação por alguém que foi por sua vez devidamente ordenado e galgou o reconhecimento formal da instituição e de um mestre como realizado espiritualmente. Se uma pessoa, sem este reconhecimento ligado a uma linhagem sólida, faz ordenações, ou se são feitas fora das regras criadas por Buddha, elas simplesmente não são a continuação da linhagem de Buddha e portanto são inválidas.
Para entender melhor imagine encontrar um padre que clame ser um sacerdote católico, mas que você descobre não ter cursado o seminário, não ter sido ordenado por um bispo, não ser reconhecido nem registrado dentro da Igreja Católica, você o tomaria como um sacerdote legítimo?

P: Mas ouvi dizer que Buddha não criou uma religião organizada, que nunca foi buddhista, coisas assim!

R:Isto é desconhecimento dos próprios sutras buddhistas, eles contam detalhadamente que Buddha organizou seus discípulos com regras claras,( o Vinaya), estabeleceu uma extensa regulamentação, criou hierarquia entre seus discípulos, regras de subordinação, vestimentas distintivas, etc... tudo o que identificamos como uma religião organizada.

P: Como o senhor acha que ordenações irregulares, organizações paralelas, professores auto nomeados, serão problemas superados no futuro?

R: Isto não é novidade na história buddhista, já aconteceu no passado muitas vezes, as organizações paralelas tendem a enfraquecer com o tempo pois não tem raízes sólidas. Passados os séculos mal temos referências sobre suas existências, só as ordens oficiais e organizadas sobreviveram. No Brasil, e eu mesmo passei por esta experiência, pois fui ordenado sem registro inicialmente, monges nesta situação que tinham grupos de prática começaram a procurar registro, reconhecimento oficial e ordenações válidas, isto acabará ocorrendo no restante da América do Sul. Sempre que merecido a organização central os acolheu e regularizou a situação. Isto provê a estes religiosos a oportunidade de treinar e progredir além da situação de noviços (Jôza), dá a eles a oportunidade de viajar pelo mundo nas diferentes sedes da Soto Zen Shu, receber apoio em seu trabalho, ascender recebendo novas graduações e mesmo chegar a transmissão da luz, oficial, e vestir digna e corretamente o manto amarelo dos monges plenos (Osho).

P: Mas isto não faz da Soto Zen Shu a "Igreja" do zen?

R: Voltamos a questão inicial, as instituições tem defeitos e inevitavelmente são feitas de homens imperfeitos, porem elas é que realmente preservaram os ensinamentos e conseguiram passa-los adiante. As organizações paralelas independentes tendem a cair em lutas internas por poder, mal crescem um pouco, por esta razão não sobrevivem, falta-lhes a força da linhagem. A Soto Zen Shu,que traça sua linhagem de mestres desde Shakyamuni Buddha, não por acaso, há quase 800 anos sobrevive e criou universidades, centros, mosteiros, são 14 000 templos oficiais, e espalhou o ensinamento zen pelo mundo, sua plêiade de grandes mestres é impressionante, os descaminhos tiveram oportunidade de ser elaborados por uma forte crítica interna que está bem viva nos dias de hoje, esta vitalidade é a seiva da qual podemos todos nos nutrir para preservar o Dharma de Buddha.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Vídeo conferência


Temos feito vídeo conferências com os grupos de prática do zen ligados ao Instituto Educacional Todatsu. Ontem foi a vez do grupo de Curitiba, muitas perguntas sobre assuntos ligados ao EU e a existência de deuses.
Já há grupos de meditação funcionando em Goiânia, Curitiba, Rio do Sul e Joinville, e dois em início de organização em Maceió e Salvador. Somente a vídeo conferência, com skype e câmera de vídeo (basta um computador,banda larga, microfone e câmera de vídeo) tem viabilizado assistir de forma econômica pessoas tão distantes. Afinal os discípulos de Buddha só podiam contar com suas vozes que atingiam poucas dezenas de metros. Graças a internet o Dharma pode ser propagado a milhares de km...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O que são as "marcas" citadas como do corpo de um Buddha?


É interessante observar que a idéia de que vários sinais, conhecidos apenas por sábios, indicam o destino futuro de uma pessoa é muito mais antiga que o budismo. Os 32 sinais do super-homem pertencem ao manual de astrologia pré-budista. São sinais citados em obras hindus e foram tomados emprestados pelo budismo que assim legitimou culturalmente seu fundador na sociedade hindu.
O budismo sempre foi mestre nestes sincretismos que facilitaram sua penetração. Por exemplo o Ushnisha, "turbante", espécie de capuz representado em estátuas na forma de excrescência no alto da cabeça, a protuberância referida. É representado redondo em Gandhara, cônico no Camboja, pontiagudo no Sião e nas miniaturas de Bengala do sec II, e como chama no Laos.
Em torno da cabeça é colocada uma aura. Na arte de Gandhara (que surgiu com a influência grega) a aura aparece nas figuras de reis e deuses, na arte cristã este símbolo foi adotado depois do sec IV, o budismo o adotou também quando passou a representar Buddha, o que só ocorreu 300 anos após sua morte, até então pintava-se a árvore Bodhi e no máximo suas pegadas. Ele não estava ali. É depois de Alexandre que as estátuas surgem.
Para os budistas modernos este corpo "glorioso" de Buda é um contraponto ao corpo humano do Buda histórico e representa seu poder espiritual.


Arrumadas, as marcas são as seguintes:

1) Protuberância no alto da cabeça
2) Cabelo encaracolado para a direita
3) Testa larga
4) Pequeno círculo de pelos entre as sobrancelhas
5) Olhos azul-preto com pestanas como os de uma vitela
6) Quarenta dentes
7) Dentes uniformes
9) Dentes sólidos
10) Dentes brancos
11) Queixo com a força de um leão
12) Língua fina e comprida
13) Voz melodiosa
14) Ombros largos
15) Sete protuberâncias
16) Peito forte
17) Com pele delicada e dourada
18) Quando em pé, as suas mãos chegam aos joelhos
19) Torso como o de um leão
20) Corpo proporcionado como a árvore nyagrodha
21) Cada cabelo encaracolado para a direita
22) Pelos virados para cima
23) Aquilo que é preciso esconder estará escondido
24) Coxas roliças
25) Mal se notam as articulações dos tornozelos
26) Palmas das mãos e solas dos pés macias e suaves
27) Dedos dos pés e mãos ligados por uma membrana
28) Dedos compridos
29) Palmas das mãos e solas dos pés marcadas com uma roda
30) Pés simetricamente iguais
31) Calcanhares largos
32) Pernas de gazela


Este corpo com as marcas ditas, se levado ao pé da letra seria estranho. Que aos olhos do praticante ele é uma representação simbólica, um corpo glorioso, como o descrito para o Cristo ressuscitado. Buddha também parecia as testemunhas de seu tempo um homem normal.Da mesma forma que Cristo. O que não quer dizer que não tivessem aparência maravilhosa para os que pudessem ver.Ou seja que estas tradições tem um papel místico e por esta razão não é de surpreender que reproduzam coisas de manuais mais antigos. Estão dentro de arquétipos coletivos que reforçam os sentimentos religiosos.

domingo, 24 de agosto de 2008

Mente/Coração



Workshop com Prof. Ricardo Sasaki (Dhanapala) Título: "O que o Buddha tem a nos ensinar sobre a Mente/Coração" Tema: Dhammapada – (capítulo 3) Ministrante: Ricardo Sasaki (Dhanapala) Curso ministrado durante os dias 19 e 20 de agosto de 2008 em Florianópolis.