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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Você cria seu mundo
Aluno - E quem controla essa manifestação? Se não sou eu quem controla, de onde vem esse controle?
Monge Genshô – Quem controla a gravidade, a chuva e os ventos? Nós sempre desejamos um “quem” por trás de todas as coisas, mas nem em você existe um “quem”. Quem dentro de você pensa? Você saberia me dizer? Quem é essa dentro de você que pensa?
Aluno – A mente.
Monge Genshô – E quem é essa mente? Quem controla essa mente?
Aluno – Eu ou aquilo que a gente pensa que é.
Monge Genshô – Você pensa que controla sua mente. Mas se é sua mente que pensa, que mente que pensa e que mente que controla o pensamento? Você tem duas mentes? Uma controladora e outra pensadora?
Aluno – Não. Penso que seja uma manifestação maior que eu, que está por trás e que criou...
Monge Genshô – E quem controla essa manifestação?
Aluno – Deus?
Monge Genshô – E quem controla esse Deus? Se ele parar e pensar, “Eu penso, mas quem me controla”? Qual seria a resposta que ele encontraria?
Aluno – Não, ele é a expressão de tudo.
Monge Genshô – E por que você não é a expressão de tudo?
Aluno – Eu quero ser a expressão de tudo, mas tenho que me livrar desse “eu”.
Monge Genshô – Mas então por que você atribuiu esse “eu” a alguém fora de você e por que esse “eu” fora de você não tem o mesmo problema que você? Ele teria, não é mesmo?
Aluno – Não vejo dessa forma. Ele é, logo já sabe tudo...
Monge Genshô – Mas então por que você não é?
Aluno – Alguma coisa aconteceu que mudou tudo isso...
Monge Genshô – Você está querendo atribuir isso a uma definição. Existe alguém atrás de mim que sabe tudo, pensa tudo e que sabe o motivo de tudo.
Aluno – Não acredito que ele, por exemplo, fosse criar o sofrimento. Se eu soubesse que sou parte dessa célula, não iria criar sofrimento para eu própria sofrer...
Monge Genshô – Mas então por que esse ser atrás de você criou o sofrimento?
Aluno – Não sei se foi ele quem criou. Pode ter sido algo...
Monge Genshô – Ah, então existe outro além dele capaz de criar e que criou o sofrimento?
Aluno – Não sei, é o que eu gostaria de saber.
Monge Genshô – A resposta é não. Isso é uma regressão sem fim. Se eu criar alguém extremamente bom atrás de nós, precisarei criar alguém extremamente mau para poder explicar a existência do mal.
Aluno – E sobre o véu de Maya, o véu da ilusão?
Monge Genshô – O véu da ilusão é que cria todas essas armadilhas. Nós criamos soluções através de regressões, por exemplo, como não sei como isso surgiu, eu crio algo atrás de mim para explicar o surgimento disso. Veja bem, os gregos não sabiam o que era o sol, então criaram o deus do sol que era Apolo e guiava o carro do sol todos os dias. Dessa forma, eles atribuíram à Apolo a solução do sol. Mas alguém poderia perguntar: “Mas e Apolo, de onde surgiu”? Para resolver esse problema, Apolo é filho de Zeus. Mas Zeus é filho de quem? Então criaram um Deus que era pai de Zeus a quem Zeus matou. E assim por diante.
Quando você cria uma explicação, tem que criar uma regressão para explicar o surgimento da explicação. Para resolver esse problema o Budismo nunca fala sobre essas coisas. Nós estamos raciocinando para ver como é a historia do pensamento, mas o budismo não tem esse tipo de respostas ou perguntas, “quem foi que fez isso”? Ninguém controla sua mente, ela é sua. Você tem o poder de ser senhora de sua mente, completamente, não existe ninguém comandando sua mente do lado de fora. Você pode induzir sua mente a se sintonizar e trabalhar com outras coisas, por exemplo, você falar palavras boas e criar um mundo bom ou pode viver a reclamar e insultar e criar um mundo semelhante a isso, atraindo pessoas com energia semelhante. Você cria seu mundo. No budismo o mundo não é criado de fora para dentro, mas sim de dentro para fora. Não atribuímos nada a uma força externa.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Criado de dentro para fora
Aluno - E quem controla essa manifestação? Se não sou eu quem controla, de onde vem esse controle?
Monge Genshô – Quem controla a gravidade, a chuva e os ventos? Nós sempre desejamos um “quem” por trás de todas as coisas, mas nem em você existe um “quem”. Quem dentro de você pensa? Você saberia me dizer? Quem é essa dentro de você que pensa?
Aluno – A mente.
Monge Genshô – E quem é essa mente? Quem controla essa mente?
Aluno – Eu ou aquilo que a gente pensa que é.
Monge Genshô – Você pensa que controla sua mente. Mas se é sua mente que pensa, que mente que pensa e que mente que controla o pensamento? Você tem duas mentes? Uma controladora e outra pensadora?
Aluno – Não. Penso que seja uma manifestação maior que eu, que está por trás e que criou...
Monge Genshô – E quem controla essa manifestação?
Aluno – Deus?
Monge Genshô – E quem controla esse Deus? Se ele parar e pensar, “Eu penso, mas quem me controla”? Qual seria a resposta que ele encontraria?
Aluno – Não, ele é a expressão de tudo.
Monge Genshô – E por que você não é a expressão de tudo?
Aluno – Eu quero ser a expressão de tudo, mas tenho que me livrar desse “eu”.
Monge Genshô – Mas então por que você atribuiu esse “eu” a alguém fora de você e por que esse “eu” fora de você não tem o mesmo problema que você? Ele teria, não é mesmo?
Aluno – Não.
Monge Genshô – Por que não? Se ele tem uma mente e pensa, perguntaria: “quem me criou”?
Aluno – Não vejo dessa forma. Ele é, logo já sabe tudo...
Monge Genshô – Mas então por que você não é?
Aluno – Alguma coisa aconteceu que mudou tudo isso...
Monge Genshô – Não poderia ter acontecido a mesma coisa com ele?
Aluno – Não.
Monge Genshô – Por que não?
Aluno – Porque ele já é tudo, ele cria...
Monge Genshô – Você está querendo atribuir isso a uma definição. Existe alguém atrás de mim que sabe tudo, pensa tudo e que sabe o motivo de tudo.
Aluno – Não acredito que ele, por exemplo, fosse criar o sofrimento. Se eu soubesse que sou parte dessa célula, não iria criar sofrimento para eu própria sofrer...
Monge Genshô – Mas então por que esse ser atrás de você criou o sofrimento?
Aluno – Não sei se foi ele quem criou. Pode ter sido algo...
Monge Genshô – Ah, então existe outro além dele capaz de criar e que criou o sofrimento?
Aluno – Não sei, é o que eu gostaria de saber.
Monge Genshô – A resposta é não. Isso é uma regressão sem fim. Se eu criar alguém extremamente bom atrás de nós, precisarei criar alguém extremamente mau para poder explicar a existência do mal.
Aluno – E sobre o véu de Maya, o véu da ilusão?
Monge Genshô – O véu da ilusão é que cria todas essas armadilhas. Nós criamos soluções através de regressões, por exemplo, como não sei como isso surgiu, eu crio algo atrás de mim para explicar o surgimento disso. Veja bem, os gregos não sabiam o que era o sol, então criaram o Deus do Sol que era Apolo e guiava o carro do sol todos os dias. Dessa forma, eles atribuíram à Apolo a solução do sol. Mas alguém poderia perguntar: “Mas e Apolo, de onde surgiu”? Para resolver esse problema, Apolo é filho de Zeus. Mas Zeus é filho de quem? Então criaram um Deus que era pai de Zeus a quem Zeus matou. E assim por diante.
Quando você cria uma explicação, tem que criar uma regressão para explicar o surgimento da explicação. Para resolver esse problema o Budismo nunca fala sobre essas coisas. Nós estamos raciocinando para ver como é a historia do pensamento, mas o Budismo não tem esse tipo de respostas ou perguntas, “quem foi que fez isso”? Ninguém controla sua mente, ela é sua. Você tem o poder de ser senhor de sua mente, completamente, não existe ninguém comandando sua mente do lado de fora. Você pode induzir sua mente a se sintonizar e trabalhar com outras coisas, por exemplo, você falar palavras boas e criar um mundo bom ou pode viver a reclamar e insultar e criar um mundo semelhante a isso, atraindo pessoas com energia semelhante. Você cria seu mundo. No Budismo o mundo não é criado de fora para dentro, mas sim de dentro para fora. Não atribuímos nada a uma força externa.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Seja aquele que canta lá fora
As experiências místicas muito provavelmente não acontecem no zazen, as melhores experiências acontecem fora, depois quando estamos caminhando, ou em outra situação e percebemos que nossos sentimentos estão mudando, se fizermos tempo suficiente de prática nossos próprios sonhos mudam, nosso sono muda, mas nossos sonhos melhoram, porque nosso inconsciente muda. Agora temos apenas um dia mais ou menos de sesshin, esses primeiros zazen do primeiro dia é como se fossem uma limpeza, muitos pensamentos já vieram e se foram, muitos pensamentos que surgiram nos primeiros zazen já não tem mais sentido. Talvez agora estejam retornando imagens ou pensamentos que não são dos últimos dias, mas sim coisas mais básicas e também elas se tornarão cinzas, mas não se importem, não mexam com elas, apenas retornem para cá, para essa imensa dificuldade que é viver o momento presente, a verdadeira vida.
É necessário esquecer de si mesmo. Esquecer de mim, este que sempre quer explicar tudo, que sempre quer ter sucesso, que sempre vai procurar culpas, ou para se martirizar ou nos outros, esqueçam este eu, joguem fora, ele também é uma construção, também é imaginário. Por isso fazemos tudo junto, nunca separem-se do grupo para fazer algo sozinhos. Nós fazemos tudo juntos. Porque não somos ”eus” separados, somos participantes de um grande ser. Esse eu separado que nós tanto prezamos e acreditamos, esse é que nasce e morre, se nos livrarmos dele, nos livramos também de nascimento e morte. Isso é iluminação. Por isso a iluminação é um acontecimento de grande alegria, felicidade imensa, porque morte e nascimento desparecem e de repente você ganhou vida eterna.
Não sentimos nossa eternidade porque somos indivíduos, porque acreditamos em nós mesmo como pessoas separadas e até criamos religiões que querem que nós continuemos existindo iguais para sempre. E não existe nada igual para sempre, só existe um imenso universo do qual nós somos ondas participantes. Estamos nesse imenso fluxo. Somos como as pedras ou árvores lá fora, somos fenômenos no universo. Nós temos que nos sentir como o universo e para isso é necessário esquecermos de nós mesmos. E isso é imensamente difícil, a prática começa com “esqueça passado e futuro, sente-se e mergulhe e seja um com todas as coisas em volta”. Se você conseguir ser um, nem que seja por algum lapso de tempo, se por alguns segundos você for aquele que canta lá fora, mesmo que por um pequeno instante você terá enxergado o que é iluminação. Iluminação é sentir-se assim sempre.
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