Follow by Email

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Criado de dentro para fora



Aluno - E quem controla essa manifestação? Se não sou eu quem controla, de onde vem esse controle?

Monge Genshô – Quem controla a gravidade, a chuva e os ventos? Nós sempre desejamos um “quem” por trás de todas as coisas, mas nem em você existe um “quem”. Quem dentro de você pensa? Você saberia me dizer? Quem é essa dentro de você que pensa?

Aluno – A mente.

Monge Genshô – E quem é essa mente? Quem controla essa mente?

Aluno – Eu ou aquilo que a gente pensa que é.

Monge Genshô – Você pensa que controla sua mente. Mas se é sua mente que pensa, que mente que pensa e que mente que controla o pensamento? Você tem duas mentes? Uma controladora e outra pensadora?

Aluno – Não. Penso que seja uma manifestação maior que eu, que está por trás e que criou...

Monge Genshô – E quem controla essa manifestação?

Aluno – Deus?

Monge Genshô – E quem controla esse Deus? Se ele parar e pensar, “Eu penso, mas quem me controla”? Qual seria a resposta que ele encontraria?

Aluno – Não, ele é a expressão de tudo.

Monge Genshô – E por que você não é a expressão de tudo?

Aluno – Eu quero ser a expressão de tudo, mas tenho que me livrar desse “eu”.

Monge Genshô – Mas então por que você atribuiu esse “eu” a alguém fora de você e por que esse “eu” fora de você não tem o mesmo problema que você? Ele teria, não é mesmo?

Aluno – Não.

Monge Genshô – Por que não? Se ele tem uma mente e pensa, perguntaria: “quem me criou”?

Aluno – Não vejo dessa forma. Ele é, logo já sabe tudo...

Monge Genshô – Mas então por que você não é?

Aluno – Alguma coisa aconteceu que mudou tudo isso...

Monge Genshô – Não poderia ter acontecido a mesma coisa com ele?

Aluno – Não.

Monge Genshô – Por que não?

Aluno – Porque ele já é tudo, ele cria...

Monge Genshô – Você está querendo atribuir isso a uma definição. Existe alguém atrás de mim que sabe tudo, pensa tudo e que sabe o motivo de tudo.

Aluno – Não acredito que ele, por exemplo, fosse criar o sofrimento. Se eu soubesse que sou parte dessa célula, não iria criar sofrimento para eu própria sofrer...

Monge Genshô – Mas então por que esse ser atrás de você criou o sofrimento?

Aluno – Não sei se foi ele quem criou. Pode ter sido algo...

Monge Genshô – Ah, então existe outro além dele capaz de criar e que criou o sofrimento?

Aluno – Não sei, é o que eu gostaria de saber.

Monge Genshô – A resposta é não. Isso é uma regressão sem fim. Se eu criar alguém extremamente bom atrás de nós, precisarei criar alguém extremamente mau para poder explicar a existência do mal.

Aluno – E sobre o véu de Maya, o véu da ilusão?

Monge Genshô – O véu da ilusão é que cria todas essas armadilhas. Nós criamos soluções através de regressões, por exemplo, como não sei como isso surgiu, eu crio algo atrás de mim para explicar o surgimento disso. Veja bem, os gregos não sabiam o que era o sol, então criaram o Deus do Sol que era Apolo e guiava o carro do sol todos os dias. Dessa forma, eles atribuíram à Apolo a solução do sol. Mas alguém poderia perguntar: “Mas e Apolo, de onde surgiu”? Para resolver esse problema, Apolo é filho de Zeus. Mas Zeus é filho de quem? Então criaram um Deus que era pai de Zeus a quem Zeus matou. E assim por diante.

Quando você cria uma explicação, tem que criar uma regressão para explicar o surgimento da explicação. Para resolver esse problema o Budismo nunca fala sobre essas coisas. Nós estamos raciocinando para ver como é a historia do pensamento, mas o Budismo não tem esse tipo de respostas ou perguntas, “quem foi que fez isso”? Ninguém controla sua mente, ela é sua. Você tem o poder de ser senhor de sua mente, completamente, não existe ninguém comandando sua mente do lado de fora. Você pode induzir sua mente a se sintonizar e trabalhar com outras coisas, por exemplo, você falar palavras boas e criar um mundo bom ou pode viver a reclamar e insultar e criar um mundo semelhante a isso, atraindo pessoas com energia semelhante. Você cria seu mundo. No Budismo o mundo não é criado de fora para dentro, mas sim de dentro para fora. Não atribuímos nada a uma força externa.