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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O sofrimento é ilusão mas é real


Pergunta – Na cerimônia há uma passagem que diz que “transferimos os méritos desse sutra...” como que é isso?

Monge Genshô – Se todos somos um e estamos todos ligados, tudo que fazemos atinge todas as pessoas, não é necessária nenhuma transferência. Tudo que você faz atinge todos os seres, todas as coisas do universo. Você e o universo são uma única coisa. Atingidos pela ilusão de estarmos num corpo, olhamos as coisas e nos vemos separados. Tudo que fazemos, de bom ou ruim, contamina todos os seres.

Pergunta – Qual o pensamento do Budismo sobre reencarnação?

Monge Genshô – Não existe alma ou mesmo um “eu”, portanto, se não existem almas ou espíritos e se o “eu” é uma ilusão construída por nossa mente, o que existe para reencarnar?

Pergunta – Se vida e morte são uma coisa só, por quê é errado matar?

Monge Genshô – Mesmo que o sofrimento seja parte integrante da vida e mesmo que seja parte de um sonho, ele é real. Quando você vê uma pessoa tendo um pesadelo, é apenas um sonho, mas ele está sofrendo. Se você tem compaixão e não deseja que os seres sofram, você não irá causar sofrimento. Embora seja ilusório, ele é realidade. Quando você vê os pontos em forma de pessoas, em certo sentido é ilusão, mas são seres e sofrem. Vida e morte são partes integrantes de uma única coisa, como dois lados de uma moeda. Nascimento e morte são a própria vida. Nenhum ser, mesmo ilusório, deseja sofrer e morrer, por isso matar é errado e isso se estende a todas as formas de vida.

Quando fazemos nossos votos prometemos proteger todas as formas de vida e não somente as humanas. Não somos os reis da criação. Não fomos feitos a imagem e semelhança de um Deus, ou somos todos deuses ou não existem deuses. Essa é a visão budista.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Palavras com poder


Pergunta – A questão do Sutra do Coração da Sabedoria, gostaria de saber se ele é uma oração e se for uma oração, o Budismo Zen concorda então que as palavras podem ser mágicas ou podem causar transformações nas pessoas como os mantras ou são apenas rituais de lembrança?

Monge Genshô - Várias pressuposições na pergunta. O sutra é uma oração? Não, o sutra não é uma oração, o sutra é um ensinamento que você repete para se conscientizar dele. É isso que o sutra é. O Sutra do Coração é um resumo de uma idéia que perpassa os sutras da coleção “Prajna Paramita”, que são  cerca de 600. Então é o sutra do coração do Prajna Paramita, o sutra do ensinamento que é o cerne, a essência, dos sutras da coleção Prajna Paramita. É o “Sutra do Coração da Sabedoria”, e não o sutra do coração apenas.

Orações funcionam? Funcionam sim. Na verdade, se você tiver fé, acreditar profundamente numa coisa e repeti-la com fé, ela vai funcionar. Poderia ser coca cola. Se eu acreditar que funciona, coca cola, coca cola, coca cola. Quando ninguém mais souber o que é coca cola, coca cola é um mantra e funciona. Na realidade somos nós que fazemos essas transformações. As palavras têm poder? Sim as palavras têm poder. Por que é que as pessoas dizem palavrões? Porque acham que os palavrões têm poder, que eles vão funcionar. Eu disse ontem à noite,  que há anos, bastante anos, eu não digo palavrões. Nenhum palavrão. E alguém perguntou: e se o Senhor levanta à noite, bate com o dedinho no pé da cama, o que é que o senhor diz? Eu digo “burro, como tu és burro”, porque se tem alguém que eu deva insultar, sou eu mesmo. Então eu uso essa estratégia. Porque acredito que os palavrões são mantras ao contrário, levam nossa mente a más associações.

Tem um texto que eu escrevi uma vez, sobre uma idosa amiga minha, ela era espírita, e dizia sempre: “paz, luz e amor para você”. E isso era o que ela repetia para todo mundo, todo o tempo, e ela se transformou numa pessoa muito especial. O nome dela parecia com o que ela se transformou, com a imagem que eu tenho dela, “Celeste”. O que eu vejo? Que ela repetiu aquilo tantas vezes, que aquilo se incorporou nela. Há pessoas que pensam que se elas falarem palavrões elas são interessantes. Então elas dizem coisas abjetas, baixas, sujas.  Achando que estão fazendo algo bom, que estão sendo interessantes ou enfáticas. Não, elas não estão sendo enfáticas. O que elas estão fazendo é trazer o que há de mais baixo para cá, para junto delas, as idéias, os pensamentos associados aos palavrões.

Originalmente o palavrão era um mero som, mas ele foi transformado através da repetição e da intenção, naquilo. As palavras como paz, luz, amor, também foram transformadas pelas pessoas, pela sua prática, pela sua repetição. Vocês têm escolha de qual é o mundo que vocês trazem para junto de vocês. Essa amiga acreditava que os espíritos de luz vinham para junto dela. Então se nós pegarmos essa imagem, nós dizemos que os espíritos de escuridão, a maldade, os criminosos, eles vão para junto dos que falam coisas insultuosas, porque onde é que eles falam a pior linguagem?  Não é nos lugares onde estão os criminosos? Por que é que nós vamos usar a linguagem dos criminosos?

Então, orações têm poder, mantras também, palavrões idem, boas palavras também. E, é algo de mágico? Não, não é mágico. Nós é que transformamos essas ações em mágica. Eu dei uma prática para vocês, não foi? Falem com aquelas pessoas que ninguém olha, agradeçam. Esse agradecimento de vocês é como uma oração, e muda vocês e aquela pessoa e o mundo, então, não tem mágica nenhuma, mas é profundamente mágico.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Como um homem na luz mas de olhos fechados


1) Nessa maneira como eu posso explicar a sensação de “deja-vu”?

Saikawa Roshi – O que você quer dizer com isso?

Aluno-  Essa sensação de que as coisas se repetem.

Saikawa Roshi – Elas parecem a mesma coisa, mas o momento que você sente essa experiência é esse momento.

2) Devemos buscar a iluminação ou não?

Saikawa Roshi – Sem dúvida. Porque estamos iluminados mas não vemos. (Como um homem na luz de olhos fechados). Porque originalmente estamos além de delusão e iluminação, mas sua atividade mental não concorda com essa experiência. Buda levou seis anos e nossos ancestrais praticaram duramente zazen. Dogen iluminou-se na China e voltou ao Japão onde fundou Eihei Ji, era uma pessoa muito inteligente e escreveu vários livros em chinês, livros muito, muito difíceis de escrever e entender. Quando Dogen tinha oito anos já havia lido difíceis livros de teoria Zen chineses. Uma vez monge, estudou Sutras e mesmo assim não estava satisfeito, pois isso era um entendimento mental e esse entendimento mental é baseado nos opostos.

A realidade estava além destes dois lados, bom ou ruim, certo ou errado, por isso ele precisava experimentar, precisava da experiência. Isso é chamado de iluminação num pequeno sentido, mas no grande sentido ele já era iluminado, além disso ou daquilo, dentro e fora, vida e morte. Mas até que você realmente veja a realidade antes de começar a atividade mental, você nunca estará satisfeito, você precisa dessa experiência.

3) A compreensão da parte filosófica do Budismo é bastante fácil e compreensível para quem se esforça. A grande dificuldade é quebrar os condicionamentos da mente e dos atos, de sua prática diária.

Saikawa Roshi – Porque vivemos num modo dualista. Algumas pessoas pensam que a mente é o corpo. Na vida diária temos que identificar e entender as coisas. É muito fácil ser fisgado, apanhado pela mente. Do ponto de vista de Shakyamuni Buda, quero salvar os seres, mas, não posso encontrá-los, mas no ponto de vista de nossa vida prática, mesmo Shakyamuni e Bodidharma tiveram dificuldades para atingir a iluminação e permaneceram no caminho da prática. Tornar-se presente na vida diária é muito difícil.

4)  E o zazen é a forma de prática, é o caminho da prática?

Saikawa Roshi – Sim. É a maneira de ver o self e de salvar o self.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O caminho da luz


P:  Me parece que a respiração tem uma ligação com o despertar. Até que ponto  ela influencia?

Monge Genshô – A respiração faz parte do método e é uma atividade corporal que tem dois aspectos. Ela é automática, mesmo que você não preste atenção você respira e por outro lado você tem controle sobre ela, podendo variar seu ritmo da forma que desejar. Desta maneira, esse controle permite que você interfira no funcionamento da mente, por exemplo, se você está invadido por pensamentos que não cessam, pode interromper por alguns segundos a respiração, esse ato quebra o ciclo do pensamento invasivo. Você pode seguir fazendo isso cada vez que um pensamento invadir sua mente, passando a ter um mecanismo que lhe permita interferir na sua mente que parece incontrolável e corre como um cavalo desembestado, mas que através desse exercício, você pode colocar-lhe rédeas. Ser senhor de sua mente é extremamente importante. As pessoas costumam dizer que não conseguem parar determinados sentimentos como raiva ou rancor e não conseguem parar a agitação, mas isso não é verdade, sua mente pode ser controlada e o mais acessível mecanismo é a respiração. Depois que você aprende a controlar sua mente no Zazen, pode vir a controlar também na vida diária e isso é muito importante. No Zazen quieto olhando para a parede é mais fácil, embora percebamos ser muito difícil. Mas, mesmo assim, ainda é mais fácil que na vida diária.
 A dificuldade dessas experiências é que elas não são transmissíveis com palavras, são pequenos insights que surgem à medida que vamos praticando e que vão abrindo condições para novos insights. Criar condições para ter insights é muito importante, pois existem pessoas que nunca têm insights de nenhum tipo, desta forma, elas não aprendem coisas que estão disponíveis na vida, que são perceptíveis. 

P: O Satori é um estado sempre presente e nós é que não conseguimos acessá-lo?

Monge Genshô – Está sempre disponível. Depende de você e poderia existir, no entanto, não é nem um pouco fácil ganhar esta habilidade. Na verdade é uma habilidade de voltar ao kenshô quando se deseja. Se você tiver vários insights vai chegar o dia em que terá um “kenshô”, então terá vários “kenshôs” cada vez mais longos e mais profundos. Se você conseguir treinar desta forma e atingir um estado de estar em Zazen em torno de 40% realmente presente, estará amadurecendo a mente de tal modo que o Satori torna-se possível.

Isso não é um milagre e mesmo que atingido esse estágio não significa que a pessoa tornou-se alguém especial e sim que ela conseguiu enxergar algo, mas ela pode se comportar ainda de maneira bem errada. Ela tem a habilidade, mas para que a habilidade penetre na sua vida completamente, ainda leva muito tempo de treinamento. O que normalmente se diz para essa pessoa é que o caminho começa agora e que ela necessita praticar mais e de forma mais intensa. Ter o insight não significa ter terminado o caminho e sim tê-lo iniciado.

Funciona mais ou menos da seguinte maneira: você nunca teve nenhum insight e tê-lo parece ser maravilhoso. Quando você tem o primeiro, não parece mais tão maravilhoso, pois ainda falta muita coisa, então você tem mais e mais insights e cada vez que você olha para trás percebe que tudo que você teve não era nada. Quando consegue um esclarecimento ou despertar, percebe que ainda se sente decepcionado consigo mesmo, pois você não é nada daquilo que pensava que deveria ser. Mas você continua praticando e tentando chegar mais fundo e esse caminho é praticamente infindável.

domingo, 15 de abril de 2012

De uma mãe para o blog


Publicado em comentário à postagem "Interrupção da gravidez de anencéfalos":

Quando perdi um filho, escrevi:


Luz e Sombra


Tenho sombra

Em minh’alma

Faltou-me a luz

Que eu daria


Toda dor

É ausência

Faltou-me o filho

Que viria


Toda tristeza

Vem de dentro

Faltou-me o corpo

Que eu gerava


Em que vago, vão momento

Se perdeu?

Que cuidado lhe faltara?


É preciso piscar

Para enxergar

É preciso noite

Para haver dia

Chuva, para abrir o sol

Silêncio em meio à música

Atrito, para rugir a paz,

Solidão para vir o amor,

Dor, para a criação.


É preciso luz,

Para haver sombra,

Ventre, para a gestação.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Um fio de luz


Monge Genshô: O Buddhismo começa com a iluminação de Buddha, que ele obteve depois de um esforço ardoroso. Por esse motivo, nossa fé suprema é na experiência da iluminação de Buddha, cuja substância ele proclamou ser esta natureza humana, toda existência que é intrinsicamente total, impecável, onipotente – numa palavra perfeita.(TEXTO). Então qual é a nossa fé? A nossa fé é de que vale a pena seguir o caminho de Buddha e nesse sentido todos aqui são pessoas de grande fé porque para virem até o sesshin, sentarem e sofrerem é porque confiam que afinal de contas Buddha obteve com este esforço um resultado maravilhoso. Então existe fé na nossa prática.

P. Esta fé também não pode se basear em pequenas experiências...


Monge Genshô: Pode, aí começa a deixar de ser na realidade fé, começamos com fé, é assim: primeiro nós confiamos e por isto nós começamos a praticar, mas logo começamos a ter pequenas experiências que nos dão lampejos que nos dizem: ah, tem realmente algo para conseguir, eu vi uma réstia de luz então eu vou lá abrir aquela porta aonde tem mais luz porque eu vi um fio de luz, estas pequenas experiências que no sesshin muitas pessoas tem, é muito interessante, porque cada pessoa conta uma aventura, que é uma aventura pessoal, muitas vezes emocionante, comovente, isto é sesshin...

(Comentários sobre texto de Yasutani Roshi em palestra)

terça-feira, 21 de junho de 2011

Faça-se a luz !


Há muito tempo o budismo insiste que a vacuidade é idêntica aos fenômenos.

Energia
Luz é gerada é partir do nada
Redação do Site Inovação Tecnológica -

Faça-se a luz

A maior parte dessas explicações ainda está no reino das hipóteses e das teorias. Ou, pelo menos, estava.

Pela primeira vez, uma equipe de físicos afirma ter conseguido gerar coisas desse "nada" quântico. Mais especificamente, eles fizeram com que vácuo quântico gerasse fótons reais. Ainda mais claramente, tentando trazer isso para o senso comum, eles emitiram luz do nada.

Será necessário esperar que outros grupos refaçam o experimento; mas, se confirmado, esta certamente se transformará em uma das experiências científicas mais bizarras e famosas da história, e uma importante prova prática da validade da mecânica quântica.


O vácuo quântico é um estado com a menor energia possível, uma espécie de sopa de campos e ondas de todas as frequências, de onde partículas virtuais saltam continuamente entre a existência e a inexistência. [Imagem: Lee Brain]Realizando o virtual

Ora, se o vácuo quântico é uma sopa na qual pululam partículas virtuais, deve ser possível detectar ou mesmo capturar essas partículas. Foi isto o que motivou Per Delsing e seus colegas da Universidade Tecnologia de Chalmers, na Suécia.

Os cientistas já sabiam como detectar indiretamente as partículas virtuais "emitidas" pelo vácuo quântico usando dois espelhos, colocando-os muito próximos um do outro.

Essa proximidade limita a quantidade de partículas virtuais que podem vir à existência entre os dois espelhos. Como passam a existir mais partículas virtuais fora dos espelhos do que entre eles, cria-se uma força que empurra um espelho na direção do outro.

Esse empurrão, conhecido como Força de Casimir, é forte o suficiente para ser medido pelos instrumentos atuais.

Luz do nada

Mas os teóricos previam que as coisas poderiam ficar mais interessantes se fosse usado um espelho só, que poderia absorver energia das partículas virtuais e, sendo um espelho, reemití-las na forma de fótons reais.

O problema é que, para isso dar certo, o espelho teria que se mover a uma velocidade próxima à velocidade da luz, algo impraticável com a tecnologia atual.

Delsing e seus colegas deram um jeito de sair desse impasse usando um sensor extraordinariamente sensível a campos magnéticos, chamado SQUID (Superconducting Quantum Interference Device), e fazendo-o funcionar como um espelho.

Quando um campo magnético atravessa o SQUID, ele move-se ligeiramente. Alterando-se o sentido do campo magnético vários bilhões de vezes por segundo força-se o SQUID-espelho a sacudir velozmente - tão rápido que ele atinge cerca de 5% da velocidade da luz.

E essa velocidade parece ter sido suficiente.

Segundo os físicos, o espelho gera um chuveiro de fótons, que saem desse nada chamado vácuo quântico, refletem-se no espelho, e surgem para o mundo real, onde podem ser detectados por fotocélulas.


O espelho gera um chuveiro de fótons, que saem desse nada chamado vácuo quântico, refletem-se no espelho, e surgem para o mundo real, onde podem ser detectados por fotocélulas. [Imagem: Wilson et al.]
Os cientistas afirmam que, conforme previsto pela teoria quântica, os fótons têm cerca de metade da frequência das sacudidas do espelho.

Luz de Feynman

No estágio atual, com este experimento pioneiro, ainda não é possível prever alguma aplicação para o efeito, uma vez que a luz gerada é muito fraca para fins práticos.

Mas pode ser uma luz suficiente para clarear as esquisitices da mecânica quântica e, quem sabe, tirar a razão de Feynman: quem sabe dos cientistas já não estejam começando a entender "alguma coisa" de mecânica quântica?

Se este for o caso, logo poderá ser dada razão a um outro grupo de físicos que, em 2006, previu que será possível, no futuro, construir nanomáquinas alimentadas pela energia do "nada".

Veja outras pesquisas sobre o vácuo quântico:

Matéria e antimatéria podem ser criadas do nada
Super laser poderá criar matéria do nada
Estrela de nêutrons pode acordar o vácuo quântico
Confirmado: a matéria é resultado de flutuações do vácuo quântico

Bibliografia:

Observation of the Dynamical Casimir Effect in a Superconducting Circuit
C.M. Wilson, G. Johansson, A. Pourkabirian, J.R. Johansson, T. Duty, F Nori, P. Delsing
arXiv
24 May 2011
http://arxiv.org/abs/1105.4714

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Luz, Paz e Amor para você


Luz, Paz e Amor para você, era a saudação de Celeste, ela está nesta foto de dez anos atrás, com a postura de sempre, olhando carinhosamente para alguém. Procurei hoje, meio dia depois de seu falecimento, alguma foto sua olhando para a câmera, mas não há nenhuma, ela sempre está olhando para os outros.
Tinha que caminhar com uma bengala e não tinha bens materiais, kardecista convicta uma vez foi assaltada por um rapaz e fez-lhe um longo sermão conseguindo interromper seu crime e arrepender-se de seu caminho. Narrei sua história muitas vezes, pois no meio de tantas pessoas que se expressam com palavrões achando isto uma moda de expressão, ela era uma ilha de termos belos, simples e carinhosos, uma fonte de beleza e afeto.
Perdeu seu filho único, alguns anos atrás, mas mesmo assim continuou achando todas as coisas maravilhosas e vendo beleza em tudo. Quando a encontrava narrava suas longas orações que incluíam a todos. Sua saudação era o exemplo de sua fala correta que nunca se expressava contra ninguém. O que mais dizer? Luz, Paz e Amor para você Celeste!

Uma pequena história de Celeste:
A levamos para conhecer o templo budista tibetano de Três Coroas, lá estava o já também falecido mestre tibetano Chagdud Rimpoche, o grande incentivador da escola Niyngma no Brasil. Nada havia sido marcado com ele, e o mestre não recebia pessoas sem agendar.
Pedimos para ele recebê-la, os auxiliares disseram que ele estava muito ocupado, ia viajar...mas mesmo assim foram falar com o Rimpoche (Jóia preciosa).
Para surpresa de todos ele a recebeu e ela emocionada foi curvar-se e beijar sua mão, mas ele se levantou antes que ela pudesse fazer isso, curvou-se e beijou a mão dela..
Ficaram sorrindo um para o outro num grande silencio e ela saiu .. feliz, com os olhos cheios de lágrimas e disse:
- Conheci um anjo! Obrigada pelo presente que me deram!

Foto de Chagdud Rinpoche