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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Carma, base do pensamento moral


Pergunta – Mas não existe alguma piora, como no caso da TV, por exemplo?

Monge Genshô – Isto é uma aparência, nós podemos analisar por outro ângulo também. Há apenas 100 anos atrás não existia eletricidade. Para ouvir música, você teria que ver um instrumentista tocar. A medida que nós criamos a eletricidade e os instrumentos eletrônicos, hoje podemos tocar e gravar música usando computadores, etc… Logo, muitos começaram a fazer música. Agora, o gosto geral não é bom, de modo que houve uma vulgarização, por ser um meio de acesso geral. Vou dar um exemplo mais flagrante. Antigamente você abria um jornal e lia as notícias. Uma agência de notícias,  coloca a disposição de um jornal, por dia, centenas de notícias. Quantas notícias você vai publicar? Dez, doze, não muito mais que isso. De modo que o editor vai escolher as matérias que endossam a sua linha editorial. Ele não precisa mentir, apenas escolher. Publica-se aquilo que apóia o pensamento do editor. Agora temos a internet. Na internet, qualquer pessoa com um teclado pode escrever. Portanto, agora temos todo tipo de notícia, você abre a internet e vê o que está disponível. Sem editores, você não tem mais o filtro, ou seja, qualquer tolice ou mentira será publicada. Não era assim no passado? Era, mas não existia a disponibilidade de colocar isso na mão de todos. Hoje temos bilhões de novos textos todos os dias na internet. Conclusão: a humanidade sempre foi medíocre, o que acontece é que agora a mediocridade ganhou voz.

Hoje temos 200 a 300 canais de TV, mas com tudo isso temos a sensação de não ter nada para assistir. Temos que filtrar muito bem algo que não apele para os sentimentos médios, que são baixos. As pessoas dizem “a culpa é da mídia, que divulga apenas crimes”. Quando eu era diretor de um jornal do RS, nós fizemos uma pesquisa. Qual a página mais lida do jornal? Horóscopo. Quais as matérias mais demandadas? Polícia e Futebol. Qual a página menos lida? Editorial, com 4%. Porque você liga a televisão e não acha um concerto de alta qualidade para assistir? Os canais que disponibilizarem tal coisa não vão ter audiência. Por que os jornais e TV têm tantas matérias de criminalidade? Se você colocar algo deste tipo, várias pessoas vão ligar a TV para assistir e abrir o jornal para ler. Tendo sido um diretor na área, posso dizer que não é a mídia que dita o que as pessoas vão ler. Quem pauta o que as pessoas vão ler ou assistir algo é o público. Quando as pessoas assistem algo, dão ibope. Com ibope pode-se vender anúncios e isso dita o interesse da mídia.

Como os budistas devem agir? Os budistas devem mudar as próprias mentes. Se você mudar sua mente estará mudando o mundo. No dia que mudarmos nossas mentes teremos um povo diferente, com um comportamento diferente. Por acreditarmos no poder, no dinheiro como valores principais, nos tornarmos a sociedade que somos e nascemos aqui pois temos karma para isso. Há uma explicação para esta sociedade ser como é, a mania que temos de atribuir a outro (demônios, políticos, mídia, sistema econômico) é uma maneira fácil, como se o problema não fosse nosso. A culpa é sempre nossa. O que eu faço para que isso aconteça? Como geramos karma para nossos problemas acontecerem? Esta é a essência do nosso pensamento moral.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Koan


Palestra Proferida por Monge Genshô
Sesshin de Carnaval: 17 a 20 de fevereiro de 2007
Título: Comentários sobre Teishôs de Taizan Maezume Roshi
Tema: A árvore sem raiz
Decupada da gravação, digitada, editada e revisada por Denkô



Taizan vai falar sobre koan.
Muitas pessoas pensam que a escola Soto Zen não usa koan,isto é um engano. A diferença é que a escola Rinzai põe ênfase nos koans. E a escola Soto põe ênfase no shikantaza, a meditação sentada, e deixa o koan como uma coisa auxiliar. No entanto, os mestres Soto costumam usar koan. Aquela pergunta quem é você? Não é um koan,aquilo é umhua-t''ou (jap. watô). É outra técnica, questões que pressionam. Mesmo os praticantes que estão há anos praticando têm muita dificuldade para responder essa pergunta de forma satisfatória.
Koan significa caso público, caso registrado. É um diálogo entre mestre e discípulo, que foi registrado, sobre o qual você pode pensar e tentar responder. Por exemplo, os discípulos estavam disputando por um gato. Normalmente não existem ou não é para existir animais de estimação nos mosteiros, mas de repente aparece um e é adotado. Então, havia um grupo de monges no mosteiro disputando um gato. O mestre chegou na sala, pegou o gato, levantou-o no ar, tirou a navalha que serve para cortar a barba e disse:digam uma palavra Zen e o gato se salvará. Um monge falou: o gato é meu, o outro: compaixão! não mate o gato! O mestre cortou o gato ao meio. Isto no budismo é absurdo. Mas, ele matou, assumiu o risco de fazer isto em benefício de muitos outros seres porque até hoje estamos falando nisso. À noite chegou um monge que estava viajando. O mestre relatou a história. O monge pegou as sandálias e as colocou sobre a cabeça e saiu, e o mestre disse: se você estivesse aqui teria salvado o gato. O koan é assim: me diga o que você teria dito para salvar o gato. Até hoje eu vi uma pessoa que salvou o gato, metaforicamente. Ele levou um ano tentando,mas conseguiu. É como a resposta quem é você? Se alguém dá uma resposta que ele aprendeu filosoficamente, na hora você vê que esta resposta é uma resposta só da sua cabeça.Traga-me uma resposta das suas entranhas. E esse é um dos problemas do koan porque originalmente aconteciam  diálogos entre mestres e discípulos, na época de ouro do Zen, e eram muito fortes estes diálogos, verdadeiras as respostas. Com o tempo isto foi sendo escrito e tornou-se caso público como essa história do gato  que eu estou contando. Mas vocês não estavam lá nem estavam disputando o gato. Então não era a sua vivência pessoal. É agora uma referência a um caso passado.
O melhor koan é o koan da vida da pessoa, mas precisa um professor realmente bom para isso. Então de certa forma burocratizou-se, institucionalizou-se o koan e começou-se a ter respostas codificadas e isso foi o enfraquecimento da escola Rinzai porque precisa muito bom professor para lidar com este problema. Tem que brigar com o aluno e precisa um  aluno forte também, um aluno que pode ser esbofeteado. Quando Dogen foi para a China, ele tinha sido criado, era monge desde os doze anos de idade, na escola Tendai ou Tientai que é uma escola do Vajrayana japonês. Hoje a grande corrente Vajrayana que nós conhecemos é a Tibetana. Mas existe o Vajrayana japonês como as escolas Tendai e Shingon. Então Dogen quando chegou na China ele viu um Rinzai decadente, modificado, não gostou e foi procurando até encontrar Tendo Nyojo que representava a Escola Caodong de Zen, que é a escola Soto, uma escola que se originou do sexto patriarca (em nossa linhagem) da China. (Comentário de Monge Genshô)
(continua)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A alternativa


Melhorar o ser humano, até o mais impensável limite, e não confiar em sistemas ou soluções ideológicas é, a milênios, a proposta do budismo

"O homem descobriu sua própria imagem ao inventar o espelho. Hoje, começamos a enxergar nosso ser interior, nossa imagem enquanto ser capaz de solucionar questões políticas fundamentais por meio da consciência individual. O coletivo estaria dentro de nós e temos de usar “novos espelhos” para enxergá-lo.

Misturando nanotecnologia e biociência, Peres indicou que não pensa mais no Estado como resultado da associação de indivíduos. E, sim, como condição de existência de cada ser humano. O vínculo entre Estado e indivíduo, para o intelectual, tem hoje caráter de interioridade. Algo como o ser público que existe dentro do privado.

Mesmo porque, segundo o presidente – que fez questão de esclarecer não ser economista –, até a cibernética, atualmente, tem o poder de paralisar uma nação. “Não há proteção contra isso.” Só este fato muda totalmente a maneira de se lidar com a realidade. “Melhorar o ser humano em si é a única alternativa.”

Sonia Racy sobre entrevista de Shimon Peres.