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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Dilemas morais



Pergunta – Nós que temos então, que pesar entre o absoluto e o relativo, uma vez que não existe o certo e o errado?

Monge Genshô – Dependendo da circunstância as coisas mudam. Matar é errado, mas se para salvar cinquenta vidas você tiver que matar um terrorista, por exemplo, isso é certo ou errado? A princípio matar é errado, mas para produzir arroz há que matar, pois para cultivar o campo você vai matar alguns animais que estão na terra. Não é tão simples. Nos dilemas morais você pode aplicar um princípio que é: “qual o menor mal, para o maior numero de pessoas”? Sempre deverá haver um critério.

Por exemplo, estamos num barco e para que o barco não afunde e todos sobrevivam uma pessoa deve pular na água, quem será? Qual o critério? Pode ser, por exemplo, o mais velho. Esse tipo de problema existe há muito tempo, não é verdade? Normalmente salvam-se primeiro mulheres e crianças. Por quê? Porque crianças têm mais tempo de vida e mulheres são progenitoras, são as que geram a vida, homens sempre foram vistos como mais descartáveis pois bastava um para garantir a sobrevivência da tribo, até hoje quando morrem homens são contados como números enquanto a expressão “mulheres e crianças” parece se referir a inocentes, como se eventualmente os homens não o fossem e suas mortes em guerras também não devessem causar horror. Nessas decisões sempre pesa um valor que sirva para toda a sociedade e não apenas para um indivíduo é isto que está por trás destas tradições. Não há resposta fáceis e um budista tem que saber que tem que decidir e arrostar o carma correspondente sem regras “fechadas”.