Follow by Email

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Pouco treinamento, pouco resultado



P: Quando estou praticando, não sei dizer se é concentração, mas sinto um pequeno grau de desprendimento, nada profundo ainda, esse estágio mental é uma espécie de treinamento para que eu possa desenvolver esse outro nível?

Monge Genshô – Temos muitos pequenos graus, mas na realidade quarenta minutos são muito pouco. Os leigos vêm praticar, sentam quarenta minutos e pensam que estão praticando meditação. O correto seria eu dizer que estão “fazendo uma limpeza”, estão se acalmando, não é tempo suficiente para ir mais fundo. Por isso sempre aconselho as pessoas a irem aos retiros. Nos retiros são muitas horas de meditação e é comum essa sensação no primeiro dia, de estarmos descartando o lixo. Como agora, sentados ali no zendo, vem à mente aquelas coisas que perturbaram você durante o dia de hoje ou de ontem, ou mesmo que vem perturbando durante dias, mas para ir mais fundo no Zen tornam-se necessárias muitas horas mais de prática.

No segundo dia de retiro estamos desesperados e querendo ir embora e se passarmos por essa fase, a vontade de ficar substitui a ânsia de sair do retiro. Isso pode aumentar se tivermos algum tipo de experiência e então voltar para o mundo dito real é que parece loucura, pois ali no retiro temos paz, serenidade e clareza. Pode ser que você não consiga isso, mas normalmente é o que acontece. Existe um retiro de oito dias, chama-se “rohatsu”, em que você não pára durante sete dias e, no último dia, à noite, o retiro vai até a madrugada sem intervalos. É o “retiro da iluminação de Buda”, pois foi isso que Buda fez. Toda essa história dos retiros, é somente pra dizer que pouca meditação, é igual a pouco resultado. Se você senta só um pouco por dia ou por semana, sempre será só um pouco, e pouco treinamento, pouco resultado.

Uma vez disse ao meu Mestre que queria dar um passo mais adiante e ele me disse para ficar sozinho durante três dias, não falar com ninguém, não ver ninguém e só sentar durante esse tempo. Eu lhe perguntei como havia sido com ele e ele respondeu que quando era jovem queria resolver a questão do “vazio é forma e forma é vazio”, então se sentou por quatro anos. Resolveu.