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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Impulsos Cármicos




Todos os eventos têm causas pregressas. Não há um evento que possamos olhar e dizer que não há causa anterior. Nós somos responsáveis pelo movimento que faz com que permaneça existindo o redemoinho (nosso ego). Nós geramos um movimento pela nossa própria existência que nos sustenta carmicamente e que faz com que este carma se manifeste novamente.

Foi isso o que aconteceu antes, no passado: eu gerei um movimento anterior que me fez nascer nestas condições, com este tipo de corpo, aqui, neste lugar. Havia impulsos pregressos que fizeram com que eu existisse agora, e se eu continuo gerando movimento através das minhas ações, pensamentos, palavras, este movimento, que são os impulsos cármicos, manifestar-se-ão numa próxima existência com as mesmas características. Então, tendemos a repetir vidas, assim como nesta vida tendemos a repetir o mesmo tipo de erro. Vamos lá e cometemos um erro. Depois vamos lá e cometemos de novo o mesmo erro. Aí nos perguntam: “mas por que é que você faz isso?” E nós dizemos: “não sei, eu sou assim, esse sou eu”.

O Budismo não aceita bem isso, porque você pode mudar o seu carma. Então, esse é você, mas você pode mudar.

(CONTINUA)

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Por que temos dificuldades com a morte?

Aluno – Eu gostaria que o senhor falasse sobre o nirvana...
Monge
– Ir para o nirvana significa não se manifestar novamente, extinguir o carma, mas isso é raríssimo. Normalmente o que acontece é que a gente tem muitos resíduos de carma,  até mesmo vontade de ajudar outras pessoas, e então você retorna. Porque tem esse sentimento, esse sentimento faz você retornar.
Só que na verdade, olhando profundamente, não existe uma coisa tal como 'outras pessoas'. Todas as outras pessoas são eixo de redemoinho, todos eles mera construção, ilusão, não existe isso, até parece que existem outras pessoas, mas é uma ilusão fortíssima, não é ilusão, é delusão, eu olho aqui e vejo cada um e cada um me parece sólido, real. Vocês também têm a mesma sensação. Como a gente se dá conta de que na verdade são redemoinhos, movimento cármico e que irão se extinguir? Por isso é que a gente tem tanta dificuldade com a morte. (Continua)

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Para estarmos aqui, houve karma e movimento

A vida é ter carma, movimento, impulsos que geram redemoinhos, que geram novos redemoinhos, que geram outros, repetindo sempre. Alguém aqui lembra sua vida passada? Não. São todos novos redemoinhos, mas nós sabemos que para estarmos aqui houve carma e movimento, senão não estaríamos aqui. Houve coisa do passado que veio e que se manifesta aqui e agora. Nós somos assim: movimento. Então nós somos redemoinhos. Mas na verdade, mesmo, nós somos o puro céu azul. Como não enxergamos isso, somos condenados a sermos redemoinhos repetindo redemoinhos. (continua)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Nós somos o céu azul



Pergunta – Estava lendo em seu blog uma resposta que o senhor deu a uma pergunta sobre almas e espíritos, o senhor respondeu com uma metáfora sobre o redemoinho. O senhor poderia explicar um pouco melhor sobre isso?

Monge Genshô – Eu penso que essa metáfora seja muito boa. O redemoinho é movimento, é todo constituído de movimento, movimento do ar que cria o redemoinho, este movimenta a poeira e as coisas ao seu redor e só então você pode ver o redemoinho. Mas, no centro, no olho do redemoinho não existe movimento. Este centro é o eixo em torno do qual tudo gira. Mas o que é esse eixo, tão claro, tão nítido e evidente? Ele é vazio. Inclusive é vazio de movimento, no centro de um furacão não existe vento, não existe movimento. Usei essa metáfora para dizer que nosso eu, que tanto amamos e desejamos vida eterna é como um eixo de redemoinho, do furacão dizemos que tem um eixo, de nós que temos um “eu”, mas esse eu é todo construído pelo movimento, o movimento dos pensamentos. Esse “eu” que tanto acreditamos e queremos que sobreviva dentro de uma alma ou espirito permanente, nada mais é que o desejo de permanência de algo evidentemente fugaz. Nosso “eu” é fugaz. Não existe uma alma ou espírito que o sustente, é tão vazio quanto o eixo do furacão e, no entanto tem todo esse movimento de vida em seu entorno. Mas um dia ele cessa e para onde vai o eixo do redemoinho quando este para? Se vocês olharem para o céu, o ar está ali, nada mudou, sempre esteve ali. O redemoinho foi um movimento da atmosfera. O que precisamos enxergar em nossa verdadeira natureza é que somos atmosfera e não redemoinho, o redemoinho é só um acidente.

Pergunta – Fazendo uma analogia com o olho do furacão. Estaria no olho do furacão a budeidade já que lá permanece como atmosfera tranquila com todos seus elementos?

Monge Gesnhô – A natureza búdica de todos os seres é auto evidente, natureza livre e desperta de todos os seres como, na analogia, a atmosfera. A atmosfera pode manifestar quantos redemoinhos, furacões, ciclones, chuvas e trovoadas que desejar, mas depois que todos os fenômenos cessarem lá estará o céu azul. Nós somos o céu azul e não raios, trovões, furacões, chuvas ou redemoinhos. Se você enxergar essa verdadeira natureza, todo o medo da morte desaparecerá. A atmosfera é eterna o redemoinho é que é temporário. Somos muito maiores do que pensamos, quando pensamos pequeno, pensamos no nosso “eu” e esse “eu” nasce e morre. Se você conseguir enxergar isso com clareza todo o medo de morrer desaparece. Da mesma forma que na atmosfera sempre surgem trovões e redemoinhos, estamos sempre nos manifestando, nos manifestamos de acordo com nosso carma. Sei que é muito difícil de entender, mas assim é o budismo.