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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O que nos prende ao samsara


P: Apenas uma curiosidade. Como é a sua vida de praticante, qual seu mestre atual e qual seu método de praticar?

Venerável Dhammadipa – Estudei diferentes métodos de meditação. Em primeiro lugar estudei os métodos tradicionais, Samatha e Vipassana, me tornando sólido nesses métodos para depois ensiná-los. Atualmente eu ensino os quatro Paramithas, compaixão, alegria, amor e equanimidade. De acordo com o Budismo, o Samsara é baseado em sentimentos, assumir os sentimentos assim como o próprio “eu”, são a ligação entre o interior e o exterior. O que Buda realizou sob a árvore Bodhi foi a “Originação Dependente”, e todas as tradições estão de acordo com isso. Mas há diversas explicações nas diferentes tradições sobre o que seja a originação dependente e, como resultado dessas diferentes explicações surgiram diferentes escolas Budistas.

A base para nossa compreensão da originação dependente são os doze elos. O primeiro elo é a ignorância, da ignorância surgem as formações mentais, dessas surgem a consciência, da consciência surge Nama-rupa ou as formas, das formas surgem os seis sentidos, que são as cinco faculdades sensoriais e a faculdade mental, o sexto elo é o contato, do contato vem os sentimentos, sétimo elo, que são sensações e percepções. Na China e no Japão esse elo pode ser entendido como a recepção do objeto, temos que tocá-los para percebê-los, quando recebemos essa informação é que as classificamos em agradável, desagradável ou neutro. Das percepções surge o apego e do apego surgem nascimento, morte e existência. Existência significa carma e as formações mentais também são carma. Dessa diferenciação surge a ignorância e então o ciclo recomeça.

Estamos retornando ao Samsara devido a uma não compreensão desse processo de recepção dos objetos. A ignorância e as formações mentais nos trazem à vida e continuamos na vida nos apegando aos sentimentos. A vida aqui significa a vida baseada no sofrimento. Assumindo que o impermanente é permanente, assumindo que a pena é prazerosa, essa é a base das formações mentais, o carma. As formações são a base para diferenciar Samsara. A consciência do Samsara é caracterizada por esse apego aos sentimentos e percepções, apego ao processo de recepção dos objetos, meu olho, minha cor, minha mente, minha ideia. Essa é nossa algema ao Samsara. Todas as tradições Budistas concordam que a forma de quebrar essa algema está nesse processo de percepção dos objetos. Entender o processo de recepção e percepção dos objetos é muito importante. Minha prática principal é a contemplação disso e entender a diferenciação e a ilusão da mente discriminativa.  O que basicamente ensino, mas não necessariamente pratico, é o ensinamento do Samatha e Vipassana, é como a prática dos quatro ilimitados. É muito importante abrir seu coração.