Mostrando postagens com marcador decadência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador decadência. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Busquem a libertação



Aluno - No caso do terrorista se a pessoa vai lá e simplesmente o mata para salvar as pessoas, gera um tipo de carma. Agora se ele o mata com ódio no coração, o carma gerado é diferente?

Monge Genshô – Você teria que agir com a compaixão de impedir que ele fique com o carma de matar quinhentas pessoas, matá-lo por ele também, com a intenção de salvá-lo. Isso é freqüente, claro, neste exemplo radical estamos em uma situação limite, mas isso é muito freqüente na vida. Eu sou pai, tenho um filho. É certo ou errado dar um grito com uma criança? Depende, as vezes pode ser muito bom dar uma bronca tremenda, quando ela for a maneira correta para você impedir que uma coisa mais grave venha a acontecer. Você tem que fazer aquilo, tem que fazer com a energia certa para obter determinado resultado. Não fazer dessa forma, aí sim seria o errado.

Dogen prossegue: - "Esses são então, os oito aspectos da iluminação, cada um deles contem os outros oito, logo, são sessenta e quatro. Falando de forma mais ampla se você os desdobrar eles se tornam infinitos, se os resumir são sessenta e quatro. Esse foi o último ensinamento do nosso Mestre Buda Shakyamuni, a essência do Mahayana, pronunciado por volta da meia noite do dia quinze de fevereiro. Daí em diante ele permaneceu em silêncio até sua morte. Buda disse concluindo, “Praticantes, sempre busquem com todo o coração o caminho da libertação, já que todas as coisas do mundo, móveis e imóveis, são formas instáveis sujeitas a morte, parem agora e não falem mais, o tempo esta acabando e vou atravessar para a extinção, esse é meu ultimo ensinamento”. "Portanto, discípulos de Buda definitivamente devem estudar esses princípios. Aqueles que não estudam ou praticam esses ensinamentos não são discípulos de Buda. Esses ensinamentos são o tesouro do olho do Dharma verdadeiro, o coração do nirvana. Apesar disso, entretanto, existem muito que ignoram esses ensinamentos e poucos que são conscientes deles. Aqueles que não entraram em contato com esse ensinamentos, estão nessa situação devido a más influências e também devido a falta de ações virtuosas no passado. Antigamente nos períodos do verdadeiro dharma e da imitação do dharma, todos os budistas conheciam e praticavam estes oito aspectos, hoje em dia é difícil encontrar um ou dois entre mil monges que conheçam esses ensinamentos. "

 Ele está falando em 1253 DC e considera que a prática está horrível: - " Que pena, a decadência dessa nossa era degenerada é mesmo inimaginável. Devemos nos apressar para aprender e praticar esses ensinamentos já que ainda é possível encontrá-los, não sejam negligentes. É difícil encontrar os ensinamentos de Buda mesmo em incontáveis eras, é igualmente difícil nascer como ser humano. Nós, não só tivemos a sorte de nascer como seres humanos, como também a sorte de nascer em um local onde é possível ouvir os ensinamentos do Buda. Aqueles que morreram antes de Buda também não ouviram esses ensinamentos. Graças ao poder de nossas ações virtuosas no passado, entretanto, nós podemos ouvi-los e estudá-los. Agora, devemos estudar e desenvolver estes oito aspectos vida após vida e assim, certamente alcançaremos a insuperável iluminação. Se além disso, nós o expusermos à todos os seres ser cientes, então nós mesmos não seremos diferentes do Buda Shakyamuni. "

Pergunta - O senhor poderia lembrar o primeiro? Ou todos...

Monge Genshô – Ter poucos desejos, satisfação, apreciar a quietude, diligência, plena atenção, meditação, sabedoria e abster-se de uma mente discriminativa.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O Koan


Palestra Proferida por Monge Genshô
Sesshin de Carnaval: 17 a 20 de fevereiro de 2007
Título: Comentários sobre Teishôs de Taizan Maezume Roshi
Tema: A árvore sem raiz
Decupada da gravação, digitada, editada e revisada por Denkô



Taizan vai falar sobre koan.
Muitas pessoas pensam que a escola Soto Zen não usa koan,isto é um engano. A diferença é que a escola Rinzai põe ênfase nos koans. E a escola Soto põe ênfase no shikantaza, a meditação sentada, e deixa o koan como uma coisa auxiliar. No entanto, os mestres Soto costumam usar koan. Aquela pergunta quem é você? Não é um koan,aquilo é umhua-t''ou (jap. watô). É outra técnica, questões que pressionam. Mesmo os praticantes que estão há anos praticando têm muita dificuldade para responder essa pergunta de forma satisfatória.
Koan significa caso público, caso registrado. É um diálogo entre mestre e discípulo, que foi registrado, sobre o qual você pode pensar e tentar responder. Por exemplo, os discípulos estavam disputando por um gato. Normalmente não existem ou não é para existir animais de estimação nos mosteiros, mas de repente aparece um e é adotado. Então, havia um grupo de monges no mosteiro disputando um gato. O mestre chegou na sala, pegou o gato, levantou-o no ar, tirou a navalha que serve para cortar a barba e disse:digam uma palavra Zen e o gato se salvará. Um monge falou: o gato é meu, o outro: compaixão! não mate o gato! O mestre cortou o gato ao meio. Isto no budismo é absurdo. Mas, ele matou, assumiu o risco de fazer isto em benefício de muitos outros seres porque até hoje estamos falando nisso. À noite chegou um monge que estava viajando. O mestre relatou a história. O monge pegou as sandálias e as colocou sobre a cabeça e saiu, e o mestre disse: se você estivesse aqui teria salvado o gato. O koan é assim: me diga o que você teria dito para salvar o gato. Até hoje eu vi uma pessoa que salvou o gato, metaforicamente. Ele levou um ano tentando,mas conseguiu. É como a resposta quem é você? Se alguém dá uma resposta que ele aprendeu filosoficamente, na hora você vê que esta resposta é uma resposta só da sua cabeça.Traga-me uma resposta das suas entranhas. E esse é um dos problemas do koan porque originalmente aconteciam  diálogos entre mestres e discípulos, na época de ouro do Zen, e eram muito fortes estes diálogos, verdadeiras as respostas. Com o tempo isto foi sendo escrito e tornou-se caso público como essa história do gato  que eu estou contando. Mas vocês não estavam lá nem estavam disputando o gato. Então não era a sua vivência pessoal. É agora uma referência a um caso passado.
O melhor koan é o koan da vida da pessoa, mas precisa um professor realmente bom para isso. Então de certa forma burocratizou-se, institucionalizou-se o koan e começou-se a ter respostas codificadas e isso foi o enfraquecimento da escola Rinzai porque precisa muito bom professor para lidar com este problema. Tem que brigar com o aluno e precisa um  aluno forte também, um aluno que pode ser esbofeteado. Quando Dogen foi para a China, ele tinha sido criado, era monge desde os doze anos de idade, na escola Tendai ou Tientai que é uma escola do Vajrayana japonês. Hoje a grande corrente Vajrayana que nós conhecemos é a Tibetana. Mas existe o Vajrayana japonês como as escolas Tendai e Shingon. Então Dogen quando chegou na China ele viu um Rinzai decadente, modificado, não gostou e foi procurando até encontrar Tendo Nyojo que representava a Escola Caodong de Zen, que é a escola Soto, uma escola que se originou do sexto patriarca (em nossa linhagem) da China. (Comentário de Monge Genshô)
(continua)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Iluminar-se com seu próprio metodo


P: Por que não posso trilhar meu caminho sozinho, usando as técnicas que me interessarem?

R: Bem, você pode mesmo tentar, porem considere que os caminhos existentes foram testados por milênios. Em geral com o tempo, no budismo e no cristianismo, houve o abandono de metodos severos antigos e grande decadência, muito extensa, a ponto de ser difícil achar seres realizados. As tentativas individuais não prosperaram com raríssimas exceções.
Considere também que mesmo os melhores, como Buda, treinaram com mestres durante anos. Não temos notícia de quem haja feito tudo sozinho.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O Dharma desaparecerá e será um dia restaurado?


O Dharma desaparecerá e será um dia restaurado? É uma espécie de profecia?

R: É um conceito cíclico muito citado em numerosos escritos budistas, como se o Dharma entrasse em decadência, ninguém mais obtivesse a iluminação fácil dos promeiros tempos, fosse ficando só o ensinamento e por fim até este fosse esquecido, os períodos são citados com grandes variações, de centenas até a milhar de anos. No Zen dizemos que isto é apenas didático e a iluminação está acessível a quem praticar corretamente aqui e agora, esta condição não muda. Mas nada impede que novos Budas venham a surgir se as condições para isto existirem.

Seria bom desconsiderarmos estas coisas e nos voltarmos para uma prática dedicada de meditação e preceitos.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Para quem vou tentar difundir o Dharma nestes tempos decadentes?

E você está pronto para ouvir o Dharma? Não pense em realizar algo, em ser bem sucedido com os seres que ajudar, somente ajude, não espere que dê certo, tente, tente, não tenha estes objetivos, apenas caminhe sem fim, " o caminho é infindável, mas me comprometo a segui-lo". Se você pensar que é difícil, porque há poucas pessoas realmente interessadas, você realiza a decadência, se andar, você realiza o Dharma vivo.

Eu perguntei a Saikawa Roshi, qual deve ser meu objetivo? e ele me respondeu, - apenas ande, o caminho se mostra a cada momento. - Abra os olhos.