Nós
estávamos falando sobre pecado e regras... Samsara é um mundo de perambulação,
as pessoas procuram a felicidade perambulando, elas saem de um lugar, vão para
outro, vão para outro… Ou saem de um amor procuram outro amor, ou querem trocar
de emprego ou querem trocar de carro, ou querem fazer qualquer coisa. Sempre
pensam “eu vou ficar feliz se eu conseguir isto”, e não funciona assim. Cada
vez que você consegue uma coisa o prazer desta coisa se esvazia muito rápido.
Você compra um carro novo, a alegria do carro novo dura alguns dias, e logo é
substituída pelo medo de ter o carro amassado, riscado, ou pelo desagrado de
ver o primeiro ponto de ferrugem ou qualquer coisa assim… Esse é o próprio
mundo da perambulação, o mundo do Samsara.
Mostrando postagens com marcador perambulação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador perambulação. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Samsara e Nirvana são modos de ver as coisas
Aluno - Parte do caminho de
ver as coisas como realmente são, também passa pelo fato de compreender este ciclo, do samsara de vida e morte. Eu me pergunto, esta insatisfação
seria uma desistência da vida como ela é aqui?
Monge Genshô - Não sei se
entendi bem onde você quer chegar, mas é bom nós compreendermos que samsara e
nirvana são modos de ver as coisas, aqui no nosso mundo diário, samsara é o
mundo da perambulação onde você procura a felicidade em coisas diferentes, você
vai procurar uma coisa e depois outra e depois outra e nunca está satisfeito, nós
procuramos novos amores, novos empregos, procuramos trocar de carro por que eu
vou ficar feliz se eu trocar de carro. Isso eu ouço muito.
Eu tenho um amigo que cujo
objetivo é ser bilionário. Ele acha que vai ficar feliz quando for bilionário,
porque a mãe dizia a ele que um homem sem dinheiro não é nada, então ele só
pensa em ganhar dinheiro e acha que quando alcançar este número, quando tiver
um bilhão, ele será um homem feliz e realizado, isto é típico do mundo do samsara,
mas, quando alcançar, vai ter um outro problema porque na lista da Forbes, quem
tem um bilhão é um bilionário fraco, porque tem gente com 100 bilhões. Ele será
pobrezinho no meio dos bilionários. (continua)
segunda-feira, 27 de abril de 2015
OS CICLOS DE SOFRIMENTO
Monge Genshô: O que caracteriza o mundo do samsara é a procura
incessante. Nós queremos achar algo que nos falte. Na verdade, nós todos
estamos aqui porque vivemos no mundo do samsara, senão, não iríamos ouvir uma
palestra. Se tudo estivesse perfeito, completamente perfeito, não tinha porque
ouvir uma palestra. Temos que conscientizar – ah, eu vivo no mundo da
perambulação. Nós perambulamos procurando felicidades, vamos a uma banca de
revista e vemos a revista dos felizes. O que aconteceu? As pessoas vão lá, lêem
esse tipo de revista sobre famosos, que têm dinheiro, vivem em ilhas, têm iates
ou qualquer coisa assim, achando que a felicidade é alcançada através da
prosperidade, que vou alcançar a felicidade através de ter coisas. Mas isto é o
próprio mundo do Samsara. Perambulo atrás de uma coisa a mais. Aquela coisa que
vejo não é suficiente. Então procuro aquela outra coisa.
Qualquer pessoa que está nesse mundo de perambulação olha em volta e se
compara com os que estão em volta. Os que estão na favela olham em volta e vêem
os outros da favela. E ele vai se sentir próspero, vai se sentir melhor se
estiver mais do que o vizinho. Então ele compra uma televisão melhor do que a do
vizinho, assim então ele acha que se destacou do grupo. Só que se ele continua
crescendo e sai da favela, tem outro grupo, outro grupo e outro grupo.
Uma vez tive a oportunidade de passar em Mônaco. Em Mônaco tem um porto
e nesse porto estão estacionados iates. Mas quem tem um iate de 50 metros é um
pobretão, coitado dele. O cara não é ninguém, tem apenas um iate de 50 metros.
Ao lado tem um iate de um sheik de 150 metros, 3 vezes maior, muito mais alto,
com torneiras de ouro. Aí então ele se vê pequeno no mundo da comparação.
Então o que acontece quando vemos essas revistas por onde comecei, é que
as pessoas olham para a revista para se comparar. Elas olham e vêem a
comparação. Olham e imaginam que existe um outro mundo. Um mundo mais abundante
do que o seu mundo próprio. E atrás de coisas materiais as pessoas fazem isso.
Mas as pessoas fazem isso em outras áreas também.
As pessoas dizem - ah se eu tivesse um amor. A pessoa perambula de amor
em amor. Este amor não deu certo, esse não é suficiente, essa pessoa não tem
tudo que eu queria. Tem falhas nessa pessoa. Aí ela vai para outra
pessoa, outra pessoa, outra pessoa. Isto é também um perambular. Perambula
achando que logo a seguir vai achar. É como se andasse sem rumo num mundo de um
lado para o outro, procurando algo que fosse, enfim, o satisfatório. Agora o
que o mundo do Samsara ensina para nós é que não existe na verdade o
satisfatório. Foi isso que Buda ensinou. Essa é a primeira nobre verdade, não
existe o satisfatório. O satisfatório é inalcançável, pois a característica da
vida é Dukkha, é ser insatisfatória.
Dukkha quer dizer insatisfatório, nunca vou me satisfazer. Mas por que
não vou me satisfazer? Vamos analisar a palavra. A palavra em sânscrito provém
desta raiz – “Duk”. Mas o que significa isso? Duk significa eixo. Então tenho
eixo e tenho uma roda. O eixo da roda. Mas, se o meu eixo estiver deslocado e a
roda estiver assim, o que vai acontecer? Como ela funciona? Ela desenha ciclos,
ciclos assim. Isso é oque acontece com o eixo fora do lugar. Quando Buda disse
– a vida é Dukkha, muitos tradutores traduziram como a vida é sofrimento.
Buda nunca pretendeu dizer que a vida é sofrimento. Vocês já viram essa
tradução, a vida é sofrimento? Pois é, Buda não disse isso. Buda disse que a
vida é Dukkha, que a vida é cíclica, insatisfatória. Ela sobe e desce sem
parar. Então ora tenho amor, ora tenho dor de cotovelo ou tristeza. Ora tenho
riqueza, ora pobreza. Ora satisfação, ora insatisfação. Sempre. A vida é
constituída de coisas muito boas, tem prazeres, tem momentos maravilhosos de
felicidades, de euforia. Ela tem isso, quem poderia negar isso? A vida não é só
sofrimento.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
O mundo da perambulação
(Palestra em Goiânia)
Tathagata, é um dos nomes de Buda. Significa aquele que assim como vai, assim ele vem. Isso tem um significado para nós meditarmos, porque nós vivemos em mundos de perambulação, em que estamos continuamente alterando a nós mesmos. Nós mesmos nos alteramos internamente e os mundos em volta se alteram junto conosco. Chamamos o perambular, o mundo da perambulação de samsara, o mundo do samsara.
O que caracteriza o mundo do samsara é a procura incessante. Nós queremos achar algo que nos falte. Na verdade, nós todos estamos aqui porque vivemos no mundo do samsara, senão, não iríamos ouvir uma palestra. Se tudo estivesse perfeito, completamente perfeito, não tinha porque ouvir uma palestra. Temos que nos conscientizar – ah, eu vivo no mundo da perambulação. Nós perambulamos procurando felicidades, vamos a uma banca de revista e vemos a revista dos “felizes”. As pessoas vão lá, lêem esse tipo de revista sobre famosos, que têm dinheiro, vivem em ilhas, têm iates ou qualquer coisa assim, achando que a felicidade é alcançada através da prosperidade, que vão alcançar a felicidade através de ter coisas. Mas isto é o próprio mundo do Samsara. Perambulo atrás de uma coisa a mais. Aquela coisa que vejo não é suficiente. Então procuro aquela outra coisa.
Qualquer pessoa que está nesse mundo de perambulação olha em volta e se compara com os que estão em volta. Os que estão na favela olham em volta e vêem os outros da favela. E ele vai se sentir próspero, vai se sentir melhor se tiver mais do que o vizinho. Então compra uma televisão melhor do que a do outro, assim então ele acha que se destacou do grupo. Só que se ele continua crescendo e sai da favela, tem outro grupo, outro grupo e outro grupo.
Uma vez tive a oportunidade de passar em Mônaco. Mônaco tem um porto e nesse porto estão estacionados iates. Mas quem tem um iate de 15 metros é um pobretão, coitado dele. O cara não é ninguém, tem apenas um iate de 15 metros. Ao lado há um iate de um sheik de 150 metros, 3 vezes maior, muito mais alto, com torneiras de ouro. Ele se vê pequeno no mundo da comparação. Então o que acontece quando vemos essas revistas por onde comecei, é que as pessoas olham para a revista para se comparar. Elas olham e vêem a comparação. Olham e imaginam que existe um outro mundo. Um mundo mais abundante do que o seu mundo próprio. E atrás de coisas materiais as pessoas fazem isso. Mas as pessoas fazem isso em outras áreas também.
As pessoas dizem - ah se eu tivesse um amor. A pessoa perambula de amor em amor. Este amor não deu certo, esse não é suficiente, essa pessoa não tem tudo que eu queria. Tem falhas nessa pessoa. Aí ela vai para outra, outra pessoa, outra pessoa. Isto é também um perambular. Perambula achando que logo a seguir vai achar. É como se andasse sem rumo num mundo de um lado para o outro, procurando algo que fosse, enfim, o satisfatório. Agora o que o mundo do samsara ensina para nós é que não existe na verdade o satisfatório. Foi isso que Buda ensinou. Essa é a primeira nobre verdade, não existe o satisfatório. O satisfatório é inalcançável, pois a característica da vida é Dukkha, é ser insatisfatória. (continua)
sábado, 20 de junho de 2009
Perambulação

P: Quero mudar minha vida, trabalhar em outro lugar fazendo algo diferente, parece que o que faço não dá certo em relacionamentos e profissionalmente, como devo agir?
R: O segredo da vida não é procurar fazer o que se gosta, mas sim achar como gostar do que se faz, saber seguir o fluxo da vida, quando lutamos contra a corrente natural tudo fica muito difícil, é como se as engrenagens estivessem emperradas. Perambular, procurando a felicidade, é justamente o significado da palavra Samsara (perambulação). Por exemplo, não podemos forçar o amor, nem alimentar pretensões demasiadas em um relacionamento, se fazemos isto afogamos o outro com nossas demandas.
Quanto a vida profissional, não se pode trocar de trabalho enquanto não se tem uma outra coisa segura, só se pode pular de um barco para outro, se pulamos e saímos nadando as coisas pioram ainda mais.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
A angústia do fim do EU

P: As vezes acho que o Budismo está me levando rumo ao ceticismo. Estou achando mais fácil me perceber apenas como um "boneco genético" do que como um "boneco kármico". Estou achando que com a morte vem o vazio, a extinção, o fim. Sê não há nada sagrado, nada supremo, por que imaginar que há samsara? Só agora me dei conta de que o Deus que eu conseguia conceber, de fato, nunca pôde interferir. Estou triste e o mundo parece o caos.
R: A genética também tem raízes cármicas... A morte de um eu não é o fim de mais do que a ilusão do eu, a sua verdadeira natureza continua e não pode se extinguir, a continuidade é óbvia "nada se extingue, tudo se transforma" como diria Lavoisier, ou as leis da conservação da energia, que conhecemos bem, e são básicas na física. Samsara não é algo mas uma maneira de ver, porque você vê com olhos de perambular, por isso, anda de um lado ao outro procurando a felicidade. O que você precisa agora é procurar a sua verdadeira natureza, se você a vir tudo será claro, e um grande contentamento surgirá, infelizmente você precisava passar por esta destruição das ilusões egóicas para poder ver com clareza além do sonho.
Assinar:
Postagens (Atom)


.jpg)
