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segunda-feira, 17 de junho de 2013

O destino



Aluno - E o destino?

Monge Genshô – Então eu tenho um papel e esse papel eu não posso mudar? Se eu tiver um papel que diz o que vai acontecer e eu não possa mudar, então não adianta eu fazer nada, está tudo escrito, tanto faz olhar para os lados ao atravessar a rua, se meu destino for ser atropelado serei, se não for não serei... Esse é um fatalismo inaceitável. Eu posso mudar minha vida a qualquer instante, se eu quiser. Pode custar muito esforço, mas eu posso. Então  tudo é possível. Aceitar que alguém tenha um papel que lhe foi atribuído e que não possa escapar dele, é acreditar em destino e ser fatalista. Isso é abrir mão da liberdade do homem. Nós temos, mesmo que limitada, uma certa liberdade. Quem impede qualquer um de vocês de levantar e sair agora? Quem impede ao monge Jushin de pegar seu rakusu entregar e dizer - “Eu não sou mais monge”? Ninguém.

As prisões são criadas por aquilo em que você acredita. Você crê numa determinada idéia, fica prisioneiro dela. Mas você pode mudar de idéia e não estará mais prisioneiro. Nós acreditamos na infelicidade.  Você pode falar para uma pessoa que está deprimida, que é infeliz: “Você é infeliz mesmo, de verdade”? Eu tinha uma amiga que estava ficando cega, tinha um tumor na hipófise que estava comprimindo o nervo ótico. Ela é uma artista plástica, dependente dos olhos. Ela contou que chegou em casa, fechou os olhos e andou pela casa para sentir como seria ser cego. E achou aquilo terrível. Então numa operação, conseguiram tirar o tumor e o risco de cegueira desapareceu. Nesse momento a pessoa sente o que? Imensa felicidade, porque teve a perspectiva do que seria ficar cega, para uma pessoa para quem a visão era muito importante.

Então as pessoas muitas vezes são infelizes porque não percebem o quanto são felizes. O Michel pensou que tinha um câncer, mas, recebeu a notícia que era benigno. Depois da operação ficou esperando dez dias pelo resultado. Quando saiu o resultado ele escreveu - “Esse é o dia mais feliz da minha vida”. Certamente essa felicidade já se esvaiu,  foi absorvida. Não existe mais a ameaça da morte. Então em vez de morrer em alguns poucos anos, tinha de repente a perspectiva de viver mais uns quarenta anos.